sábado, 2 de abril de 2016

LEOPOLDO MACHADO, Uma vida a serviço do Espiritismo


LEMBRANDO LEOPOLDO MACHADO


Por Celso Martins (*)


No mês de setembro deste ano de 2016 a família espírita comemora o 125º aniversário de nascimento do saudoso Professor Leopoldo Machado Barbosa de Souza, um dos mais incansáveis batalhadores da causa espírita em nosso país.
Leopoldo nasceu em 30 de setembro de 1891 em Cepa Forte, interior da Bahia e desencarnou em Nova Iguaçu (RJ) na noite do dia 22 de agosto de 1957. Percorreu o Brasil, com diversos confrades, pregando a Doutrina Espírita e defendendo-a dos ataques dos opositores. Esse movimento de alta significação espiritual, denominado “Caravana da Fraternidade”, decorreu do “Pacto Áureo” da F.E.B. e teve como objetivo aproximar todos os espíritas do País.
 Escreveu em diversos jornais e revistas. Sempre incentivou os jovens. Foi um dos principais organizadores do I Congresso de Mocidades e Juventudes Espíritas do Brasil, reunido no Rio de Janeiro, então Capital Federal, em 1948. Embora tenha frequentado por pouco tempo a escola primária, escreveu vários livros, como por exemplo, obras de poesias (“Saudades” - 2 séries; “Idéias” e “Iluminação”), obras de teatro (“Teatro Espiritualista” – 2 séries, e “Teatro da Mocidade), obras de contos (“Para o Alto”, “Prosa de Calibam”, “Para a frente e para o Alto”), obras de polêmica ( “Julga leitor por ti mesmo”, “Sensacional Polêmica” e “Pigmeus contra Gigantes”), obras de relatos de viagens (“Caravana da Fraternidade” e “Ide e Pregai”), estudos doutrinários, como por exemplo “Natal dos Cristãos Novos”, “Nada lhe é no Momento Maior”, “Cruzada de Espiritismo de Vivos”, “Observações e Sugestões”. Teve também editado em Lisboa, Portugal, o livro “Espiritismo e Cientismo”. Defendeu teses, dentre elas, “Brasil, berço da Humanidade” e “Espiritismo: Obra de Educação”. Legou-nos livros de biografias como “Graças sobre Graças”, acerca de sua esposa, “Uma Grande Vida”, sobre Cairbar Schutel, aliás outro incansável batalhador, residente em Matão (SP) onde, dentre outros feitos, fundou e dirigiu “O Clarim” e a “Revista Internacional de Espiritismo”, ambos em circulação até hoje.
Leopoldo Machado legou-nos ainda o livro “Caxias – Eminente Iguaçuano”, tendo sido esta a sua última obra. Com ela foi admitido e tomou posse na Cadeira nº 1 da Arcádia Iguaçuana de Letras na noite de 15 de novembro de 1956.
Em 1930, com apoio da esposa Marília Barbosa, instalou em Nova Iguaçu o Colégio Leopoldo, nome dado em homenagem ao príncipe belga, futuro Rei Leopoldo III, que visitava o país. Foi o 1º Estabelecimento de Ensino Secundário particular reconhecido pelo MEC – Ministério da Educação e Cultura. Em 1942, Leopoldo Machado criou o “Lar de Jesus” destinado ao amparo de meninas carentes.
Destacou-se ainda como presidente do Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade”, o centro mais antigo da cidade, fundado em 18 de julho de 1920, ao lado do qual instalou o Albergue Noturno Allan Kardec e a Escola de Alfabetização João Batista. Aí tive o prazer de conhecê-lo, adolescente, em 1954.
De parceria com Oli de Castro, escreveu a letra do Hino “Canção da Alegria Cristã”, muito conhecida no meio espírita do Brasil.
Leopoldo Machado, com Alziro Zarur, figura entre os fundadores da LBV – Legião da Boa Vontade, surgida em 1º de janeiro de 1950.
No ano em que renasceu Leopoldo Machado também vieram ao mundo corpóreo outros vultos espíritas do Brasil, como Artur Lins de Vasconcelos Lopes e Ismael Gomes Braga.
Lins de Vasconcelos criou, com Henrique de Andrade, em 1932, o Jornal “Mundo Espírita”. Desencarnou em São Paulo, em 1952 e foi sepultado em Curitiba, cidade que muito amou.
Ismael Gomes Braga foi um dos mais destacados esperantistas do Brasil. Autodidata, era professor de línguas antigas e modernas. Também atuou como jornalista, tendo colaborado na Imprensa leiga e em quase todos os jornais espíritas da época, tanto no Brasil, como em outros países, dando inclusive diversas entrevistas. Desencarnou em 18 de janeiro de 1969 na cidade do Rio de Janeiro.

(*) Celso Martins é professor aposentado, poeta, escritor e palestrante espírita. É autor de dezenas de obras doutrinárias e algumas didáticas, além de membro emérito da Liga Brasileira de Esperanto.




Professor LEOPOLDO MACHADO

O Professor Leopoldo Machado nasceu em 30 de setembro de 1891, no Arraial de Cepa Forte, hoje Jandaíra, ao norte do Estado da Bahia, quase nos limites com Sergipe. Era o mais novo de seis filhos do casal Eulálio de Souza Barbosa e Ana Isabel Machado Barbosa: João Leopoldo José, Emílio, Reginaldo e, Leopoldina. Só foram conhecidas as datas de nascimento de todos com o retorno do pai, do Amazonas, para onde houvera fugido por motivos políticos, quando Leopoldo ainda contava uns cinco anos de idade. Sua mãe era alva, quase ruiva, enquanto o pai era caboclo amulatado, meia estatura, forte e áspero no trato, mas, segundo o próprio filho, com um ótimo coração.

Com um ano de idade aproximadamente, após comer um prato de farinha com ovo quente, uma tia, de prenome Odília, meteu o pequeno Leopoldo em um banho frio, o que o fez estuporar. Durante dois anos oscilou entre a vida e a morte e, por fim, foi desenganado pelo médico. Era caso para poucos dias; até encomendaram o caixão. Um curandeiro chamado Ernesto, sabendo da situação precária da criança, propôs a seu pai: - Se o menino vai morrer, não custa nada ao senhor dar-lhe um remédio meu. Quer experimentar? Se ele morrer, não há de ser por meu remédio... Este continha uma mistura de purga do campo e jalava. O remédio foi ministrado e recuperou-se Leopoldo. O médico, vendo-o curado, comentou:- Para o pai e a mãe dele, seria preferível que ele tivesse morrido. Será o idiota da família, de uma estupidez sem nome. Não passará do a. b. c.. Evitem, quando puderem, aborrecê-lo para evitar crises terríveis. Os conselhos do médico só serviram para que ele levasse uma infância livre das punições, fazendo tudo o que bem entendia. Leopoldo, anos depois, comentava: - Ser espírita é ser louco... - Por mais que a gente goste de uma pessoa, morreu acabou, que não me apareça de forma nenhuma. Deus me livre do espírito de quem morreu... 

