domingo, 31 de outubro de 2010

O BRASIL VAI SEGUIR MUDANDO!!!



Fonte:

(Transcrição do Blog "Poemas e Conflitos)

LUTAR É PRECISO!

"Companheiros e companheiras de tantas batalhas, boa noite nessa noite de 31 de outubro de 2010, quando, às 20:07hhmm, Dilma Rousseff foi declarada Presidente da República.

Ao longo da campanha, tanto no primeiro, quanto no segundo turno, tivemos que lutar incessantemente e incansavelmente contra a mídia que sempre foi a verdadeira e única oposição ao Governo Popular Lula, que ao longo dos anos de seu governo sempre pregou o golpismo e, nas eleições, a distorção da verdade. Esse movimento midiático conhecido por PIG (Partido da Imprensa Golpista), foi criado por nós, internautas, por nós sempre atentos.

Fazem parte do PIG, entre outros, a Veja, a Organização GLOBO, a Folha, etc., que são veículos que pertencem ao poder e que, se no passado apoiou o golpe militar e a ditadura que o precedeu, hoje quer ela mesma ser a golpista contra o povo brasileiro, boicotando a DEMOCRACIA, por quem tantos foram torturados ou perderam a vida.

Em 2006 escrevi Lutar é Preciso, já que deveríamos lutar, sempre, em defesa da Democracia. Lutamos e vencemos. Ontem e, agora, hoje.

Por essa razão reproduzo aqui o que escrevi naqueles idos. Por ser a verdade. Por ser atual...

LUTAR É PRECISO!

(Paulo da Vida Athos)

Tenho ganas de arrancar desesperanças,
e erguer as cabeças baixas que por mim vejo passar,
De erguer os punhos dos braços inertes pelos quais cruzo
Nas ruas e nas calçadas da cidade em seu leito de medo.

Medo é morte prematura!
Morrem os sonhos e as esperanças,
Morre o brilho no olhar e o ideal,
Morre a vontade! A vontade não pode morrer!

A vontade é vento sudoeste,
Que se não afunda a nau, faz chegar depressa!
Que afunde a nau, pois que afunde! Pouco importa!
O poeta disse apenas que navegar é preciso:

Não disse o quanto nem para onde!
Esse povo é minha nau e a vida o mar.
É preciso que navegue que não caia na calmaria,
Do se deixar ficar, indolente e quedo, imerso em medo,

Pois a história passa
E o mar de hoje é oceano do eterno.
Singremo-lo, portanto!
Despojados, despertos, diversos do que fomos
Se mudar também for preciso...
Mas que não se arrastem os mastros mestres
De nossos braços!
Eles sustentam o velame da embarcação que somos:
Nossa alma!

E nossa alma precisa de vento,
Como nós precisamos da vida,
O prisioneiro, da liberdade,
E a Democracia, de nós!"

DOMINGO, 31 DE OUTUBRO DE 2010

Parabéns a todos que acreditaram e fizeram acontecer!!!





MORTE – O TEMA INEVITÁVEL







Imagem: Banco de imegens do Google

 

Somos o eterno aprisionado
Na argila perecível.
Inábeis equilibramos
O intemporal no precário.
Só a morte nos liberta.
HELENA KOLODY, in “Argila Iluminada”(1980)


                   I
Se algo há que me conforte
Ante o amigo que morreu
É ver que, ao menos na morte,
Tem um dia todo seu.


                                      II
                  Nenhuma dor, por mais forte,
                  É tão pungente em seus ais
                  Quanto a de quem vê na morte
                  A noite do “nunca mais”.


                                                               III
                                             Errônea idéia anda forte,     
                                             Bem fortemente arraigada:
                                             A que insiste em ver na morte
                                             A imensa noite do “nada”.

                                                                                   IV   
                                                                Que absurdo! Inexistir!...
                                                                De nada mais se lembrar.
                                                                Não mais sofrer, nem sorrir.

                                                                Morrer!... Dormir... Não sonhar.
                                                                                                      
                                                                                                         V
                                                                                     Esperança!... O moribundo
                                                                                     Entregue à chaga voraz...
                                                                                     O inferno em vida, no mundo
                                                                                     E o mundo deixando, em paz...

                                                                                     VI
                                                               Como as aves, findo o dia,
                                                               Dão-se ao sonho: o dia esperam.
                                                               Dão-se ao sol do Além, que os guia,
                                                               Os que em paz viver souberam...


(Do livro "Estado de Espírito", de Sersank)
(Direitos Autorais protegidos por lei)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

TROVAS DA MINHA SAUDADE


 
Imagem:

Já faz uma eternidade
Que te afastaste de mim.
Mas, no Livro da Saudade
Nossa estória não tem fim.

Nem me fale de saudade!...
Não me lembre o que passou!
Acabou a ingenuidade.
Acabou tudo. Acabou.

Na magia da saudade
Tudo fica diferente:
Gigantesca sombra invade
O reino d’alma da gente.

Sombra da nossa vontade
Querer que ensombrece a mente...
Se não contida, a saudade
Ensombra a vida da gente...

Deter o tempo é impossível.
Desafiá-lo, quem há-de?
O tempo é um deus irascível
Que jamais sentiu saudade.

Que grande a infelicidade
De quem não tem bem-querer!...
Partir sem deixar saudade...
Morrer, de fato, ao morrer...

Tudo o que é ‘felicidade’
Na saudade tem raiz.
Quem não sabe o que é saudade
Não saberá ser feliz.

