domingo, 16 de setembro de 2012

O GRITO DA TERRA





Ahinsa!

Ahinsa!


Sergio de Sersank


Desde as eras primitivas
a Terra se nutre
do fluido cósmico
que abre-lhe entranhas,
percorre-lhe inteira.
Na etérea poeira
de luz das estrelas
o fluido lhe vem.
Inunda-a de vida
esse mágico bem.
O sangue dos seres
que surgem e passam
noutros que, em ciclo
ascendente, sustém.

O espírito de Gaia
canta na Natureza
a música do Infinito.
Em culto à beleza,
exalta essa Fonte
da Vida que a anima.
e que  ela sublima
ao multiplicá-la
no espaço irrestrito.

Mas traz no seu canto
uma ária bem triste.
Sofre os excessos
dos filhos ingratos.
Está no limite.
Dá mostras de seus
sucessivos maus tratos.
Lamentavelmente,
comovem a poucos,
por certo, aos melhores
os duros apelos que emite.

Gaia está farta de sangue,
farta dos homens, talvez,
porque não cessa a ganância,
porque não cessa a violência ,
esses cancros resultantes
da insensatez.

Ciclônico éolo a bramir,
convulsiona o oceano,
rebenta do solo, feroz. 
Sofrem-lhe muitos a fúria.
Ouvem-lhe muitos a voz.

 Há os que riem e bebem e comem,
com as mãos manchadas de  sangue.
Sabem que a Terra prescinde do homem.
Nenhuma voz os confrange.

   
(Da coletânea “ESTADO DE ESPÍRITO”)

Serĝjo de Sersank

De la primitivaj tempoj -
kia profunda mister’! -
el kosma emanaĵo,
kiu  plene ĉirkaŭas
kaj ĝin trapenetras, 
nutriĝas  la Ter’.

Simile al l’etera pulvo,
devenas tiu ĉi fluido                       
el la senfina stelar’
kaj ĝi alportas la vivon -
miraklo ja sen kompar’. 
                                
La sango de ĉiu estaĵo,
tuj naskita jam  pasanta,
transfuzas Gaja en aliaj,
tio ĉi en ciklo kreskanta.

Tial, la animo de Gaja
aŭdigas en la Naturo
la muzikon de l’ Senlim’.
Tiele, ŝi laŭdas la dian belecon
de l’ Vivofonto kiu vigligas ŝîn
kaj kiu sublimigas ŝî per disdonad’
en ritmo intensa,
eble sen fin’.
                                                   
Tamen, la kanto de Gaia
nune fariĝas ia tristega ario.
Pro tio ke agresojn de nedankaj filoj
jam multe suferas,
nun ŝi kantadas en frua agonio.                          
                                                 
Ve, bedaŭrinde, nur kelkajn homojn
la plibonajn, certe, kortuŝas  la petoj,
kiujn, averte, elĵetadas  ŝi .
                                                               
Jam Gaja satiĝis je sango.
Eble je la homoj ankaŭ  satiĝas,         
ĉar  ne ĉesiĝas la homa perforto,
eĉ la homa ambici’ ne ĉesiĝas.
Ho, furnaj ŝankroj de l’ homa nesci’!

Ciklona Eolo, blekante feroca,
diskrevas el  la subgrundo,
agitas la maron, subite.       
Multaj suferas sian furozecon,
multaj aŭdiĝas  sian voĉon, aflikte.

Ja multaj malgraŭe
ridegas kaj drinkas kaj manĝas,
je sango malpurajn havante la manojn .
Tiuj sciadas: la Ter’  sin aranĝas:
neniel bezonas la homojn.
Tamen, nenia voĉ’ ilin tuŝas.
Nenia far’ ilin ŝanĝas.
  
(El la poemaro “SPIRITOSTATO”) 


domingo, 9 de setembro de 2012

HAICAI - HAJKO






Foto de Gustavo Maia
Pernambuco




Jamais uma rês
suspeite o custo do pasto.
Sacie-se em paz...


(Da coletânea de Sergio de Sersank)

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En esperanto:

Nenion sciu pri l' kosto
de l' gresejo buĉbest! 
Ĝi satiĝu pace...


(El la krestomatio de Sersank)


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

AL CHIUJ GEAMIKOJ EL LA TUTA MONDO







TROBO


Kiel fratoj chiujn vidi
estu chiam nia cel'.
Kaj por chiam nin gvidi
Esperanto estu la stel'!


(Sergio de Sersank)

(Koran dankon al ciuj pro la senditaj bondeziroj okaze de mia datreveno, je la lasta tria de septembro, pere de Feicjbuk, Ipernity kaj aliaj socialaj retoj. Dio vin benu!)