Em Salvador mais uma vez, de volta do Interior, ficou toda a família na Ladeira da Montanha. Num edifício que dava os fundos para a residência de Leopoldo, realizavam-se, regularmente, sessões espíritas, a portas e janelas fechadas. Uma noite, um Espírito fez mover-se um piano, volitar no ambiente, abrirem-se as janelas, sair do último andar e pousar bem tranquilo lá embaixo, na rua. Depois, tiveram de subir com o pesado instrumento, auxiliado por guindastes e com o concurso de muitos crioulos peritos em transportes de pianos. Leopoldo Machado foi, na adolescência, muito católico, a ponto de desejar ser padre, depois de ter sido sacristão. Foi o único membro da família que estudou o catecismo católico espontaneamente. Os irmãos troçavam de seus pendores religiosos só para o verem irritado e agressivo. Fez a primeira comunhão a 8 de dezembro de 1904. Tornando-se íntimo das sacristias, veio a se decepcionar com os sacramentos pagos, as confissões, as pendências e o misticismo da Igreja Católica. Ao conhecer a história da Inquisição, já bastante desiludido, abandonou o Catolicismo. 

Em seguida, passou a ler a Bíblia por influência de Uriel, um vizinho que lhe ensinou o ofício de sapateiro. Mas não passou do Velho Testamento. Ao encontrar um “Deus” rancoroso e vingativo, perdeu a fé. Além disso, a posição inflexível do Protestantismo lhe deixou ainda mais descrente. Permaneceu ateu por vários anos. Conheceu outros cultos e doutrinas que muito o impressionaram, como o Positivismo e o Budismo. Leopoldo Machado, com a sua família, passou a residir na Rua dos Artistas, vizinho a uma família de operários – os Cerqueira Campos. Uma das moças – a Doriana – passou a ver espíritos e a dizer bobagens. Os parentes não entenderam o fenômeno e a enviaram para o Asilo São João de Deus. A Rua dos Artistas fica em Plataforma, bairro proletário do subúrbio de Salvador, construído pela Companhia Progresso Industrial da Bahia, defronte da península itapagipana. Quando de retorno a Salvador, em visitas nos anos de 1940 e 1950, Leopoldo Machado fez questão de mostrar, aos companheiros de outros Estados o local de sua infância: Zona de praia, luz de candeeiro, água só de bica e apanhada na lata. Foi no Hotel Central, de quarta ou quinta categoria, na Rua do Julião em Salvador, depois zona de meretrício, que Leopoldo tomou gosto pelas leituras. Foi sua escola superior, segundo o próprio Leopoldo. Lá conheceu o garçom Joaquim de Souza Duarte que o ensinou a declamar e apreciar a Literatura. Da mesma forma o influenciou para o Espiritismo, pois que foram muitos os casos espíritas ouvidos nesse hotel. De tal maneira Leopoldo se interessou pelo assunto que, certa feita, num sebo da Rua do Colégio, comprou três livros espíritas: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e O Céu e o Inferno, edições do cinquentenário da Federação Espírita Brasileira. Comprou-os e guardou-os para leitura em oportunidade futura. Um dia hospedou-se no Hotel Central, um amazonense católico que, não tendo como pagar a conta, foi socorrido por Leopoldo Machado que se responsabilizou pelo débito. Grato pela gentileza, o amazonense retribuiu-o com um exemplar de O Evangelho Segundo o Espiritismo. De volta a Salvador, retornando de sua primeira viagem ao Rio de Janeiro, conheceu um homem chamado Viriato que se tornaria seu amigo. Viriato era médium, mas nada sabia de Espiritismo, todavia conhecia espíritas como José Petitinga de quem ele falava com admiração e quem Leopoldo Machado desejou, ansiosamente, conhecer. Uma tarde, José Petitinga apareceu no 4º Armazém das docas de Salvador à procura de Viriato e, da mesma forma, desejoso de conhecer Leopoldo, convidando-o, enfim, para ir à sua casa. Leopoldo Machado dedicava-se à declamação, ao canto e à dança. Frequentava, por isso, os saraus promovidos por várias famílias respeitáveis de Salvador àquela época, e uma delas passou a ser a de José Petitinga, então presidente da União Espírita da Bahia. Foi nesse período que conheceu outro ilustre espírita: Manuel Quintão. Durante o dia, Leopoldo Machado permanecia nas docas, em trabalho que ele considerava humilhante; à noite, transformava-se em outro homem: secretário do Grêmio Literário da Bahia, colaborando em revistas e recebendo críticas elogiosas de acadêmicos de Salvador, figurões da literatura. Leopoldo se escondia quando algum deles aparecia nas docas. Jeuville Olivier foi pseudônimo adotado por Leopoldo Machado. Com ele, publicou produções em periódicos baianos e de fora, como O Malho, do Rio de Janeiro. Affonso Ruy teceu críticas elogiosas aos versos de Leopoldo Machado. 

Certa noite, José Petitinga convidou-o para uma reunião mediúnica em sua casa e emprestou-lhe, na ocasião, um livro de Poesias de Amaral Ornelas que era amigo e colega de repartição de um baiano radicado no rio de Janeiro: Carlos Imbassay. Este lhe escreveu uma carta que lhe apresentava seu romance “Leviana”, solicitando-lhe a opinião. Leopoldo Machado escreveu sobre a obra no Diário da Bahia, uma apreciação que não agradou ao autor, a respeito de uma determinada censura que havia no livro sobre uma reunião espírita. Leopoldo Machado, espírita recente e entusiasmado, não concordou com o conterrâneo. Trocaram cartas e, em uma delas, Carlos Imbassay dizia que não era espírita e Deus o livrasse do Espiritismo. Leopoldo Machado não teve argumentos para revidar. Ainda não possuía o devido conhecimento para debater com um adversário de tal envergadura. Mal adivinhavam, à época, que Carlos Imbassay se tornaria espírita e, não somente isso, o mais brilhante escritor e polemista espírita do Brasil. Leopoldo Machado e José Petitinga se tornaram, a cada dia, mais amigos. E é Leopoldo que narra: A convivência com Petitinga foi providencial. Uma noite me encontrei com Manoel Quintão em casa de Petitinga e pretendíamos fazer uma hora de conversa proveitosa, porém, só o Quintão falou. Contou de memória todo o enredo do romance Na Sombra e na Luz, psicografado por Zilda Gama, atribuído a Victor Hugo. Leopoldo ontava a Carlos Chiacchio, dias depois, na Praça Castro Alves, o ocorrido, quando Quintão passou por nós, a caminho da casa de Petitinga. Intrigado com a pessoa, Chiacchio perguntou: - Quem era aquele senhor tão alto e formalizado? – É o Manoel Quintão, a figura central do episódio que lhe estou contando. Chiacchio sorriu-se cético e meio zombeteiro. Foi com ele a minha primeira conversa de defesa ao Espiritismo, a primeira manifestação de que encontrara, realmente, a doutrina que procurava. Isso ocorreu no ano de 1915. Algum tempo depois, Leopoldo Machado ocuparia o cargo de secretário da União Espírita da Bahia. 

Os anos vinte chegaram. O Rio de Janeiro não era mais a Corte do Império, apenas a Capital do País, mas continuava atraindo os baianos em geral, até mesmo os espíritas. Como outros companheiros, Leopoldo Machado se deslocou, definitivamente, para lá aonde viria a casar-se com aquela que seria sua companheira de todas as horas: - Marília de Almeida Barbosa. Esta, após os estudos normais, diplomou-se em professora na Cidade do Salvador, no Educandário N. S. dos Perdões. Sua família e a Leopoldo conheceram-se na ilha de Madre de Deus, na Baia de Todos os Santos, em 1921. Curioso é que, entre ela e aquele que seria seu futuro esposo, surgiu, inicialmente, uma forte antipatia. Posteriormente, as famílias se separaram, indo á dela para o Rio Grande do Norte e a dele para o Rio de Janeiro e, nesse mesmo ano, Leopoldo Machado foi dirigir um colégio em Paraíba do Sul, justamente onde Marília iria lecionar. Aí, a antipatia foi vencida finalmente e se uniram em matrimônio no dia 31 de dezembro de 1927. Em fins de 1929, se mudaram para a cidade de Nova Iguaçu. Marília aceitou o Espiritismo e desenvolveu suas faculdades mediúnicas, convencida pelo marido, naturalmente. Não tiveram filhos. Seu primeiro e único herdeiro foi um natimorto; chamar-se-ia Leopoldo, se fosse homem, e receberia o nome Marília, se fosse mulher. 