Não sei qual a mais pungente
Das saudades que hoje sinto:
Se a do extinto amor, recente,
Se a do antigo amor, extinto.

Tentei matar as saudades.
Tentei matá-las. Tentei.
Nasceram novas saudades
Das saudades que matei.

Não maldigas da saudade
O aguilhão que te aniquila,
Pois, mais triste que a saudade
É o não ter por quem sentí-la...

Esquecida na saudade
Viraste sombra. Sumiste.
Hoje é outra a realidade:
Eu e a tua sombra triste.

Sigo a estrada da verdade.
Levo amor, paz, alegria.
Sou escravo da saudade
E a esperança é que me guia.

Saudade... Estações vividas...
Lembranças tornadas ais.
Imagens, talvez perdidas
P’ra sempre... p’ra nunca mais...

Desencontros... Desencantos...
Quem não os teve, jamais?
Promessas, ósculos, pranto...
Adeuses e... nada mais.

Ébrio de amor e saudade
Eu choro e rio sozinho.
Um dia, a Felicidade
Andou pelo meu caminho...


(Do livro "Trovas de Sersank")

(Probida a reprodução sem citação da fonte e autor)

(Direitos autorais protegidos por lei)




Fontes: Banco de dados do Google 

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Povo vai às urnas para derrotar o partido de Silvério dos Reis

Com Lula e Dilma para avançar mais ainda no desenvolvimento que o país necessita
 A eleição presidencial do próximo domingo será a mais nítida de nossa História, aquela que mais inescapavelmente refletirá a fisionomia do país. Há alguns anos um dos patriarcas do país, Barbosa Lima Sobrinho, afirmou que no Brasil só havia dois partidos: o partido de Tiradentes e o partido de Silvério dos Reis. Pois jamais uma campanha eleitoral expôs esta verdade de forma tão cristalina – com uma grandeza que vai até além da consciência de alguns dos seus participantes.

CARLOS LOPES


Será possível um retrato mais acabado – em todos os sentidos - de um silvério do que a deprimente figura de Serra? Em nosso país, jamais um candidato a presidente mostrou tanta falta de escrúpulos, tanta falta de limites de qualquer espécie. Não houve um dentre os seus antecessores como candidato do partido dos silvérios que chegasse a tais extremos nesse submundo moral.

Nenhum desses antecessores apresentou-se como realizador de tanta coisa que não fez. Jamais um deles mentiu tanto ao falar de sua vida anterior – de espetaculares realizações que não existiram e de outras, reais, com as quais nada teve a ver. Nunca, qualquer deles, prometeu coisas tão colossais quanto alucinadas, sempre de acordo com o auditório da vez, ainda que uma fosse antagônica à outra, e que todas estivessem em contradição com tudo o que Serra praticou em recentíssimo passado. Foi como se achasse possível ganhar a eleição com promessas de suborno – e um suborno monstruoso, de tão impossível.

Naturalmente, cada um mede os outros pela medida que tem de si próprio. Mas também nem um dos seus predecessores ultrapassou tanto a porteira da infâmia, da substituição da luta política pela difamação, pela aleivosia, pelo insulto, pela calúnia. Nem mesmo o paraninfo de todos eles, Carlos Lacerda – até aqui um energúmeno muito difícil de ser mesmo imaginado pelas novas gerações.

O melancólico fim da campanha de Serra, que, com toda a sua mídia, reuniu alguns gatos pingados, boa parte pagos para comparecer, abandonado até pelos seus pares – por que a traição seria fiel à traição? - reflete o repúdio do povo brasileiro a todos os silvérios. Serra é pior do que seus antecessores porque é tudo o que restou deles – moral, ideológica e até fisicamente, pois nos é impossível acreditar que aquele facies amargo, de repelente inveja e ressentimento, não seja a fachada de uma alma.

O povo não teve condições de impedir as corruptas privatizações, os roubos à propriedade coletiva para entregá-la a monopólios sobretudo externos, as propinas milionárias, a destruição da cadeia produtiva nacional, a dragagem do Tesouro, a devastação dos serviços públicos, a terrível hemorragia que durante anos impuseram ao país, em suma, tudo aquilo de que Serra é o representante, e foi executor.

Não esqueceremos o sofrimento de milhões de crianças, mulheres, idosos, homens capazes subitamente desempregados, gente sem ter o que comer, sem ter onde morar, sem ter como viver. Os que perpetraram esses crimes ainda não pagaram por eles.
Mas o Brasil sempre existirá enquanto o povo brasileiro existir. O dia de hoje é apenas o dia que antecede o de amanhã. Stefan Zweig estava certo: nós somos o país do futuro. Mesmo nos piores momentos. Não foi assim com Tiradentes?

A eleição de Lula, em 2002, foi o início da nossa recuperação. Era necessário que o povo tomasse em suas próprias mãos o seu país – como disse Getúlio Vargas em 1930 – para outra vez tirá-lo do sombrio abismo onde os silvérios o haviam embrenhado.

A eleição de Dilma é o resultado desse período - inicial, mas por isso mesmo mais difícil - de recuperação do Brasil. Naturalmente, essa foi a obra do presidente Lula – inclusive a escolha da pessoa certa, a sua principal colaboradora, para candidata à sua sucessão.

