sábado, 21 de setembro de 2019

SAUDAÇÃO À PRIMAVERA




SETEMBRO

(Minha primeira poesia publicada, escrita aos 17 anos)

Setembro. O inverno termina.
Há flores desabrochando
e pássaros chilreando
nas árvores do pomar.
O céu, diáfano, azul,
tem algo a mais que extasia.
A natureza irradia
cantigas do verbo “amar”.

O mundo se modifica
e exibe ao sol suas cores.
Nos bosques há mais olores,
nas cidades – mais bonança!
De verde estampam-se os prados
e eis de volta a primavera,
prenúncio da nova era
para a qual a gente avança.

Setembro. Mês de sorrisos!
No riacho que desliza,
ao tênue sopro da brisa
e em tudo há versos de amor.
Só os insensíveis não notam
nesses toques de beleza
a oblação da natureza
à glória do Criador.

Setembro...  A história, os anseios
dos heróis da Inconfidência!
O grito da independência,
O verde-louro pendão!
Brasil! ... Nossa brava gente
que sofre e trabalha duro
para colher no futuro
os trunfos da redenção! ...

Setembro... Um mês mais que os outros
repletado de saudade,
recorda a felicidade
de outras vidas que vivi.
Me diz de amizades caras
que espero, um dia, rever
porque me resta dizer:
em setembro renasci...
  

Florestópolis, 3 de setembro de 1970.
(Poema publicado no periódico espírita “O Imortal” da cidade de Cambé-PR, em setembro de 1972)

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Poema para dormir







Imagem disponível no Google


Meditação

 (Sonetilho invertido)

Pesa-me a noite nos olhos,
somada a outras perdidas
sob lâmpadas acesas.

Aprisionado no peito
entre colchas aquecidas
um turbilhão de incertezas.

Apago as luzes do quarto.
Penso um momento em Jesus,
nos vultos todos que estamos
cravados em sua cruz.

Como avançar para a noite
da nossa consumação
sem compreender que sem Ele
a vida perde a razão?


Sersank, 17 jul2019

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Inesquecível, eterno FERNANDO PESSOA



 


Imagem disponível no Google

      A CRIANÇA QUE FUI

Fernando Pessoa

A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.


sábado, 4 de maio de 2019

Em favor das causas dos índios





Imagem do Facebook

DE VOLTA A URIHI
(Pelo transcurso do Dia do Índio, a 19 de abril)

De mui longínquas florestas
vem esse múrmur de rios turvos
com sinfonia de pássaros assustados
uivos, rugidos, vozes
da natureza inquieta.

O vento balouça os meus poucos cabelos
e as copas das árvores.

Lembro Rondon pacificador
entre os Pororos
os irmãos Villas-Boas
nas noites tenebrosas de muitas aldeias.

Em uníssono cantam.
Cantam e dançam os índios
vermelhos do sangue brasileiro
como desafiando os deuses da terra e do espaço:

caingangues
ianomâmis
charruas
tupinambás
tupis
timbiras
guaranis kaiowás
caraíbas
caiapós
tupiniquins
xavantes
goitacazes
carajós
ashanincas
macuxis
ticunas
terenas
guajajaras
bororós
picarrãs
potiguaras
tantas mais.

Cantam mas seu canto é triste.
Das brasas vivas evolam-se os ancestrais.
Estão pintados à guerra.
Rufam como trovões os tambores.

Versos me correm de I-Juca Pirama(*):

“Não temas, meu filho,
não temas que a vida
é luta renhida,
viver é lutar!
Se o duro combate
aos fracos abate,
aos fortes, aos bravos,
só pode exaltar!”


Roubaram-lhes a terra virgem
roubam-lhes
os filhos
a sorte
a história.
Envergonho-me de ser natural de um país
vermelho do sangue indígena.
Um país
que se ergueu sobre as nações
destes valentes filhos da selva
esquecidos
escorraçados
perseguidos
ameaçados.

Um país que agora os humilha e despreza
quando tem para com eles uma dívida impagável.

Homens, mulheres, crianças
na faina de caçar, pescar, colher frutos;
na faina incessante de algo plantar
de algo fazer para ofertar
ou vender aos brancos invasores.

Sempre longe de tudo.

Que os ouçam, neste dia, o mundo inteiro!

Pesar do direito à vida com dignidade
privados de espaço e recursos
e sem os irmãos Villas-Boas
os filhos da Terra de Santa Cruz
esses desconhecidos heróis que a natureza estima
celebram a alegria da paz que lhes é possível em seu meio
mas tentam (como e enquanto podem)
a duras penas
sobreviver.


Sersank, 19abr2019

(*) "I-Juca Pirama" é um poema clássico de Gonçalves Dias, um de nossos maiores poetas.




Nossa Terra-Floresta (Kami Yamaki Urihipë)

Para os Yanomami, ''Urihi'', a terra-floresta, não é um mero espaço inerte de exploração econômica (o que chamamos de “Natureza”) Trata-se de uma entidade viva, inserida numa complexa dinâmica cosmológica de intercâmbios entre humanos e não-humanos. Como tal, se encontra hoje ameaçada pela predação cega dos brancos. Na visão do líder Davi Kopenawa Yanomami:

A terra-floresta só pode morrer se for destruída pelos brancos. Então, os riachos sumirão, a terra ficará friável, as árvores secarão e as pedras das montanhas racharão com o calor. Os espíritos xapiripë, que moram nas serras e ficam brincando na floresta, acabarão fugindo. Seus pais, os xamãs, não poderão mais chamá-los para nos proteger. A terra-floresta se tornará seca e vazia. Os xamãs não poderão mais deter as fumaças-epidemias e os seres maléficos que nos adoecem. Assim, todos morrerão."