Em 1930, Leopoldo Machado consagrou-se como legítimo educador, ao inaugurar, a 21 de abril desse ano, o Colégio Leopoldo, tradicional estabelecimento de ensino, com a colaboração de Marília, de Leopoldina Barbosa, sua irmã, e do Almirante Paim Pamplona, então presidente da Federação Espírita Brasileira. Desenvolvendo um importante trabalho na seara espírita, fundaram a Assistência aos Necessitados do centro Espírita Fé, Esperança e Caridade; estabeleceram a visita periódica aos presos da cadeia e aos doentes do hospital local; fundaram o Albergue Noturno Allan Kardec. Jornalista, professor, escritor, poeta, pregador, polemista e dramaturgo, Leopoldo Machado defendeu a Doutrina Espírita por todos os meios e formas. Apologista do Espiritismo de Vivos, sem fugir à pureza doutrinária. Leopoldo Machado incentivou a criação das Mocidades Espíritas e das escolas Espíritas de Evangelização para Infância, impulsionando, também, as semanas Espíritas, as Tardes Fraternas, os Simpósios, as Mesas Redondas e os Congressos. Ele divide o mérito da idealização das Mocidades Espíritas com um jovem baiano: Heitor Cardoso, um moço de Salvador, inteligente e dinâmico, que lhe escreveu expondo um plano interessante de aproximar os moços do movimento espírita. De aproximá-los suavemente, alegremente. Como, entretanto, não tinha projeção no meio espírita do Brasil, voltava-se para nós, que bem poderíamos prestar este serviço à Doutrina. Um artigo – Aonde vai, mocidade louca do Brasil? – coincidiu com a carta do moço de Salvador. Em qualquer evento de importância para o Movimento Espírita Brasileiro, Leopoldo Machado estava presente, atuando ativamente. 

Em 1939, Deolindo Amorim torna a iniciativa de realizar o I Congresso Brasileiro de Jornalistas Espíritas, em que contou com o apoio integral de Leopoldo Machado. A partir daí, outros congressos e eventos espíritas se realizaram nos anos seguintes. No Natal de 1940, Leopoldo Machado, Oli de Castro e outros companheiros fundaram o Lar de Jesus em Nova Iguaçu, inaugurado, definitivamente, no Natal de 1942, abrigando 25 crianças, vindo a se tornar uma instituição atuante na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, realizou-se a Caravana da Fraternidade, tendo a frente Leopoldo Machado, Lins de Vasconcelos e outros confrades, que percorreu os estados no nordeste e norte, conclamando todos para a participação, no I Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil (17 a 23 de julho de 1948), que teve à frente: o próprio Leopoldo Machado, Lins de Vasconcelos, Oli de Castro, João Batista Chagas, J.C. Moreira Guimarães, Geraldo de Aquino, Ruth Sant’ Anna e outros idealistas. No mesmo ano, Leopoldo Machado participou, com destaque, no Congresso Brasileiro de Unificação, realizado no Rio de Janeiro, e, também, no Pacto Áureo. Polemista, Leopoldo Machado nunca se acomodava quando inimigos do Espiritismo armavam investidas contra a sua pessoa e á doutrina que abraçava. Usava os recursos da inteligência para defendê-la com a força do argumento, através da tribuna e da imprensa. Manteve polêmicas com sacerdotes que tentaram ridicularizar o Espiritismo, os quais se viram em palpos de aranha por falta de argumentos que pudessem abatê-lo. 

O trabalho que Leopoldo Machado desenvolveu na seara espírita foi imenso e poucos se igualaram a ele. Escreveu para muitos periódicos e órgãos espíritas, entre os quais, O Clarim e a revista Internacional do Espiritismo. Levou o Espiritismo ao rádio, com a Hora Espírita Radiofônica, na antiga Rádio Transmissora PRE-3, hoje Rádio Globo, trazendo ao microfone o presidente da Federação Espírita Brasileira, na época, Guillon Ribeiro. Mesmo fraco e abatido pela doença, costumava escrever e participar do Movimento Espírita Brasileiro. Convidado para cinco Academias de Letras, só aceitou tomar na Cadeira nº 1 da Arcádia Iguaçuana de Letras, com tese sobre seu patrono, Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. Da sua lavra constam, entre espíritas e profanas, as seguintes obras: Meus Últimos Versos, Saudades, Ideias e iluminação (poesias); Doutrina Inglória, Sensacional Polêmica, Pigmeus contra Gigantes, Guerra ao Farisaísmo (polêmicas); Para o Alto, Natal dos Cristãos Novos, Graças sobre Graças, Caravana da Fraternidade e Ide e Pregai (crônicas); Teatro Espiritualista (1ª e 2ª séries) e Teatro da Mocidade (dramaturgia); Uma Grande Vida, Cruzada de espiritismo de Vivos e Observação e sugestões (roteiros); O espiritismo é Obra de Educação, Das Responsabilidades Maiores dos Espíritas no Brasil, Para Frente e para o Alto, Brasil, berço da humanidade (teses). Por fim, foi ele o criador da Canção da alegria Cristã (letra) em parceria com Oli de Castro (música). 

Leopoldo passou, de etapa em etapa, por quase todas as searas do Espiritismo: a sessão mediúnica, a tribuna de conferência, o jornal, o rádio, a organização de movimento de mocidade, o teatro, a assistência social. Foi, talvez, o conferencista que mais visitou cidades por este País, a serviço da propaganda espírita. Polemista, como todos sabem, foi dos maiores e dos mais vigorosos. Leopoldo Machado estava á bem dizer, no apogeu da tribuna: era o conferencista que aparecia diariamente nas colunas espíritas dos jornais A Pátria e Vanguarda. Ele era o homem da tribuna, de segunda a domingo, no centro da cidade e nos subúrbios do Distrito Federal. Leopoldo Machado, mais tarde, passou a cuidar de outras atividades e desprezou o terreno da polêmica. Para ele, a causa espírita se sobrepunha a todas as vantagens humanas. Foi procurado, mais uma vez, para ser candidato a Prefeito local e, também, para ser Deputado Estadual, mas a tudo recusou dizendo sempre, invariavelmente: Eu só quero ser espirita. 