A vitória de Dilma será, pela terceira vez nos últimos anos, a vitória do partido de Tiradentes, aquele alferes que doou a sua vida para afirmar que “se quisermos, faremos, juntos, deste país uma grande Nação”. Talvez não seja fortuita a coincidência da candidata que nasceu na terra de Joaquim José e fixou residência, após anos de luta e resistência nas câmaras de tortura, no Estado de Getúlio Vargas.

O fato é que o povo, muito corretamente, percebeu em Dilma, como antes percebera em Lula, a condensação das esperanças que nos movem desde o século XVIII – isto é, aquelas aspirações que fizeram e fazem de nós uma nação. Por isso, sua candidatura extrapolou, logo na partida, qualquer partido institucional, inclusive o PT - que em nada ficou diminuído, pelo contrário - para tornar-se a candidatura de toda a nação, isto é, precisamente, a nação de Tiradentes e Getúlio. Tentar reduzi-la a menos que o partido de Tiradentes seria, evidentemente, mera tacanhice que restringiria o seu terreno – e, assim, concederia esse terreno aos inimigos do país.

Devido a esse caráter amplo e profundo, nada – nem os recursos mais baixos do adversário, nem a cruzada mais despudorada da mídia reacionária e golpista - conseguiu deter o crescimento de Dilma.

Contra ela, esboroaram-se aquelas que são a principal e traiçoeira arma dos silvérios, as pesquisas eleitorais enganosas. Nas últimas, até o notório Ibope teve de convergir para os mesmos números que apontaram o Vox Populi e o Sensus: Dilma vence no primeiro turno, pelo menos com 55% dos votos válidos. O Datafolha, tão insensato quanto o seu dono, o perdulário Otavinho, estroina que dilapida a fortuna que o pai lhe deixou, ainda insiste no roubo – porém, mesmo essa repartição da “Folha de S. Paulo” começou a reajeitar seus números, devolvendo, no momento ainda pouca coisa, do que havia furtado nas preferências eleitorais de Dilma. A eleição se aproxima e o Otavinho quer fugir ao castigo
A ascensão esplendorosa (o leitor vai nos permitir este altissonante adjetivo) de Dilma e a debacle fragorosa de Serra são os sinais mais recentes e retumbantes do novo período da História do Brasil iniciado por Lula. O povo viu em Dilma uma sucessora à altura. E tem razão. Vamos à eleição, que há ainda muita coisa para se fazer no Brasil.

Extraido de:
http://www.horadopovo.com.br/












segunda-feira, 27 de setembro de 2010

INTERLÚDIO




Banco de imagens do Google:

(Poema para meu filho)



Inesperadamente,
o Titanic encontra à frente um icebergue.
Em descontrole,
já não irá manter-se à superfície.

Um belo, terrível dia,
a arma do bandido está no rosto,
o câncer em metástase no fígado:
és tu..

A sensação do astronauta -
a nave ingovernável no infinito:
és tu.
Irremediavelmente, um dia
- espada de Dâmocles, solta –
um bloco de velho edifício
cairá sobre a cabeça do transeunte.

És tu como seria qualquer outro
no espaço-tempo crucial.
O pedestre atropelado.
O alvo da bala perdida.
O nome na lista terrível
de passageiros do vôo fatal.

Mas, não te furtes ao dever que temos
de acreditar em nós mesmos,
de traçar nosso destino.
É tudo efêmero, tudo,
exceto a Vida. Que a Vida
expande-se a eflúvios de amor, eternos
da Grande Consciência
a que chamamos – Deus.

Como a criança que toma a avezinha ferida
e, após reanimá-la, lhe devolve o vôo,
alguém há de surgir
e é o que fará contigo.

Não há - diz minúscula estrela
no zênite a pulsar, furtiva,
a esteira intérmina do Nada
o abismo da noite infinda.

Como não há calabouços
de pedras intransponíveis,
aos raros homens despertos
que se sabem livres.

(Do livro de Sersank "Estado de Espírito")

(Direitos autorais registrados e protegidos por lei)

sábado, 18 de setembro de 2010

UM ALERTA AOS GOVERNANTES




Imagem:


(Poema de solidariedade ao MST - Movimento dos trabalhadores Rurais Sem Terra)


Ei-los, Senhores, dispersos,
Sob lajes e viadutos,
Quase mendigos, matutos,
Vivem a esmo, sem lar...
Consigo levam  crianças,
Mulheres e anciãos.
Vede, têm marcas nas mãos
Da sina de trabalhar!

Por sítios, os mais distantes,
Erram prestando serviços.
São modestos, submissos,
Provados nas aflições.
A suor e lágrima regam
nossos prados verdejantes.
Vede que têm nos semblantes
Sulcos de mil privações...

Parias - que sejam - não querem
De vis esmolas viver:
Sabem lutar e sofrer.
A vida os talhou assim.
Deles fez - homens valentes,
Firmes na fé. Deu-lhes brio
Para arrostar fome e frio
Dias e noites sem fim.

Vede: por certo divagam
Pensando o incerto amanhã:
O lar - sua Canaã -
A roça... alguns animais...
À vida simples do campo,
Por tesouros, desencavam
Os sonhos que acalentavam
Seus pais e os pais de seus pais...

Em grave êxodo urbano
Estão por todo o país.
Se a elite, avara, os maldiz,
Materna, a terra, os atrai.
Unidos nas suas dores
Só desejam, na verdade,
Viver com dignidade.
Não os temeis? - Pois, temai!

Temai, se deteis a posse
De terras improdutivas,
Porque hão de fazê-las, vivas,
Medrar ao poder da enxada!