Tradução para o português:

Ver a todos como irmãos
seja sempre o nosso objetivo.
E seja o Esperanto a estrela
que nos guie, para sempre!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

TROVA DE SERSANK



Do banco de imagens do Google


Vejam só o que lhe trouxe 
o prazer da nicotina:
de tanto fumar finou-se,
pele e osso, a Josefina.


(Da coletânea de Sersank)



En esperanto:


Vidu, kion ŝin alportis
la venenan nikotin':
Tiom fumadis, ke mortis
ja skeleta, Jozefin'.

(El la krestomatio de Sersank)

(Jozefino estas ina biblia nomo)

domingo, 19 de agosto de 2012

DOS ASPECTOS DA DOR










I
Por mais pungente é abstrata
a dor que nos outros vemos.
A dor que mais nos maltrata
é a que na carne trazemos.

II
Decrescem, se constatadas,
não raro, as dores descritas.
Mas, as dores fabricadas -
cuidado! - agravam desditas...

III 
Ninguém a quer. Não nos tenta
seu poder transformador.
Deus a tem por ferramenta.
Nós a chamamos de ...  Dor.

IV       
Nenhuma dor, por mais forte,
é tão pungente em seus ais
quanto a de quem vê na morte
a noite do “nunca mais”.

(Da coletânea de Sersank)


(Vidu supre la esperantan version)



sexta-feira, 20 de julho de 2012

AMIGOS, CERTOS AMIGOS...






Enquanto muito tens,
se algo lhes dás,
quais meretrizes
te afagam, te bajulam,
te assediam;
até pelos defeitos,
os mais vis, que ostentes,
fazendo-se rogados, te elogiam...

Mas quando não mais tens
dos bens que aspiram
ou quando do que tens
nada mais tiram,
de longe, em te avistando,
o olhar desviam.

Até por certas coisas que segredas deles,
(mas que bem sabem por virtudes tuas),
entre eles, sem que o saibas, te ironizam,
te escracham, te esculhambam,
te vilipendiam... 

(Da coletânea de Sersank)




sexta-feira, 13 de julho de 2012

VINGANÇA











Após o Céu conquistado,
livres de todo pecado,
em completa segurança,
nossa bem-aventurança
será pegar Satanás
e, em paga do mal que faz,
surrá-lo às boas no Inferno.
Assim, com seus mil demônios
faremos também vingança.
Depois iremos, idôneos,
louvar o Senhor Eterno –
nossa bem aventurança.


(Da coletânea de Sersank)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

“ REQUIESCAT IN PACE”







Sit tibi terra levis...






Não há de temer
percalços
na ponte que, em bruma espessa,
se perde de vista, além,
quem leva do mundo
as chagas
adquiridas,
pranteadas,
na estreita estrada do bem.




(Da coletânea de Sersank)







sábado, 23 de junho de 2012

DE AVÔ PARA OS NETINHOS





No princípio, apenas Deus,
nada mais, mais nada havia.
Na eternidade do espaço
o tempo não transcorria.
De nada valia o espaço.
De nada o tempo valia.

Deus – o Supremo Senhor
do tempo - todo esse espaço
desde sempre percorria.
Sonhava um novo universo
que outro antes deste, por certo,
pleno de luzes teria.

A vida – esse dom sublime –
por Ele e n’Ele vibrava,
dava ao Nada algum sentido.
Fazia lembrar um quadro
distante das mãos do artista
e ainda descolorido.

Pois que a noite dominava,
até que o bom Deus com arte,
amor e  sabedoria,
fez eclodir de entre as trevas
esplêndido sol, gigante,
ao qual chamou “Luz do dia”.

Surgiu, assim, a matéria,
como a lava incandescente
no interior de um vulcão.
Estrondo intenso deu corda
ao tempo – o relógio eterno.
E o espaço ocupou-se, então.

Novas estrelas e mundos
e, dentre eles, o nosso
recebem a luz da vida.
Pródiga, a natureza
faz da Terra a jóia ímpar
que Deus, o Ourives, lapida.

E sem que saibamos como,
nem para que, nem por que
chegamos e  d’onde viemos,
ao escrever nossa história,
outros pequeninos deuses
orgulhosos nos fizemos.

O belo planeta azul
é o lar-escola que herdamos. 
Malgrado sofra os reveses
do homem dominador,
devemos confiar, crianças,
que nos governa o Senhor.




segunda-feira, 11 de junho de 2012

O VERBO





 http://israelnava.com/filosofiadigital/wp-content/uploads/2008/09/no-protection-chris-peters-2005-fdr.jpg


“Quod non mortalia pectora coges, auri sacra fames!”
 Virgílio (Eneida, 3. 56-57)*





Esfera azul, jóia imensa,
solitária Terra-Mar,
até quando irás girar?
Um verme voraz te permeia
e a febre que desencadeia
está por te devorar.