Retornando ao Rio de Janeiro vindo da Bahia pela última vez, Leopoldo Machado chegou a escrever um poema sob o título “A Bahia de Novo”, que foi publicado em uma revista da Legião da Boa Vontade. Logo após, na noite de 22 de agosto de 1957, às 23 horas e 25 minutos, viria a desencarnar no Lar de Jesus, cercado de amigos, familiares e acompanhado por seu abnegado médico. Na manhã da sua desencarnação, como se previsse que seria seu último dia na Terra, mandou chamar, o diretor técnico do Colégio Leopoldo e pediu-lhe: Não transforme nunca o meu Colégio em um balcão de ensino. Transforme-o antes num hospital. Nunca, nunca, em balcão de ensino. Seu corpo foi velado no auditório do Colégio Leopoldo. O cortejo seguiu, às 16 horas, até o Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade, de que foi presidente por várias gestões, para uma prece. Voltou até a Cancela Kaonze, atravessou-a e seguiu pela rua Marechal Floriano. Exatamente como solicitara em testamento. Todo o comércio fechou as suas portas e centenas de pessoas formaram alas à passagem do esquife. Estiveram presentes espíritas, católicos, protestantes e representantes de todas as correntes políticas, de todos os colégios particulares e públicos. A notícia de sua desencarnação correu rapidamente por todo o Brasil, transmitida por Alziro Zarur, presidente da Legião da boa Vontade, através da Rádio Mundial. Na ocasião, Deolindo Amorim, confrade baiano e companheiro, escreveu algumas palavras sobre Leopoldo Machado: 

O Deputado Campos Vergal, militante no Movimento Espírita Brasileiro, prestou homenagem póstumas ao companheiro com um discurso proferido na Câmara Federal, de que são extraídos os seguintes trechos: 

Senhor Presidente, ocupo esta tribuna para tecer algumas considerações, embora ligeiras, sobre a figura de um notável baiano, hoje falecido, que, durante muitos anos, residiu na cidade de Nova Iguaçu – o Professor Leopoldo Machado. O que sempre admirei na sua vida foi seu grande espírito de luta, seu acendrado amor à paz e à Humanidade. Leopoldo Machado se despede da existência no momento em que se lança seu último livro – Caxias, Um Eminente Iguaçuano. Tive oportunidade de lê-lo, e senti emoções novas a respeito da vida do Condestável da república. É indispensável se destaque o seguinte: Leopoldo Machado teve, em sua esposa, a professora Marília de Almeida Barbosa, companheira de raro valor, caráter bem modelado, que foi o anjo bom, foi-lhe a alma e o braço forte na fundação e manutenção do Albergue Noturno Allan Kardec e principalmente, do Lar de Jesus. No Lar de Jesus, no culto cristão que se realizava todas as terças-feiras, que não era com fins mediúnicos, que um Espírito amigo, ignorando as normas estabelecidas, incorpora, na tarde de 16 de abril de 1957, na senhora Carlos Imbassay e diz: Aqui estão três baianos atrevidos, teimosos, insolentes. Mas trabalham e produzem. Quem assim se expressou foi o Espírito de Souza Ribeiro, o médico e dentista, atrevido polemista, de Campinas, São Paulo. Ele continuou, assim como fizera na existência, difundindo os pontos de vista sob o mau uso da prece, alegando que, sem vigilância, a oração só não adianta. Em Recordando Leopoldo Machado, Alfredo Miguel fala do companheiro de lides espíritas, dizendo: - Nenhum espírita militante foi igual a Leopoldo Machado que amava uma polêmica. Era rígido e contundente, confundia e contundia segundo Manuel Quintão... A personalidade estática do baiano de Cepa Forte ficou eternizada no tempo e no espaço, para aqueles que o conheceram... 

Fonte (1): 

www.telma.org.br 

Supressões e pequenas modificações. 

Jc. 

São Luís, (MA) 28/02/2013 

Fonte (2): 

http://ortsac13.blogspot.com.br/2013/03/professor-leopoldo-machado.html 

Acesso em 29/03/2016

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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Homenagem a minha Mãe




Sergio de Sersank







AS ROSAS DE DIRCE


(Relato)








AS ROSAS DE DIRCE




Manhã de domingo, 10 de janeiro do ano da graça de Nosso Senhor de 2016. Céu nublado. Temperatura amena em Rolândia, norte do Paraná, sul do Brasil. Um dia que marcou para sempre a minha e as vidas dos meus familiares. Mãezinha Dirce, aos 85 anos e exatos seis meses, retorna ao Mundo Espiritual.
Sua dessoma ocorreu pela madrugada. Ela, com certeza, nem se apercebeu disso. Ao ser encontrada, já sem vida, por volta das nove horas, estava em posição de quem dormia, de lado, com os olhos fechados, em aparente calma, o pé esquerdo, ao lado da cama, tocando levemente o chão.
Ela teve sete filhos: Rubens (1949), Mariza (1951), Sergio (1953), Wilson (1956), Sidney (1958), Luiz Carlos (1960) e Rosinês (1962).
Em sua Cédula de Identidade consta o dia 10 de julho de 1930 como data de nascimento. Mas, ela dizia que havia sido registrada com um ano a mais, costume dos pais naquela época, talvez porque desejassem ver as filhas casadas mais cedo. Assim, expirou aos 84 anos e seis meses completados na madrugada desse domingo.
 A causa da morte não foi determinada na Certidão de Óbito. No entanto, sabemos que se deveu a um aneurisma da veia aorta abdominal. Há cerca de nove meses ela se queixou de uma dor aguda na parte esquerda do abdômen. Levada a exames, a tomografia constatou o risco de aneurisma naquela região. Mas, em razão de sua idade avançada foi nossa família aconselhada, no hospital, a não submetê-la à cirurgia devido ao alto risco da operação. Novos exames seriam feitos. Se houvesse agravamento certamente a decisão seria revertida. Mas ela só retornaria para a avaliação clínica no próximo dia 27. Partiu antes dessa data.
Assim, também, inesperadamente, em Paris, vitimado pela ruptura de um aneurisma, em 31 de março de 1869, com a idade de 65 anos, retornou ao Mundo Maior o insigne Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec.
Sinto que Deus nos favoreceu grandemente, primeiro permitindo que ela tivesse uma longa vida. Depois, que partisse sem alarde, de madrugada, enquanto dormia.
Tenho pensado muito nas circunstâncias em que ocorreu o seu decesso. Penso que normalmente nos preocupa a todos, mais que a morte em si, o processo sempre difícil e doloroso de nossa desencarnação. Nesse ponto, tranquiliza-nos em parte saber que ela partiu serenamente, há duas ou três horas antes de irromper o dia.  Bem-te-vis cantaram como sempre, ao alvorecer, saudando o novo dia. Ela, com certeza os ouviu de mais longe e mais alto, em meio a infinidade de canoros cantos de pássaros multicores, entre verdejantes bosques circundados por campos em flor na Grande Gaia Espiritual.
Minha mãe com certeza queria mesmo que a sua partida ocorresse dessa forma: enquanto dormia, numa manhã de domingo. Um dia de descanso. Dia em que todos os seus poderiam dedicar a ela a atenção que desejassem sem prejuízo de suas atividades rotineiras na desenfreada e permanente luta pelo pão cotidiano.
No sábado à tarde, Mamãe e Mariza, falaram ao telefone. Minha mãe disse que se sentia bem. Minha irmã, por sua vez, queixou-se de fortes dores de cabeça que a estavam importunando muito, por isso iria dormir um pouco depois de tomar um comprimido relaxante. Mamãe lhe disse: - Você ficará bem. Estou pedindo ao Dr. Bezerra de Menezes e ao Chico Xavier que te amparem.
Mais tarde, por volta das 18h30min, mamãe ligou. Queria saber como ela estava. Mariza tinha melhorado. Falaram muito, como faziam todos os dias. Antes de desligar, mamãe disse à mana que iria até sua casa para auxiliá-la caso viesse a sentir novas dores. Mariza, disse-lhe que ficasse despreocupada, tomaria outro comprimido mais tarde e ficaria bem. Desejou-lhe boa noite, que dormisse bem.
Pela manhã, sua cachorrinha “Pandora”, lhasa caramelo, sempre vivaz, foi a primeira a notar o ocorrido.  Pandora dormia todas as noites sob a cama de minha mãe. Na manhã desse domingo, mamãe morta no leito, a pobre cachorrinha que sempre acorda tarde, entrava e saia sucessivamente do quarto, arranhava as patas no chão, emitia sons estranhos... Minha irmã Rosinês, estranhando isso, foi ao quarto - até porque pretendia acordar a mãe para o café que já estava à mesa. Ao perceber a triste realidade pôs-se a gritar alarmando os vizinhos que logo encheram a casa.
Por volta das onze horas, nesse fatídico dia, os familiares reunidos na varanda da casa em Rolândia (PR) estavam desolados. O corpo havia sido levado para a preparação do velório. De repente, o vento começou a soprar frio e forte, anunciando chuva. Intenso aroma de flores tomou a casa toda. Rosinês, nossa irmã caçula, notou o fenômeno e chamou a atenção de todos. Até mesmo nos fundos da casa sentiu-se a forte fragrância. Cheiro de rosas. Todos se comoveram.
No jardim, em frente à casa, com efeito, havia rosas vermelhas, amarelas e até mesmo cor-de-rosas que minha mãe cultivava entre outras plantas e folhagens.  Ela amava a natureza. Por diversas vezes a fotografamos em meio às suas flores. Eu mesmo vinha denominando algumas dessas fotos que tirávamos pelo celular, instantaneamente, em seu jardim: Rosas de Dirce-1, Rosas de Dirce-2, ...
Por isso, começamos a associar as lembranças de nossa mãe às rosas que ela cultivava e tudo o que falavámos sobre ela sempre culminava no seu amor por essas flores.
Lembrei-me, a propósito, durante o velório - seu corpo imóvel no esquife orlado por rosas vermelhas e uma rosa branca entre as mãos - de uma trova que escrevi, um dia, há muito tempo, em sua homenagem:


“Algo há de mães, algo nobre,
nas roseiras esmerosas:
de espinhos a vida as cobre
e elas à vida dão rosas.”

(Trova de Sersank, 1974)

No Velório Municipal por volta das dezesseis horas, no interior da ampla sala, ao fundo, próximas ao esquife, havia pouco mais de trinta pessoas. Eu estava à porta de entrada, sozinho. Um carro de Floricultura estacionou à entrada. O condutor do veículo desceu e trouxe com cuidado a quarta e linda coroa de flores, esta enviada por diversas amigas, toda composta de rosas, vívidas, brancas e amarelas em forma de coração, emolduradas por entreabertas rosas rubras. Novamente lembrei, ao vê-la, o amor de minha mãe pelas flores e os cuidados que dispensava às suas roseiras.
Indiferente ao passar por mim, o entregador adentrou a sala mortuária. Eis, porém, que da coroa de rosas se desprende, nesse instante, uma isolada pétala vermelha que cai diante dos meus pés como a expressar os sons de uma longínqua e inesquecível voz: “É sua, meu filho!” Tomei-a do solo e após beijá-la na palma da mão, guardei-a comigo.
Mãezinha Dirce, sempre ativa, lúcida, alegre, criativa, apesar de velhinha, era forte. Em tudo o que falava, em tudo o que fazia, revigorava-nos a fé e a esperança na complacência divina.
Gostava de ouvi-la narrar certas passagens de sua infância e mocidade. Mas às vezes nos entristecíamos juntos quando recordava-nos as dificuldades da vida naqueles recuados tempos chegando quase às lágrimas. Eram cenas que reproduzia com humildade e contida emoção e nos faziam sentir quanto marcaram sua última experiência de vida na Crosta.



Dirce Cavalin, mãe de sete filhos; esposa do sapateiro paulista Rubens Santos Cunha, pioneiro de Florestópolis; filha de Giuseppe Boaventura Cavallin, laborioso ferreiro nascido na Fazenda Barreiro em Limeira (SP); neta de Victório Cavallin, valente agricultor italiano que aqui chegou atraído como tantos compatriotas seus pela falsa notícia de que havia terras disponíveis no Brasil – “um país de oportunidades, onde poderiam construir os seus sonhos com a família.”
No Brasil - diziam os enganosos cartazes espalhados pela Itália – “Vocês poderão ter o seu castelo. O governo dá terras e utensílios a todos”.
Eis alguns deles:



“Na América – Terras no Brasil para os italianos. Navios em partida todas as semanas do Porto de Gênova. Venham construir os seus sonhos com a família. Um país de oportunidade. Clima tropical e abundância. Riquezas minerais. No Brasil vocês poderão ter o seu castelo. O governo dá terras e utensílios a todos”.

“Na América – Terras no Brasil para os italianos. Navios em partida todas as semanas do Porto de Gênova. Venham construir os seus sonhos com a família. Um país de oportunidade. Clima tropical e abundância. Riquezas minerais. No Brasil vocês poderão ter o seu castelo. O governo dá terras e utensílios a todos”.

(Cartaz da propaganda, prometendo terra e abundância no Brasil, entre 1880 à 1930. 
Acervo Memorial do Imigrante.) 
 
Exatamente no dia 14 de novembro de 1887(1), aos 24 anos, Victório desembarcou do Navio Savoia no Porto de Santos, com os integrantes de sua família: o pai, Giuseppe (70), a mãe, Lúcia (61), a esposa, Anna (29), a irmã Giovanna (21) e os filhos Maria (05), Virgínia (02) e Itália (01). Foram orientados a laborar na propriedade rural do latifundiário Joaquim Leite da Cunha no Município de Pedreira (SP), situado às margens do Rio Jaguari, na microrregião de Campinas.
Não tiveram vida fácil. Meu bisavô, Victorio Cavalin morreu vinte anos mais tarde, aos 45 anos, desiludido, vitimado por um tumor cerebral. Não temos registros ainda dos fatos que se seguiram. Mas é de se supor que nossos antepassados sofreram muito e por muitos anos.
Bem, enquanto aguardávamos a chegada do féretro, cenas sucessivas de minha vida passaram aleatoriamente pelos mecanismos da memória: vi-me pequeno, pobrezinho, na antiga casa de madeira, inacabada, dos dois aos seis anos:

"Rebusco, mãe, na memória
o antigo e modesto lar.
Sou personagem na história
da tua vida exemplar!"
(Trova de Sersank)

Era, todas as manhãs, a sopinha de pão com leite morno na caneca, misturado com um pouquinho do café despejado do bule esmaltado.  Eram as inúmeras brincadeiras de pés descalços no quintal varrido, o cálido banho de bacia ao fim da tarde e já de noite, à luz bruxuleante do lampião de querosene, suas audições ao pé do rádio de pilhas transistorizado das novelas e programas musicais em parte prejudicadas pela nossa algazarra sempre contida com reprimendas verbais. Depois as orações, ela e meu pai ao pé dos nossos leitos, os beijos e desejos de boa noite. “A bênção, mãe! A bênção, pai!” E dormíamos, pobrezinhos, mas felizes!
A cada vez que a memória me resgata esses momentos imersos nas névoas do passado e da saudade, acodem-me os versos desta linda trova:

"Eu vi minha mãe rezando
aos pés da Virgem Maria.
Era uma santa escutando
o que outra santa dizia!"
(Barreto Coutinho)