Temai-los, porquanto esperam,
Já com fúria incendiária,
Por essa "reforma agrária"
Prometida e postergada.

Vede que ganham a estrada,
Se agrupam, se fortalecem.
Seus ímpetos recrudescem
Num movimento maior.
E é então que, sob um comando
Ousado em suas ações,
Preparam as invasões
E esperam pelo pior.

 Se, rechaçados, reagem,
Estrugem as carabinas
E o sangue dessas chacinas
Mancha a terra. Faz história.
Vede que levam crianças,
Mulheres e anciãos.
Todos têm marcas nas mãos -
As marcas da lide inglória...

Vede: não mais se dispersam 
Pensando o incerto amanhã:
Querem sua Canaã...
Força nenhuma os retrai!
Em grave êxodo urbano
Estão por todo o país.
Tirana, a elite os maldiz.
Materna, a terra os atrai!

(Do livro de Sersank, "Estado de Espírito")










quarta-feira, 8 de setembro de 2010

CONCLAVE




 
- Depois de outro dia findo
como página reescrita
que se exclui por trivial,
de que resulta, minguado,
o tosco pão, macerado
a lágrima etílica e sal,

repensemos: já são tantos
os que morreram sem voz...
Se os pobres, se os miseráveis
do mundo inteiro se unissem,
bradassem, alto, seus ais...
Não demoramos demais?

- Quimera! Pura tolice!
Se os pobres, parvos, se unissem!...
Mais nada, certo, fariam
que excitar a crueldade
dos maus patrões patriarcais
(que bem fácil mobilizam
contingentes policiais) ...

- Despertemos do sono dos justos,
injustiçados irmãos!
Os pobres derrubam reinos
se a fome lhes rouba o sono!

- E os reconstroem depressa,
porquanto precisam deles.
Não dominam a si mesmos,
vivem da submissão!

- ... Mas, em nome desse sonho
sob os nossos travesseiros...

-... Seta que aponta o sol posto
a loucos e aventureiros!...

- Compartilhemos a vida,
que nos escorre das mãos!
Façamo-la, então, mais bela!
Unamos nossos esforços
no escopo da educação!
Comecemos por nós mesmos,
a grande Revolução!

- ...


(Do livrro de Sersank, "Estado de Espírito")


Imagem:


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

NA HORA DO DESESPERO









Na hora do desespero
treme o facínora e, tíbio,
lambe o sangue da navalha
que traz o oponente à mão;
Calígulas assombrados -
em trajes comuns, soturnos,
sanguinolentos caudilhos,
ex-monarcas, ex-tiranos -
se ocultam na multidão.


Na hora do desespero,
aristocratas da guerra,
como porcos (e é o que são),
chafurdam na lama podre
que lançaram sobre o chão.


Fingem ser apenas homens.
Convencem, mesmo aos mais sábios
que apenas humanos são.
Na hora do desespero,
carrascos, pedem perdão.


Num átimo, recompostos,
de volta ao “dolce far niente”,
mefistofelicamente,
já não disfarçam nos lábios
o esgar da dominação.

... Crêem-se mais do que homens,
reconduzidos aos postos,
de guias da multidão.


(Do Livro de Sersank, "Estado de Espírito")

Imagem:
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiZdhS7CfhI4cBrk7R2SL2YjSMpE3bSoruziA4taTYM1-VUdmCis7XvB63aPOyWibdbDvwtzRuedcMOV0SVrqTo5-0RJRfiybBAz2vbaUIFIVstin8iF58FIeMY58A7kZhoi5Z7jqnit4A/s1600/CAL%C3%8DGULA+1.jpg

domingo, 29 de agosto de 2010

A NOVA ERA




Bem prometera Jesus, um dia,
Que enviaria o Consolador!
Com ele veio Kardec ao mundo.
E quão fecundo foi seu labor!
Estrelas caem da Imensidade,
A iniqüidade já não prospera!
Ausculta os ventos que estão passando:
Vem despontando uma nova era!

Tem outros planos a realidade,
Eis a verdade tão perseguida!
Na espessa bruma ressuma o norte:
Depois da morte prossegue a vida.

O Espiritismo, negado outrora,
É foco, agora, das atenções.
Já não suscita risos e apodos,
Adentra todos os corações.

Quebra os grilhões da tua descrença,
Amigo, pensa, labuta e espera!
Ausculta os ventos que estão passando:
Vem despontando essa nova era!


(Do Livro: Estado de Espírito, de Sersank)
 
 
 
Imagem:
http://estudoreligioso.wordpress.com/category/guias/page/3/

sábado, 28 de agosto de 2010

O CRIADOR DO ESPERANTO

Lázaro Luiz Zamenhof (1859-1917)