Circula nas veias do homem,
mina-lhe os campos da paz.
O verbo vil da avareza
cria esse verme voraz.

Quem poderá salvar-nos
desse mal que nos infesta?
Ah, ânsia de ter e mais ter -
febre funesta -
que apenas no homem
se manifesta!...
  

(Da coletânea "Estado de Espírito", de Sersank)

* Execrável fome de ouro, a que desgraças conduzes os peitos mortais!





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EN ESPAÑOL




EL VERBO



Esfera Azul, joya inmensa, 
solitaria Tierra-Mar, 
¿hasta cuándo volverás? 
Gusano voraz te penetra 
y la fiebre que desencadena 
está a punto de te devorar. 

Fluye por las venas de los hombres,
mina a los campos de paz.
El verme de la avaricia
crea esse verbo voraz.

¿Quién puede salvarnos
de esse mal que nos infesta?
Ah, ansia de  tener
 y aindamáis tener – 
fiebre funesta – 
que sólo en el hombre
se manifiesta! ...


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EN ESPERANTO


LA VERBO



Blua sfero,
grandioza kosma juvelo,
tre soleca Tero-Mar’,
ĉu vi rondiras cele al deklin’?
Voraz vermo vin penetras,
ellasas algidan febron,
kaj baldaŭ devoros vin.

Ĝi sin movas tra l’ homaj vejnoj.
Sur iliaj pacaj kampoj
ĝi kondukas ekstermon.
La verbo de la avareco
naskas ĉi voreman vermon.

Kiu do nin povos savi
de tiu speco da malsano,
jam de multe nin hantanta?
Ho, tia angoro de havi, 
plu kaj plu ĉiam havi -
fatala febro -
sole en la homo 
manifestanta!...


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quinta-feira, 7 de junho de 2012

UM HOMEM MORRE DE FRIO





"E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando
 o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes." 
Mateus 25:40


Nos braços de Morfeu queda a cidade.
Gélida avança a noite sob o vento
Que zune açoites, bravio.
Por leito e barricada andrajos tendo,
Num canto, ao pé de arranha-céu imenso,
Um homem morre de frio...

Agonizando, ali, talvez delire,
Vendo os pedestres últimos, em busca
Do leito morno, macio...
Talvez, sinta-se um deles, por momentos...
Um homem desses, livres das algemas
Do destino. Ah, desvario!...

Morre indigente. Já não mais lhe ocorrem
Reminiscências de melhores dias. 
Não tem mais traços de brio.
Distantes sons de uma boate em festa 
A custo põe-se a ouvir. Perdem-se, agora,
no seu imenso vazio...                 

Nem todos dormem. Ornam-se de luzes
Os altos edifícios.  E eis, um carro
Pára junto ao meio-fio.
Traz de Mammon uns súditos restantes 
Que, indiferentes, tiritando e rindo,
Vão-se com seu vozerio...

Ensaia erguer-se; embalde, embalde tenta...
Thanatos já, movendo as longas asas,
O envolve, terno e sombrio.
À volta, entre as paredes, que ironia:
Há tantos indivíduos que se abraçam
E tanto leito vazio!
                           
Bem cedo hão de encontrar-lhe o corpo, inerte.
Hão de exprobrar-se, por negar-lhe auxílio, 
num gesto inóquo, tardio...
Talvez, alma remida, ao sol do Além planando, 
Não mais proscrita, logo exulte e louve
O Averno da crosta, frio...

“- Coitado!”...  “- Oh, que infeliz!"... “- Quem era ele?"
“- Um ébrio, com certeza". “- Um andarilho."
“- Um réu, talvez, arredio"... 
 Descerrem seus portais, guardiões do Inferno!
 Estendam o seu fogo ao mundo infrene!
 Um homem morre de frio...





sábado, 19 de maio de 2012

LAS NOCHES ACABAN EN DÍA






En español

"La mayor revolución de nuestro tiempo es el descubrimiento de que al cambiarlas actitudes de sus mentes, los seres humanos pueden cambiar los aspectos externos de sus vidas."
   William James
               (Filósofo norteamericano, fundador de la escuela pragmática)



Ni estrellas, ni encuentros, ni sueños
en esa noche tan oscura.
Solo imagenes de otras noches
disipadas en la aventura.  
Riñas de las calles sin salida.
Susurros. Clamores. Risas.
Túrbias y falsas miradas. 
Y disimulados crímenes. 
Pesado en los hombros
un gênio maldito
le gritó: - Vuelve!
Era inútil su grito. 
Lejos de las luces de los burdeles, 
diose cuenta de que era tarde. 
Entonces volver, tonteria.
Al son de sus pasos de agotada fiera,
ladridos de perros evocaban la policía. 
Informes, y ya sin voz, 
con el viento se erguiram sus extintos afectos
de entre las sombras del olvido.
En el viento vagaron, dilapidados,
extractos de sus dramas 
y pasiones sin sentido. 
De ropa vieja, sombrio el semblante,
como avantesma del más allá forajida,
siguió sin volverse un único instante.
 