Estou agora lembrando a primeira vez em que me vi realmente perdido: foi aos seis anos. Mamãe vestiu-me um bonito uniforme xadrez. Senti-me bem, mas estava ansioso. Relutei em dar a mão à maninha mais velha e com ela seguir para o desconhecido. Voltei-me, na ruazinha de terra, por diversas vezes, a dar-lhe com a mão um triste tchau, com lágrimas nos olhos.  Quanto odiei a vida nova que os pais sorridentes diziam chamar-se “escola”!
Mariza, a maninha, iniciava o segundo ano primário. Eu adentrava o “Jardim de Infância”, equivalente ao ano pré-escolar. Começaria, em breve, a aprender as maravilhas do “Caminho Suave”, a inesquecível cartilha que deu a multidões de crianças, nos anos sessenta e setenta do século passado, acesso ao fantástico mundo da escrita.
Não tem como não lembrar agora os versos do nosso querido poeta Carlos Drummond de Andrade:

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite
é tempo sem hora.
Luz que não apaga
quando sopra o vento
e a chuva desaba.
Veludo escondido
na pele enrugada.
Água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- Mistério profundo -
de tirá-la um dia?

Fosse eu rei do mundo
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca.
Mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Domingo, 10 de janeiro de 2016. Céu nublado. Passamos o tempo todo na Sala do Velório Municipal.
Pela manhã do dia 11, ao clarear do dia, sem mostras de cansaço, reunimo-nos, familiares e amigos mais íntimos, em torno do esquife, para uma singela e especial homenagem. Oramos a Prece de Caritas. Lemos e comentamos duas mensagens psicografadas por Chico Xavier, de Maria Dolores. Mariza, minha irmã, fez uma sentida prece, encerrando o ato.
Minha mana comentou que recentemente, numa de suas conversas frequentes, nossa mãezinha manifestou-lhe alguma preocupação com relação ao reingresso no Mundo Espiritual.  Marisa, otimista como sempre, estribada em suas convicções espiritistas, a tranquilizou:
- Não se preocupe com isso, Mãe. A Senhora, quando deixar este mundo despertará num imenso jardim encantado, onde haverá muitas flores, principalmente rosas que a Senhora gosta tanto, céu azul, pássaros cantando e verá a seu lado inúmeros amigos e Benfeitores Espirituais.
Pouco depois das nove horas, com a presença de dezenas de amigos que chegaram e já então sob a direção do Monsenhor José Agius, tivemos uma sequência de orações e cânticos católicos, facultativa, que muito nos emocionaram. Mas algo nos chamou a atenção: Mariza, de repente entrou em convulsivo pranto. O Monsenhor ficou sem entender essa súbita explosão de lágrimas e se limitou a passar a mão sobre o ombro dela, dando continuidade ao Ofício que dirigia.
Ao questioná-la a respeito, minutos depois, Mariza me chamou a um canto e contou-me o ocorrido. Ela que dedicou muitos anos de sua vida à prática da mediunidade assistida e assistencial, naquele instante ouviu nitidamente a voz de nossa mãe vinda do Plano Invisível, no mesmo tom de quando a chamava, entusiasmada, diante das coisas boas que via:
 -“Mariza!...”
Era como se desejasse dizer: “Você precisa ver isso!”
Notem que isso se deu em meio ao vozerio das rezas católicas!
A despedida foi muito triste, mas com serenidade, resignação e muitos abraços entre irmãos, parentes e amigos. O sepultamento se deu, com atraso, por volta das 11h00. Choveu sem parar durante a manhã toda. Debaixo de chuva, chuva intensa, o féretro seguiu até o túmulo. Sentíamos que a natureza chorava conosco, intensamente, a perda do bem maior de nossas vidas.
Depois soubemos que aquela foi uma das maiores chuvas que se abateu sobre o município paranaense de Rolândia, tanto que o Prefeito, Dr. Luiz Francisconi, com aval da Defesa Civil e com o reconhecimento do Governo estadual, decretou no dia seguinte, estado de emergência e, um dia depois, estado de calamidade pública.
Dois pedreiros trabalharam sob uma cobertura de lona plástica, escorada aos braços por outros três deles, para o fechamento. Diversos guarda-chuvas cobriam as pessoas à volta e ainda assim não houve quem não se molhasse muito. Sob o mesmo guarda-chuva eu estava com meu filho Leon, artista gráfico tatuador e meu sobrinho, Alberto Vinicius, policial militar especializado.
Comoveu-nos a dificuldade dos pedreiros. E essa dificuldade nos fez meditar mais sobre a vida maravilhosa de nossa Mãezinha Dirce, uma vida vitoriosa, apesar de muito sofrida do berço ao instante final. Ela começou a trabalhar muito cedo. Aos dez anos já era requisitada para serviços domésticos. Cuidava das irmãs Lúcia, Inês e Nico, menores que ela. Pouco tempo teve de escola. Só conheceu dificuldades mesmo depois que se casou com o modesto e honrado sapateiro Rubens, o grande amor de sua vida, com quem veio a se casar 1949.
No criado-mudo do seu quarto ficaram dois livros que ela estava terminando de ler: um romance de Rochester (Episódio da Vida de Tibério) e outro da Zíbia Gasparetto, autora que ela tinha entre suas favoritas. O da Zíbia nos chamou a atenção pelo título muito condizente com a trajetória de sua vida, plena de exemplos de luta, de devotamento e de vitórias na construção, desenvolvimento e manutenção dos nossos mais legítimos laços de afeto sobre os valores da família: "Só o Amor Consegue".
Sua cachorrinha Pandora anda triste. Observamos alterações em seu comportamento. Antes muito agitada, agora anda quieta, diferente. Sente, com certeza, a nossa dor.
Registro a seguir, para não estender-me muito, três, dentre muitas manifestações familiares que nos comoveram, pedindo escusas aos demais missivistas:

“A partida da tia Dirce para o Mundo Maior mexeu com todos nós. Oramos muito na casa da minha mãe, Lúcia. Reunimo-nos na sala e até na cozinha para orar por ela. Pedimos aos Nono e a Nona, aos amados pais dela, que a abraçassem bem forte e lhe transmitissem nosso carinho e amor. Conversamos em oração com os outros irmãos e irmãs de minha mãe. Estamos pedindo a todos que amparem tia Dirce em sua chegada à Pátria Espiritual. Choramos muito. A emoção foi imensa. Sentíamos presentes os seus pais e irmãos durante as orações. Que Nossa Senhora e os mentores da Espiritualidade estejam com vocês em todos os momentos, amparando a todos.” (José Augusto Novas, Guto, Artista Plástico e Professor, de São Paulo, Capital)
"A despedida foi repentina e sem volta. Hoje você está na companhia de Deus e viverá em nossas lembranças com amor. A saudade maltrata, pois sua falta dói. Apesar disso, sei que estás bem! Sei que você alcançou a paz eterna! Te amaremos sempre.”  (Jozyane Rodrigues, neta)       
“DIRCE CAVALIN - a rosa mais bela ficará por perto, viva, vibrante e cheia de beleza dentro de nossos corações! A matriarca da família... devo-lhe a minha vida e a dos meus descendentes, orgulho-me de carregar seu sobrenome. Ficam as lembranças de uma infância feliz ao seu lado e a esperança de um dia reencontrá-la com aquele sorriso cheio de alegria, amor e luz. Vá com Deus, vovó! Te amaremos para sempre!” (Vanessa Cavalin, neta, no Facebook em 10jan2016)

