INVICTUS

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Nelson Mandela na prisão (Imagem do Google) INVICTUS William Ernest Henley , Poeta inglês ((1849-1903) Tradutor: Sergio de Se...

domingo, 17 de fevereiro de 2013

PABLO NERUDA - A voz que o tempo não cala.








O GENERAL FRANCO NOS INFERNOS

Pablo Neruda


Desgraçado, nem o fogo, nem o azeite fervendo
em um ninho de bruxas vulcânicas,
nem o gelo devorador,
nem a tartaruga pútrida
que ladrando e chorando com  voz de mulher morta
te escarve a barriga
buscando uma aliança
ou um brinquedo de criança degolada,
serão para ti apenas uma porta escura,
arrasada.

Na verdade, de inferno a inferno, o que há?
No uivo de tuas legiões ,
no leite santo das mães de Espanha,
no leite e nos seios pisoteados pelos caminhos,
tem uma aldeia a mais,
um silêncio mais,
uma porta quebrada.

Aqui estás. Triste pálpebra,
estrume de sinistras galinhas de sepulcro
pesado escarro,
emblema da traição que o sangue não apaga.
Quem, quem és?
Ó miserável folha de sal,
Ó cão da terra,
Ó bastarda covardia da sombra.

Retrocede a chama sem cinza,
a sede salina do inferno.
Os círculos da dor empalidecem.

Maldito, que só o humano te persiga.
Que dentro do absoluto fogo das coisas
não te consumas. Que não te percas
na escala do tempo
e que não te perfure o vidro ardente,
nem a feroz espuma.

Só, sozinho, para as lágrimas todas reunidas,
para uma eternidade de mãos mortas
e olhos apodrecidos,
só, em uma cova de teu inferno,
comendo pus silencioso e sangue
por uma eternidade maldita e solitária.
Não mereces dormir
ainda que teus olhos sejam cravados de alfinetes.

Deves estar desperto, caudilho,
desperto eternamente
entre a podridão das recém-paridas,
metralhadas no outono.
Todas, todas as tristes crianças esquartejadas,
rígidas, enforcadas,
esperam no teu inferno
o dia da festa fria: tua chegada!

Crianças negras pela exlosão,
pedaços vermelhos de miolo,
corredores de brancas vísceras
te esperam todos, todas,
na mesma atitude
de atravessar a rua,
de chutar a bola,
de comer uma fruta,
de sorrir ou nascer.

Sorrir!
Há sorrisos já demolidos pelo sangue
que esperam com dispersos dentes exterminados
e máscaras de confusa matéria,
rostos ocos de pólvora perpétua
e os fantasmas sem nome,
os obscuros escondidos,
os que nunca saíram de sua cama de escombros.

Todos te esperam para passar a noite.
Enchem os corredores
como algas corrompidas.

São nossos, foram nossa carne,
nossa saúde, nossa paz de forjas,
nesse oceano de ar e pulmões.
Através deles as terras secas refloriam.
Agora, para além da terra,
feitos substância destruída,
matéria assassinada, farinha morta,
te esperam em teu inferno.

Como o agudo espanto ou a dor se consomem
nem espanto, nem dor te aguardam.
Só e maldito sejas!
Só e desperto sejas entre os mortos.
E que o sangue desabe sobre ti como a chuva
e que uma agonizante rio de olhos cortados
resvale e te percorra, mirando-te sem fim.

Tradução de OLGA SAVARY


“Pablo Neruda, como García Lorca, morreu oprimido pela brutalidade totalitária. Mas os portas do povo – e seus versos – ficam, enquanto o som e a fúria dos caudilhos e ditadores morrem com eles. “


EN ESPAÑOL

El general Franco en los infiernos 

Desventurado, ni el fuego ni el vinagre caliente
en un nido de brujas volcánicas,
ni el hielo devorante,
ni la tortuga pútrida
que ladrando y llorando con voz de mujer muerta
te escarbe la barriga
buscando una sortija nupcial
y un juguete de niño degollado,
serán para ti nada sino una puerta oscura
arrasada.

En efecto:
de infierno a infierno, que hay?
En el aullido de tus legiones,
en la santa leche de las madres de España,
en la leche y los senos pisoteados
por los caminos, hay una aldea más,
un silencio más,
una puerta rota.

Aquí estás. Triste párpado,
Estiércol de siniestras gallinas de sepulcro,
pesado esputo,
cifra de traición que la sangre no borra.
Quien, quien eres,
oh miserable hoja de sal,
oh perro de la tierra,
oh mal nacida palidez de sombra.

Retrocede la llama sin ceniza,
la sed salina del infierno,
los círculosdel dolor palidecen.

Maldito, que sólo lo humano te persiga,
que dentro del absoluto fuego de las cosas,
no te consumas, que no pierdas
en la escala del tiempo,
y que no te taladre el vidrio ardiendo
ni la feroz espuma.

Solo, solo, para las lágrimas todas reunidas,
para una eternidad de manos muertas
y ojos podridos,
solo en una cueva de tu infierno,
comiendo silenciosa pus y sangre
por una eternidad maldita y sola.

No mereces dormir
aunque sea clavados de alfileres los ojos:
debes estar despierto,
general, despierto eternamente
entre la podre dumbre de las recién paridas,
ametralladas en Otoño.
Todas, todos los tristes niños descuartizados,
tiesos, están colgados, esperando en tu infierno
ese día de fiesta fría: tu llegada.

Niños negros por la explosión,
trozos rojos de seso,
corredores de dulces intestinos,
te esperan todos, todos, en la misma actitud
de atravesar la calle,
de patear la pelota,
de tragar una fruta,
de sonreír o nacer.

Sonreír.
Hay sonrisas ya demolidas por la sangre
que esperan con dispersos dientes exterminados
y máscaras de confusa materia,
rostros huecos de pólvora perpetua,
y los fantasmas sin nombre,
los oscuros escondidos,
los que nunca salieron de su cama de escombros.

Todos te esperan para pasar la noche. 
Llenan los corredores
como algas corrompidas.

Son nuestros, fueron nuestra carne,
nuestra salud, nuestra paz de herrerías,
nuestro océano de aire y pulmones.
A través de ellos las secas tierras florecían.
Ahora, más allá de la tierra,
hechos substancia destruida,
materia asesinada, harina muerta,
te esperan en tu infierno.

Como el agudo espanto o el dolor se consumen,
ni espanto ni dolor te aguardan.
Solo y maldito seas,
solo y despierto seas entre todos los muertos,
y que la sangre caiga en ti como la lluvia,
y que un agonizante río de ojos cortados
te resbale y recorra mirándote sin término.

Pablo Neruda
España en el corazón
1936-1937


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