Fontes:


POTIGUARAS, TUPINAMBAS, KAYAPOS,CAETES,TUPIS,TUPINIQUINS,PATAXOS,IANOMAMIS,XAVANTES, GUAJAJARAS, TERENAS,MACUXIS, TERENAS,MACUXIS,CAINGANGUES,GUARANIS,TICUNAS,KAIOWAS, JAEXAA PORA.

Dia do Índio

O Dia do Índio, 19 de abril, foi criado pelo presidente brasileiro Getúlio Vargas através do decreto-lei 5 540, de 1943 e relembra o dia, em 1940, no qual várias lideranças indígenas do continente resolveram participar do Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México. Eles haviam boicotado os dias iniciais do evento, temendo que suas reivindicações não fossem ouvidas pelos "homens brancos". Durante este congresso, foi criado o Instituto Indigenista Interamericano, também sediado no México, que tem, como função, zelar pelos direitos dos indígenas na América. O Brasil não aderiu imediatamente ao instituto, mas, após a intervenção do Marechal Rondon, apresentou sua adesão e instituiu o Dia do Índio no dia 19 de abril.

Fonte: 


“(...) os Villas-Boas dedicaram todas as suas vidas a conduzir os índios xinguanos do isolamento original em que os encontraram até o choque com as fronteiras da civilização. Aprenderam a respeitá-los e perceberam a necessidade imperiosa de lhes assegurar algum isolamento para que sobrevivessem. Tinham uma consciência aguda de que, se os fazendeiros penetrassem naquele imenso território, isolando os grupos indígenas uns dos outros, acabariam com eles em pouco tempo. Não só matando, mas liquidando as suas condições ecológicas de sobrevivência.” (RIBEIRO, Darcy. Confissões. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 194)

Os índios

Artigo de jornal da década de 1970
No aspecto dos índios, os irmãos Villas-Boas implantaram uma nova política indigenista, que, basicamente, consiste na defesa dos valores culturais dos índios, como único meio de evitar a marginalização e o desaparecimento dos grupos tribais. A partir da máxima segundo a qual “O índio só sobrevive na sua própria cultura”, os irmãos Villas-Bôas conseguiram implantar uma nova forma de relacionamento entre nossa sociedade e as comunidades indígenas brasileiras. Essa política vem sendo esposada por etnólogos e entidades científicas não só nacionais, como estrangeiras.
Os Villas-Boas mostraram que a antiga visão que a sociedade nacional tinha acerca do índio era absolutamente equivocada. Não se tratava, portanto, de sociedades selvagens, sem regras e sem estrutura social como se narrava na época do Descobrimento do Brasil. A nova imagem do índio, trazida pelos Villas-Bôas à nossa sociedade, era a de uma sociedade equilibrada, estável, erguida sobre sólidos princípios morais e donos de um comportamento ético que sustentava uma organização tribal harmônica. A esse respeito Cláudio Villas-Bôas teria dito certa feita:
(...) “Se achamos que nosso objetivo aqui, na nossa rápida passagem pela Terra, é acumular riquezas, então não temos nada a aprender com os índios. Mas se acreditamos que o ideal é o equilíbrio do homem dentro de sua família e dentro de sua comunidade, então os índios têm lições extraordinárias para nos dar.” Cláudio Villas-Bôas
https://www.youtube.com/watch?v=rr_tyGdscio

“É impagável a dívida social que temos para com o índios do Brasil. Os portugueses colonizadores, os donatários das Capitanias Hereditárias, os Bandeirantes e, depois os invasores de terras, grileiros e outros bichos, quase que dizimaram as nossas nações indígenas, legítimas herdeiras das terras de Santa Cruz. (Sersank) 

Fila de índios se apresentando para a cerimônia do Kuarup

Parqu






Bolsonaro é a ameaça mais séria aos indígenas:
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/bolsonaro-e-a-ameaca-mais-seria-aos-indigenas-desde-a-constituicao-de-1988-avalia-revista-cientifica-britanica/?fbclid=IwAR1Wo8U2PHk6ckjR6NmlBDvHhPg0zQtjeNZNY-iTAMjLzY7FdtW1pupQqnI


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COMENTÁRIO DE ISABEL FURINI, laureada poeta e escritora sobre a obra poética "Estado de Espírito"

http://www.icnews.com.br/2013.03.05/negocios/livros-de-negocios/estado-poetico-de-espirito/

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HINO OFICIAL DE LUIZ ANTONIO

Letra: Sersank (Sergio S. Cunha)
Música: Irineu Santa Catarina


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BEBO PAROLAS EN ESPERANTO

ESPERANTO: La solvo (A solução)

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Veja aqui a NOTA da Prefeitura Municipal de Londrina sobre o lançamento doLivro de SERSANK

http://www.londrina.pr.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17367:sergio-sesank-lanca-estado-de-espirito&catid=88:cultura&Itemid=975

EL VIAJE DEFINITIVO - Poema de Juan Ramon Jimenez