Como se fez constar no Atestado de Óbito, minha mãezinha não deixou bens a inventariar, mas é formidável a fortuna que nos legou no aspecto espiritual. Ela adorava dançar. E sempre gostou de cantar também. Eu me recordo, menino, ela nos deliciando com sua linda voz...
Seu toca-discos e mais de uma centena de LPs ficaram para mim porque a mana Mariza disse que esse era o desejo dela. De fato, quase ninguém liga mais para esses antigos discos de vinil. Mas foram muitas as vezes em que, ouvindo-os, dançávamos juntos, na edícula de sua casa, com plateia familiar aplaudindo... Tangos... Valsas... Boleros... Forrós... Eram só risadas!
Os discos todos eu os lavei, troquei as capas plásticas internas e externas. Religuei o velho e bom aparelho Stéreo Sistem CCE 4880, depois de mandar revisá-lo. Numa dessas últimas madrugadas, pus pra rodar o disco, “Os Grandes Sucessos de Anísio Silva”, aquela voz suave, interpretando a canção “Onde estás agora?” preencheu o espaço e adentrou-me a alma. As lágrimas rolaram sentidas... Era o tipo de música  que ela apreciava e ouvíamos todos no ambiente do lar na década de 60.
Mariza recebeu de volta, entre outras coisas, dois livros que lhe havia dado de presente em 1987: “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e “O que é o Espiritismo”, ambos de Allan Kardec. Nossa mãe os lia frequentemente pelo que constatamos nas anotações que fazia. Chamou-nos a atenção o fato de que em cada um dos livros, nas páginas iniciais, ela havia inserido um decalque de rosa vermelha. E como marcador de página do “Evangelho” usava um cartão de aniversário oferecido por sua neta, Vanessa, no dia 10 de julho de 1995.
Mãezinha Dirce, sua maravilhosa trajetória existencial de fato enalteceu a vida de todos os seus descendentes.
Devo agora transcrever um relato altamente simbólico e revelador da perenidade da vida. Com a palavra, minha filha Vanessa Cavalin (27):

“Sonhei que me encontrava com a vó Dirce num lugar fechado, tipo uma sala, vazia sem nada, estávamos sozinhas. Ela estava bem bonita, com a blusa vermelha de bolinhas brancas. Logo que a vi, corri para abraçá-la e falei: - Ai Vó, queria falar pra você uma coisa que eu não tive tempo de falar antes (estava consciente de que ela já estava desencarnada), queria falar que te amo muito, muito mesmo!
Fiquei muito emocionada e senti que ela emocionou-se também e nós duas, tremendo de emoção, quase perdemos a conexão. Antes que isso acontecesse, ela que já estava mais calma que eu, puxou meu braço, do modo que fazia quando bem empolgada queria me mostrar alguma coisa do seu jardim e me envolvendo num abraço terno,  falou no meu ouvido: Quero te contar um segredo:
 - AS ROSAS!
Nesse momento acordei.”

Vanessa ficou mesmo profundamente emocionada. Entramos na Internet e pesquisamos sobre “O Segredo das Rosas”. ‏
Finalizo este relato, tomado da mesma emoção. Vejam o que ela e eu encontramos:

“Rosacruz é denominação da fraternidade filosófica, que, de acordo com a tradição mais em voga, teria sido fundada por Christian Rosenkreuz e representa uma síntese do ocultismo imperante na Idade Média.
“A rosa, por sua vez, a mais bela dentre todas as flores, traz consigo um elevadíssimo simbolismo, tanto no plano esotérico quanto no exotérico: ela jamais se reproduz por intermédio de sementes. Quando em vida - e pouca gente sabe disso! - é apenas um botão. Nessa condição ela se fecha sobre o seu próprio coração, o seu íntimo, guardando toda a sua beleza em sublime introspecção. Finalmente, quando ela se abre à luz, irradiando todas as suas cores e matizes, revelando toda a sua esplendorosa beleza e espargindo o seu suave perfume. Terá chegado a hora da sua morte.”
...A mística ideia da rosa, associada à lembrança da cor do sangue e aos espinhos que provocam o seu derramamento, contribuiu, certamente, para dar à palavra, uma grande força de sedução. Além disso, muitos rosacruzes veem, no emblema, um símbolo alquimista, concretizando uma ambiguidade muito comum aos símbolos. Os rosa-cruzes atuais tem uma interpretação bem mais mística a respeito da cruz e a rosa. A cruz representaria o ser humano, a parte material, enquanto a rosa representaria o ser imaterial, a alma, espírito ou corpo astral.
A rosa simboliza a perfeição, o amor, o coração, a paixão, a alma, o romantismo, a pureza, a beleza, a sensualidade, o renascimento; e, de acordo com sua cor, pode simbolizar a lua (branca), o sol (amarela) ou o fogo (vermelha). Universalmente, essa flor complexa e aromática representa o símbolo do amor e da união, famosa por sua beleza e seu perfume. Não obstante, o desabrochar do botão da rosa simboliza o segredo e o mistério da vida.”