LÁZARO LUIZ ZAMENHOF nasceu em 15 de dezembro de 1859, na cidade de Bialystok, na Polônia, então anexada ao Império Russo. Era filho de Rosália e Marcos Zamenhof, criterioso professor de geografia e línguas modernas. Bialystok era uma pequena cidade que se constituía num palco de dolorosas lutas raciais, agravadas pela incompreensão lingüística entre os seus habitantes. A Polônia pertencia ao Império Moscovita, onde se falava cerca de duzentas (200) línguas diferentes. Só na pequena Bialystok falavam-se quatro (04) línguas oficiais: o Russo, o Alemão, o Polonês e o Ídiche. Eram quatro nacionalidades distintas que tinham objetivos antagônicos, com línguas diferentes e crenças hostis umas às outras. O menino Lázaro, com apenas 06 anos de idade, já se constrangia e se indagava ao assistir a discussões e contendas que terminavam em lágrimas, sangue e até mesmo em mortes violentas. Essa impressão terrível não mais se apagaria de sua mente. Desde menino era prudente, modesto, pensativo e estudioso e em sua mente de gênio já se apresentava a idéia de elaboração de uma única língua neutra internacional. Na escola mostrava talento e cultura invulgares para escrever e era admirado pelos professores e amigos. Possuía uma conduta tranqüila e maneiras gentis. Nunca se mostrava superior a quem quer que fosse, nem em casa nem na escola. Na 5ª série primária começou a estudar o inglês e ainda muito jovem estudou o francês e o alemão. Iniciando o curso ginasial, passou a estudar fervorosamente as línguas latina e grega, examinando a possibilidade de uma delas se constituir em língua internacional. Todavia, até a língua latina era difícil e cheia de antigas e inúteis formas. Mais simples, mais conveniente para o uso atual deveria ser uma língua sonhada. Ela deveria ser de aprendizagem rápida e acessível também ao povo e não apenas aos letrados. O fundamento da língua sonhada deveria ser a simplicidade e a lógica. Nesse ínterim, a família transferiu-se para Varsóvia. Quando cursava a última série ginasial, já havia concluído o seu projeto sobre a Língua Universal. No dia 05 de dezembro de 1878, ele e um grupo de 6 ou 7 colegas do ginásio festejaram, ao redor de um bolo preparado carinhosamente por sua mãe, o nascimento da Língua Internacional. Na verdade, o projeto naquele dia comemorado era apenas um forma embrionária do que mais tarde seria o ESPERANTO. Terminado o ginásio, foi mandado para Moscou, onde iria estudar Medicina. Antes, porém, o jovem ZAMENHOF teve de prometer ao pai que abandonaria a idéia da língua universal, pelo menos provisoriamente, até terminar o curso de Medicina, e teve de entregar-lhe, naquele dia, os cadernos que continham os originais. Seus pais não puderam mantê-lo em Moscou e fizeram-no regressar a Varsóvia. Contava então 22 anos de idade. Durante o seu afastamento, seu pai, "prudente e rigoroso", por amor ao seu filho, temendo por seu futuro, queimou todos os manuscritos sobre a Língua Internacional. Tão logo voltou à casa paterna, procurou por seus manuscritos e, não os encontrando, perguntou à mãe por eles. A resposta materna foram apenas lágrimas e silêncio. Lázaro Luiz adivinhou tudo. Procurou o pai e pediu-lhe para desfazer a promessa, pois queria dar continuidade ao seu grandioso trabalho. Tinha guardado na memória tudo o que continham os originais queimados. Fervorosamente refez tudo. Só depois de experimentos exaustivos e comprovações minuciosas com os estudos da gramática e vocabulário intensamente vividos e testados foi que considerou pronta a sua obra. Estava nessa época com 28 anos de idade. Mas restava um último detalhe: como publicá-la, sendo sua situação financeira bastante precária? De onde viriam os recursos? Um auxílio surgiu de onde ele menos esperava. Seu futuro sogro, homem afeito à cultura, financiou totalmente a publicação da obra, e, a 26 de julho de 1887 saía da oficina gráfica o seu primeiro livro. Era uma gramática com as instruções em russo e chamava-se "LINGVO INTERNACIA", de autoria de "DOKTORO ESPERANTO". Esse pseudônimo, que na nova língua significa "DOUTOR QUE TEM ESPERANÇA", com o decorrer do tempo, passou a ser usado por seus aprendizes, para denominar a própria língua: ESPERANTO. Pouco tempo depois eram lançadas as edições em polonês, francês, alemão , etc. Nesta ocasião Zamenhof teve que adotar outro pseudônimo, e optou pelo de "Unuel", o que revela a sua grande humildade. UNUEL é composto pelas palavras unu (um) e el (entre), pois Zamenhof considerava-se apenas um dentre os demais esperantistas, não aceitando que o chamassem de Mestre. Sem deixar a profissão, já médico formado, ZAMENHOF trabalhou ardorosamente na divulgação da Língua Internacional. Tamanha importância deu à propagação de seu ideal que, só depois de concluída e editada sua obra, veio a casar-se com CLARA SILBERNIK, com quem teve 06 filhos. As pessoas que aderiram à língua neutra ficaram encantados com a força unificadora do ESPERANTO, e renderam-se à autoridade irresistível do grande missionário ZAMENHOF, cujos talentos de pensador profundo, intelectual vigoroso, artista inspirado e condutor nato sustentaram a causa com tal genialidade que nenhuma força, interna ou externa, pôde jamais destruí-la. Toda a vida do DOUTOR ESPERANTO foi tecida de sacrifícios, abnegação e devotamento. Espírito verdadeiramente superior, era extremamente humanitário e solidário, cultivava a tolerância e era afável com todos, nunca perdendo uma oportunidade de ser caridoso. No exercício de sua profissão agia sob o impulso do desprendimento, não obstante haver permanecido sempre pobre. Dos camponeses jamais exigia honorários, chegando mesmo a dar-lhes dinheiro e a pedir a fazendeiros ricos auxílio para o socorro de sua clientela sem recurso. Certa ocasião, após atender a crianças gravemente feridas num incêndio, inteirou-se de que o fogo havia destruído a propriedade de seus pais, reduzindo-os a absoluta miséria. ZAMENHOF deu-lhes todo o dinheiro que possuía, sem se preocupar em reservar algum para o regresso ao lar em longa viagem. Recorre para esse fim a um rico cliente das redondezas, para que lhe empreste o necessário para o seu regresso. Um outro dia, no caminho que habitualmente percorre, encontra um carroceiro em prantos pela morte do seu cavalo, esgotado pelos esforços numa estrada coberta de lama. ZAMENHOF oferece-lhe 50 rublos para que o pobre homem tenha com o que comprar outro animal e assim assegurar o seu sustento. De certa feita, após assistir uma agonizante idosa, juntamente com 