Así como un soterrado salido del túnel,
bañóse en el sol que muy rojo ya venia.
Nuevo rumbo en el rojo horizonte
aunque arduo seguiria. 

(El libro “Estado de Espírito” de Sergio Sersank)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

AS NOITES ACABAM NUM DIA





"A maior revolução de nossos tempos é a descoberta de que, ao mudar as atitudes de suas mentes, os seres humanos podem mudar os aspectos externos de suas vidas."
                                                            William James
               (Filósofo americano, fundador da escola pragmática)


Em vez de estrelas, recontros
e sonhos, a noite escura
teve imagens de outras tantas
dissipadas na aventura. 
Reixas de esquinas e becos.
Sussurros. Risadas. Brados.
Tredos e turvos olhares.
Delitos dissimulados. 
Pesando-lhe aos ombros,
um gênio maldito
gritara-lhe: - Volta!
Inútil seu grito.
Longe dos lumes dos lupanares,
Sabia ser tarde. Recuar, estultícia...
Ao som dos seus passos de fera exaurida
ladravam os cães, evocando a polícia... 
Ao vento emergiram, informes, calados,
extintos afetos de um tempo esquecido.
Ao vento vagaram, despedaçados,
excertos de dramas, paixões sem sentido. 
De roupa surrada e soturno semblante,
lembrando avantesma do além foragida,
seguiu sem voltar-se, um único instante. 
Qual soterrado que emerge do túnel,
banhou-se do sol que escarlate surgia.
Novo rumo no horizonte,
por mais árduo, seguiria...


(Da coletânea "Estado de Espírito")





domingo, 6 de maio de 2012

SOBRE A ARTE DE VIVER




Imagem:





Que inveja do jardineiro!
Quão terna é a vida que tem!
Dia a dia, o ano inteiro,
nunca uma queixa de alguém.

Velhinho, já sem saúde,
sempre com solicitude,
dos seus canteiros de flores
ao nosso encontro ele vem.

Tem lá consigo suas dores
quem é que, enfim, não as tem?
Todavia, por mais graves,
guarda-as sob sete chaves,
não as revela a ninguém.

Ele sabe: a vida é breve
e é só o amor que a sustém.
Não se escraviza ao dinheiro
e dos vícios se abstém.

Assim, no seu passo leve, 
me vai mostrar um canteiro.
Inveja-me o jardineiro.
Quão terna é a vida que tem!


(Da coletânea "Estado de Espírito" de Sergio de Sersank) 






terça-feira, 1 de maio de 2012

A FOME AFUGENTA O SONO


1º DE MAIO - DIA DO TRABALHADOR







Esse que traz na carne,
da luta pelo pão
as fundas cicatrizes,
não sabe dessas crises
de novo anunciadas
que afetam-lhe, de muito:
as crises inventadas.

Quer mais que essa liberdade
de dormir, de encher a cara,
de ir e vir, sem compromisso,
de cantar uma canção.
Quer mais que esse tosco circo
em que se ri, sem razão.

Mas, nada diz. Não o comove
ver ao alto embandeiradas
as esperanças do povo
em épocas de eleição.

Suporta, pois, em silêncio,
mágoas nunca mitigadas.
E segue. É trabalhador.
Que outra coisa, ele faria?
Ausculta, assim, sua dor
na dor furiosa dos martelos
e foices do dia-a-dia.

Esse que traz na carne,
sem honra, tais cicatrizes,
não sabe falar de crises.
Se soubesse, gritaria.


(Da coletânea "Estado de Espírito", de Sergio de Sersank)


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livro.estadodeespirito@gmail.com

COMENTÁRIO DE ISABEL FURINI, laureada poeta e escritora sobre a obra poética "Estado de Espírito"

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Letra: Sersank (Sergio S. Cunha)
Música: Irineu Santa Catarina


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ESPERANTO: La solvo (A solução)

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EL VIAJE DEFINITIVO - Poema de Juan Ramon Jimenez

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