A simbologia da Rosa

Desde a antiguidade remota a rosa foi honrada pelos deuses e heróis. Ornava o escudo de Aquiles, os capacetes de Heitor e de Enéas e na Idade Média, os escudos dos cavaleiros.
Era associada na antiga Grécia ao culto de Afrodite, a deusa do amor.
Já no Egito antigo, esta sensualidade expressa pela rosa em Afrodite, se torna mais espiritual no culto a Isis. Ao comerem algumas rosas, os iniciados sublimavam seus instintos carnais começando um processo de regeneração interior.
Na tradição cristã a rosa passou a representar Maria, a Rosa Mística, ou como acreditam certas correntes, ela representa Maria Madalena e está presente nas rosáceas dos vitrais e pisos de algumas igrejas europeias. Também na iconografia cristã, a rosa com todas as suas pétalas abertas simbolizava o Santo Graal, símbolo da natureza integral do homem.
A Rosa Crística do ocidente, equivalente à Flor de Lótus oriental, é considerada a flor mais perfeita entre todas. Exala um perfume delicado e suas pétalas se colocam em espiral, simbolizando o esforço de aperfeiçoamento. É a vida eterna que se renova constantemente e ressurge ao final de cada volta: RENOVAÇÃO/ RENASCIMENTO.
Para se chegar à rosa é necessário primeiramente subir e colher os espinhos (guardiões): CAMINHO HUMANO. No seu centro, os pistilos amarelos, significam EQUILÍBRIO e SABEDORIA e surgem ao término de seu sacrifício, quando as pétalas, de fora para dentro, morrem para poder deixar finalmente, ressurgir o centro, a ESSÊNCIA.
A Rosa, como a Flor de Lótus, representa o CAMINHO DE AUTO-APERFEIÇOAMENTO. Elas vêm do escuro da terra (ou do limo no caso do Lótus) e sobem para respirar o ar sutil da vida espiritual e ao abrir suas pétalas ao Sol, oferecem o sacrifício do próprio perfume em entrega: DEVOÇÃO e SERVIÇO à VERDADE.
Há uma diferenciação do sacrifício de acordo com a cor da rosa:
Rosa vermelha= Sacrifício por paixão.
Rosa branca= Sacrifício por pureza.
Rosa amarela= Espiritualidade.
A rosa é uma criação excepcional, o emblema da PERFEIÇÃO para a grande obra dos Alquimistas, só entreabrindo suas pétalas para revelar o seu mais íntimo segredo, no momento em que vai perecer. Por isto além de ser símbolo da VIDA é também símbolo da PERFEIÇÃO e MORTE.
Fernando Pessoa se refere à rosa em um de seus poemas: Rosa, Vida, Cristo encoberto.
As catedrais góticas, construídas segundo os preceitos da geometria sagrada, tinham a planta em forma da cruz e seus vitrais com desenhos de rosáceas (rosas estilizadas) ficavam ao sul para que deixassem entrar a luz do sol em todo o seu esplendor.
Lutero usava a rosa em seu selo, chamado de Selo de Lutero ou Rosa de Lutero e costumava dizer uma frase: “O coração está sempre em rosas quando está sob a cruz”.
O nome Rosa-Cruz está associado ao símbolo hermético do Cristo.
Para os adeptos da Rosa-Cruz, a cruz contém os opostos em suas partes: Feminino e Masculino, Lua e Sol, Morte e Vida. Quando esta vivência de opostos (o horizontal e o vertical) se encontra em um ponto de intersecção, acontece a Iluminação. Esta intersecção (Centro, ponto de Unidade) da cruz (Corpo), saúda o Sol e uma rosa colocada neste centro, no peito, permite que a Luz ajude o espírito a desenvolver-se e florescer. Em seu símbolo ora colocam a rosa na intersecção, ora no alto da cruz.
Para os esotéricos a Cruz é um signo masculino e espiritual, divina energia criadora que fecundou a matéria da substância primordial cuja imagem é a Rosa, que se inscreve nas quatro dimensões: comprimento, largura, espessura e tempo. A mente associada à Rosa apresenta sub-dimensões e forma: matéria, cor e perfume, reunidos na mais completa harmonia sendo defendidos pelos (guardiões) espinhos.
Segundo Robert Charroux (livro “Os mistérios da Rosa”), a história da Rosa é tão secreta que somente raros iniciados podem compreender o seu sentido profundo. A rosa é o símbolo do segredo guardado, pois é uma das raras flores que se fecha sobre seu coração. Quando abre a sua corola, está na hora da morte.
“Descobrir uma taça de rosas” é desvendar um segredo. Esta expressão ainda é usada em alguns lugares da Europa. Antigamente, se um anfitrião colocasse um ramo de rosas numa taça, significava que o bom tom e a honra deveriam prevalecer e que todos que estivessem à mesa manteriam rigorosamente secreto tudo que ali se dissesse. Algumas vezes a rosa era dependurada sobre a mesa, e tinha o mesmo significado.

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Finalizando incluo neste relato duas dentre muitas mensagens da Benfeitora Maria Dolores, através do inesquecível Francisco Cândido Xavier  - medianeiro dos temporariamente vivos que estamos com os permanentemente vivos que somos e haveremos de ser no Mundo Maior.  



  
Minha Mãe
Desejava, Mãezinha, para testemunhar-te afeto e gratidão, escrever-te um poema que me fotografasse o coração.
E, ao servir-me do verbo, quisera misturar a beleza das flores e das fontes, o azul do céu, o ouro do sol e os lírios do luar... 
Anseio enaltecer-te!... A palavra, no entanto, Mãe querida, não consegue mostrar as bênçãos incessantes que nos trazes à Vida.
Em vão consulto dicionários! Não encontro a expressão lúcida e bela que nos defina claramente a luz que o teu sorriso nos revela... 
Ofereço-te, assim ao carinho perfeito o doce pranto de agradecimento que me verte do peito.
As lágrimas que choro de alegria refletem, uma a uma as estrelas de amor que te engrandecem, – a tua glória em suma !... 
És tudo de mais lindo que há no mundo, – o agasalho a ternura calma e boa, o refúgio de santo entendimento, a presença que abençoa...
Desculpe, meu tesouro de esperança, se não te sei nobilitar o reino de bondade e sacrifício, no sustento do lar! 
E não sabendo, Mãe, como louvar-te a celeste afeição, rogando a Deus te glorifique a vida, trago-te o coração.                
Do livro “Mãe”. Maria Dolores - Psicografia de Francisco Cândido Xavier. (Mensagem recebida em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã, na noite de 22/03/1969, em Uberaba (MG)


Mãe, Deus Te Abençoe



Quero mãezinha, agradecer-te, em festa, por tudo que me dás ao coração, entretecer-te uma canção modesta, mas todo esforço é em vão...
Se pudesse dizer a gratidão que sinto por teu santo carinho protetor, precisaria conhecer na essência toda a glória do amor.
Tens o segredo da Bondade Eterna, Deus me acena e sorri por tua face...
Não há sábio no mundo que defina o Sol quando aparece, o lírio quando nasce!
Falar de ti, mostrar-te? Isso seria como explicar da Terra, olhando a Altura, a doce maravilha de uma estrela a guiar o viajor em noite escura.
Converto em prece o reconhecimento, que em meu peito humilde se extravasa, rogando ao Céu te envolva em rosas de ventura, anjo sustentador de nossa casa!
Deus te guarde, mãezinha, pelo berço, descuidado e risonho, em que me acalentaste para a vida, como flor de teu sonho.
Deus te compense pelas noites tristes de aflição que te dei, pelo perdão de tantas vezes, tantas! ... Quantas foram não sei...
Deus te enalteça a fonte de ternura, que nunca se enodoa e nem se cansa, pelo cuidado com que restauras, ante o dom do trabalho e a força de esperança...
Perdoa se te oferto unicamente, na minha devoção de todo dia, o meu ramo de flores orvalhadas nas lágrimas que choro de alegria!
Com júbilos divinos, Mãe querida, que a Celeste Bondade te coroe!
Por tudo o que nos dá nos caminhos da vida, Deus te exalte e abençoe!

(Mensagem de Maria Dolores,
extraída do livro “Mãe – Antologia Mediúnica” por Espíritos Diversos,
psicografado por Chico Xavier, Editora O Clarim.)

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Mãezinha Dirce, os céus se abriram para recebê-la. 
Que você seja muito feliz, entre as flores, amizades e alegrias da Vida Maior!
Meus beijos de amor e gratidão.
Sempre seu filho,

Sergio de Sersank
Londrina, 12 de janeiro de 2016.

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NOTAS

A data 14 de novembro é significativa em nossa vida familiar.  Vejam as coincidências:

1. No dia 14 de novembro de 1887, ocorreu a chegada do navio Savoia e o histórico desembarque de nossos antepassados italianos no Porto de Santos (SP), oriundos da Comune de Vedelago.

2. Nesse mesmo dia 14 de novembro, em 1951, ocorreu a emancipação política do Município de Florestópolis, no Norte Paranaense, para onde os meus pais haviam se transferido de Novo Horizonte (SP), em 1949.  É a minha terra natal.
A principal via pública da cidade se denomina Avenida 14 de Novembro.

3. No dia exato da Emancipação Política de Florestópolis, (14 de novembro de 1951) ocorreram dois nascimentos, devidamente registrados em Cartório: o de minha mana Mariza Santos Cunha e o de minha cunhada Laura Dias.

4. Outra coincidência: No dia 14 de novembro de 1988 nasceu
 em Rolândia (PR) o meu filho Leon Cavalin Neto Cunha.
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Dirce Cavalin em foto de 1979






































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COMENTÁRIO DE ISABEL FURINI, laureada poeta e escritora sobre a obra poética "Estado de Espírito"

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EL VIAJE DEFINITIVO - Poema de Juan Ramon Jimenez

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