4 outros colegas, recusa-se a receber da família polpudos honorários, considerando que a doença culminou com a morte da paciente. ZAMENHOF sempre se dedicou a seus clientes pobres, proporcionando-lhes até o fim de sua carreira dois dias da semana para consultas gratuitas, pedindo ao seu filho ADAM, igualmente médico, que continuasse essa prática. Nos mínimos gestos e atitudes revelava-se a nobreza de seu caráter. Em Boulogne-sur-mer, França, por ocasião do 1º Congresso Universal de Esperanto, comparece, embora judeu, a uma missa do culto romano. A uma fervorosa Esperantista que lhe pede um autógrafo no recinto da Igreja ZAMENHOF sussurra: "Com muito prazer, minha senhora, mas eu lhe peço que seja em outro lugar - aqui é um lugar sagrado". Os pequeninos, os sofredores e particularmente aqueles que atravessaram a prova da cegueira, dedicavam entranhada veneração pelo bondoso oftalmologista de Varsóvia, ramo da Medicina em que se especializou, e quando ZAMENHOF visita Cambridge, para os festejos do 3º Congresso Universal de ESPERANTO, encontra-se com muitos cegos esperantistas provenientes de outros países, todos alojados numa mansão às expensas de outro grande pioneiro esperantista, THEÓFILE CART. Zamenhof cumprimentou cada um à parte, encorajou-os ao otimismo e de todos recebeu ardorosos agradecimentos pelo idioma que lhes proporcionava uma pequena claridade em seu mundo sem luz. Mas os cegos lhe pediram outro privilégio: queriam tocá-lo com as mãos, conhecer melhor aquele que nunca poderiam ver. E suas mãos que, de forma tão extraordinária, traduzem pensamentos e emoções, tocavam respeitosamente o corpo pequeno e frágil, a barba, os óculos de lentes ovais, a larga calva do genial missionário polonês. Naquele momento, Zamenhof, profundamente emocionado, pensava nas crianças judias cujos olhos foram vazados durante um "progrom" na sua cidade natal de Bialystok. Traído por um companheiro de ideal esperantista, em quem depositava absoluta confiança, ZAMENHOF deu profundo exemplo de tolerância e amor cristão, chegando a ser criticado por outros adeptos por ter feito longa viagem ao encontro do seu ex-amigo, o traidor, só para perdoá-lo. Um dos grandes ideais de Zamenhof era dar aos religiosos de todas as correntes um fundamento neutro concreto para que se aproximassem em nome do Bem da Humanidade. Seu desejo era que todos os livros sagrados de todas as religiões fossem vertidos para o ESPERANTO. Ele próprio traduziu o Velho Testamento. Dizia que: "Se todos os fundadores de religiões pudessem encontrar-se pessoalmente, eles se apertariam as mãos reciprocamente, como amigos, porque todos tiveram um único objetivo: fazer com que os homens se tornassem bons e felizes". O ideal Esperantista fê-lo pairar acima de sua própria identidade nacional e racial. Quando o convidaram para a festa de fundação da sociedade judaica internacional em Paris, respondeu:"Estou profundamente convencido de que todo nacionalismo representa tão- somente um grande prejuízo para a Humanidade, sendo de opinião de que o objetivo principal de todas as criaturas deveria ser a criação de uma Humanidade harmônica. É certo que o nacionalismo dos oprimidos - como reação natural de autodefesa - é muito mais desculpável do que o nacionalismo dos opressores. Mas,se o nacionalismo dos fortes é vil, o nacionalismo dos fracos é imprudentes, ambos se engendram e se sustentam reciprocamente, dando lugar a um círculo vicioso de infelicidades, do qual a Humanidade jamais sairá se cada um de nós, fazendo o sacrifício de seu amor-próprio grupal, não tentar o encontro num terreno absolutamente neutro. Eis porque, apesar dos pungentes sofrimentos de minha raça, não quero aderir a um nacionalismo judeu, preferindo trabalhar apenas para uma absoluta justiça entre os homens. Estou profundamente convencido de que assim proporciono a meus irmãos maior soma de bem do que se aderisse a um movimento nacionalista". Mas, a mais expressiva homenagem, por nascer do coração de uma alma simples, foi a que lhe fez a velha criada da família Zamenhof. Ela era católica romana, mas durante toda a sua vida guardou em seu quarto, sob um crucifixo, uma fotografia de ZAMENHOF. Aos visitantes ela costumava mostrar esse retrato, dizendo: "Ele nunca pecou!" O nobre espírito de LÁZARO LUIZ ZAMENHOF legou à família humana o instrumento ideal para a comunicação entre seus membros, engolfados numa consternadora multiplicidade de línguas e dialetos a entravar-lhes a marcha do progresso. Em outubro de 1889 apareceu a primeira lista de endereços, com 1000 nomes de pessoas de diversos países, simpatizantes do ESPERANTO. Foram fundados clubes, mensários e revistas dando força a um movimento internacional que veio crescendo, pouco a pouco, sem interrupção. Em 1905, já acontecia na França, na cidade de Bolonha do Mar, o 1º Congresso Mundial de ESPERANTO, onde se reuniram centenas de pessoas de vários países, comunicando-se em uma única língua. Em 1910, foi realizado o VI CONGRESSO UNIVERSAL DE ESPERANTO, em Washington, Estados Unidos da América e o BRASIL nele se fez representar pelo Prof. JOÃO BATISTA DE MELO SOUZA, com apenas 21 anos de idade, que fez ver ao Dr. Zamenhof que não existia em sua gramática a palavra saudade. Zamenhof achou muito interessante a idéia e tratou de incluí-la na língua internacional, que a incorporou com os vocábulos sopiro, sopirado, resopiro e sãudado (poético). Em 1914 seria realizado o 10º Congresso, em Paris, mas tal não aconteceu devido à deflagração da Primeira Guerra Mundial. Já estavam inscritas 3.700 pessoas para esse Congresso, frustrado pela incompreensão dos homens. Em 14 de abril de 1917, sempre desejando a Paz, faleceu ZAMENHOF, na cidade de Varsóvia. Afastava-se esse grande homem, definitivamente, do convívio de seus familiares para retornar às suas atividades em favor da Humanidade, agora sem o fardo físico, que lhe serviu durante 57 anos. O seu corpo repousa no cemitério israelita de Varsóvia, juntamente com o de CLARA, o amor de toda a sua vida e sua incansável colaboradora. Hoje lá podemos encontrar flores ofertadas por esperantistas de todo o mundo. ZAMENHOF foi um homem iluminado, de moral superior, dotado de extraordinária força de vontade na divulgação de seu ideal humanístico. Foi um verdadeiro universalista, pacifista e pensador que lutou contra toda espécie de sectarismo. Todos os anos, no dia 15 de dezembro, realizam-se eventos esperantistas no mundo inteiro, para comemorar o aniversário do criador da LÍNGUA ESPERANTO.

Enviada por: Eduardo G. Viana

Fonte: www.espiritismogi.com.brhttp://www.e-biografias.net/biografias/lazaro_zamenhof.php

domingo, 22 de agosto de 2010

Internet ajuda a popularizar o Esperanto, a "língua internacional"


 http://esperantomaceio.blogspot.com/2010/04/liubliana-capital-da-eslovenia.html

Por Felipe Augusto 16/08/2010
Agência EFE
Via Terra


Que as pessoas de todo o mundo possam se entender graças a uma língua comum é uma utopia perseguida, por filantropia ou puro pragmatismo, há milênios. A narração bíblica da Torre de Babel teve sua enésima versão quando, no final do século XIX, um médico polonês difundiu uma língua adaptada para se tornar um idioma auxiliar internacional.


Ludwik Lejzer Zamenhof, oftalmologista e linguista polonês de origem judaica, assinou seu primeiro livro, A língua internacioal - publicado em 1887 - como Doktoro Esperanto (Doutor Esperanto), um pseudônimo que daria nome à nova linguagem artificial, em cuja criação ele havia trabalhado por mais de uma década.


Seu objetivo era que ela servisse como um idioma auxiliar internacional, uma segunda língua de fácil aprendizagem que permitisse a pessoas de qualquer parte do mundo se entenderem. Um papel utópico que, bem ou mal, tem sido desempenhado pelo inglês - ainda que a língua inglesa não tenha o caráter neutro com que sonhou Zamenhof.


Atualmente, aquela que muitos consideram uma língua morta é falada por um número de pessoas que, segundo fontes, oscila entre cem mil e dois milhões em todo o mundo, da China à América Latina. É uma estimativa ampla, que "se deve a não haver um censo que investigue o número de falantes do esperanto e ao fato de se poder incluir nesse número desde quem só sabe dizer 'bom dia' até quem a utiliza diariamente", explica o presidente da Federação Espanhola de Esperanto, Pedro Hernández.


"Na Espanha, as últimas estatísticas que tenho dizem que há cerca de 15 mil falantes de esperanto no país, ainda que não se tenha como saber com certeza, é mais ou menos como perguntar quantas pessoas tocam violão", explica.


Com o fim de debater sobre os métodos de aprendizagem e promoção desta língua, no mês passado foi realizado em Cuba o 95º Congresso Universal de Esperanto. Mais de mil pessoas de 60 apíses participaram de um encontro cuja primeiro edição se realizou em 1905 e que este ano tratou de demonstrar que "é uma língua sem fronteiras nas áreas da paz e da comunicação dos povos", segundo declarou neste encontro o presidente da Liga Internacional de Professores de Esperanto, Stefan MacGill.


O impulso da internet


Entre os métodos de promoção se sobressai a divulgação virtual. Na atual sociedade global, a internet vem dando um empurrão no esperanto, que ganha força como uma possibilidade de facilitar a comunicação com o mundo, embora nem os mais otimistas considerem que ela possa se posicionar como uma alternativa ao inglês.


"A internet proporcionou um 'boom' para o nosso idioma. Antigamente, nos anos 20, os esperantistas mantinham correspondência, mas as cartas levavam meses. Hoje temos meios como o correio eletrônico, os chats, Skype e redes sociais como Facebook, que fizeram com que muitas pessoas se interessassem pelo esperanto para se comunicar na rede", explicou Hernández.


O esperanto também chegou à Wikipedia, a famosa enciclopédia virtual livre, que dispõe de uma versão neste idioma que já inclui mais de 132 mil artigos.


O principal portal de aprendizagem virtual é o Lernu (lernu.net), um site gratuito criado em 2004 e que conta com mais de 89,3 mil usuários registrados, divididos por níveis - nulo, básico, médio e alto. Mas a internet é apenas uma das vias para aprender esperanto. As principais são os cursos presenciais ou por correio em associações, organizados pela Liga Internacional de Professores de Esperanto, e outra alternativa é aprender de forma autodidata.


"Com outros idiomas isso não seria possível, mas com o esperanto pode ser feito por causa de suas regras simples", explica Antonio del Barrio, diretor da Fundação Esperanto, fundada em 1969 por Miguel Sancho Izquierdo e que trabalha de forma paralela à Federação Espanhola, encarregando-se das questões administrativas, pesquisas históricas e trabalhos editoriais.


Essa estrutura simples a que se refere Del Barrio buscava permitir uma aprendizagem rápida por parte de pessoas com qualquer língua materna. Assim, o esperanto tem 16 regras gramaticais sem exceções, um alfabeto fônico que facilita a pronúncia, uma estrutura regular para suas terminações e uma base léxica formada por raízes do latim e de línguas indoeuropeias e germânicas.


Às possibilidades comunicativas que o esperanto oferece se soma uma vantagem que vem ganhando relevância nos últimos anos, o "pasporta servo" (serviço passaporte), uma rede mundial na qual as pessoas inscritas oferecem alojamento gratuito, com o único requisito de que o hóspede seja um falante de esperanto.


O serviço, que funciona desde 1974, pemite aos esperantistas viajar por todo o mundo de uma forma econômica e assim aproximar-se dos objetivos originais desta língua. "Há valores que incentivam a aprender esperanto, como o interesse por se comunicar com gente de outros países e conhecer outras culturas e isso reúne uma série de princípios éticos como o respeito aos demais", diz Pedro Hernández.


"Só uma língua ou também ideologia?"


Esses valores estão assentados vagamente na doutrina filosófica que impulsionou Zamenhof, o homaranismo, um ideário pacifista que "pretendia basear as relações humanas em valores humanistas", explica Hernández.


Mas os esperantistas esclarecem que não existe uma ideologia por trás da língua. "Há associações de esperantistas religiosas e ateias, de direita e de esquerda, de amigos dos gatos, homossexuais, ecologistas ou fãs de rádio. Afinal, a língua é um meio de comunicação e cada um a usa para as finalidades que bem entender", afirma o presidente da Federação Espanhola de Esperanto.


Esta separação não esteve tão definida nas primeiras décadas do século XX, quando o esperanto se associava a movimentos anarquistas e operários. Isso fez com que a Espanha fosse um dos centros do esperantismo durante o período da República (1931 - 1936) mas sofresse pressões durante a ditadura de Franco, sobretudo nos primeiros anos, e seus falantes eram vistos com receio.


"Durante o franquismo, houve pessoas que deixaram de falar o esperanto para não se meter em problemas, mas a situação na Espanha não foi muito radical, de fato, nos anos 60 havia simpatizantes do regime que o falavam. Na Alemanha de Hitler, por exemplo, o esperanto foi diretamente proibido e sob o regime de Stálin, na Rússia, se chegou inclusive a matar os esperantistas", cota Antonio del Barrio.


Hoje, já sem pressões governamentais nem vinculações políticas ou ideológicas, o esperanto sobrevive entre os que o veem como a utopia com tinas humanistas do doutor Zamenhof e os que defendem, com dados na mão, que é uma língua viva com usos reais e que tem excelente saúde graças às possibilidades que agora lhe traz o mundo virtual.

Email:: flipeicl@gmail.com
URL:: http://flipe.multiply.com/

AO LEVE ROÇAR DA BRISA






http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Eduardo_de_Martino_-_Veleiro_em_alto_mar.jpg 



Numa visita ao jazigo
de velho poeta amigo,    
à sombra de ermo cipreste,
surpreendi-me: a lousa fria,
como página vazia,
guardava o sereno epitáfio do mestre.

Lembrando-lhe o rosto
risonho e tranqüilo,
uns versos, dispersos,
à volta, entrevi.
À brisa não culpem,
 se, pobres de estilo,
 grafei-os aqui:

- “É apenas a estória do tédio de uma vida -
essa que, incauto poeta,  escrevi.
Vinha de intérmina infância.
Brincando de viver, ganhei distância
e, saturado da vida,
como tantos, a perdi.
                                             
Nisto consiste o viver:
compor como personagem
da estranha, intrincada estória
humana, um malogro a mais.
Ícaros, alçamos sob as asas
que se desfazem em penas
sonhos de vôos triunfais.

Os homens são argonautas.
Nos nevoeiros do tempo
têm seus destinos e avançam,
avançam. Urge avançar.
Mas, sabem: os seus veleiros
soçobram no grande mar.”

 (Do Livro de Sersank, "Estado de Espírito") 








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COMENTÁRIO DE ISABEL FURINI, laureada poeta e escritora sobre a obra poética "Estado de Espírito"

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ESPERANTO: La solvo (A solução)

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EL VIAJE DEFINITIVO - Poema de Juan Ramon Jimenez

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