segunda-feira, 13 de outubro de 2014

UM DOS MELHORES POEMAS DE FERNANDO PESSOA

Do Livro 'MENSAGEM- Poemas Esotéricos"


 
ABDICAÇÃO  
Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho... eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mãos viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços
Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.
Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.
Fernando Pessoa, 1913
*  Para melhor compreensão do significado deste belíssimo soneto, leia a seguir a
Carta de Fernando Pessoa ao amigo Mário Beirão, em 01 de Fevereiro de 1913 comentando sobre como escreveu este poema:
“Meu querido Mário Beirão:
Deu-me um grande prazer a sua carta de 25, que há dias recebi. Tinha muita pena, é certo, que v. não me tivesse escrito ainda, mas, como eu também lhe não tinha escrito, não me cabia o direito objectivo de ter essa pena. O pior para mim é que eu, por certo, sinto mais a falta de correspondência que v. Estou, quanto a companhia espiritual e imediata, quase só, se não só em absoluto... Não sou das pessoas menos acompanháveis por si próprias, mas ainda assim — e de vez em quando aborreço-me de não andar senão comigo.
Por isto a sua carta, ainda que breve, me causou uma grande alegria.


Estou atualmente atravessando uma daquelas crises a que, quando se dão na agricultura, se costuma chamar "crise de abundância". Tenho a alma num estado de rapidez ideativa tão intenso que preciso fazer da minha atenção um caderno de apontamentos, e, ainda assim, tantas são as folhas que tenho a encher que algumas se perdem, por elas serem tantas, e outras se não podem ler depois, por mais que com muita pressa escritas. As ideias que perco causam-me uma tortura imensa, sobrevivem-se nessa tortura escuramente outras. V. dificilmente imaginará que a Rua do Arsenal, em matéria de movimento, tem sido a minha pobre cabeça. Versos ingleses, portugueses, raciocínios, temas, projetos, fragmentos de coisas que não sei o que são, cartas que não sei como começam ou acabam, relâmpagos de críticas, murmúrios de metafísicas... toda uma literatura, meu caro Mário, que vai da bruma - para a bruma - pela bruma...


Destaco dessas coisas psíquicas de que tenho sido o lugar o seguinte fenômeno que julgo curioso.
V. sabe, creio, que de várias fobias que tive guardo unicamente a assaz infantil, mas terrivelmente torturadora fobia das trovoadas. Outro dia o céu ameaçava chuva e eu ia a caminho de casa e por tarde não havia carros. Afinal não houve trovoada, mas esteve iminente e começou a chover - aqueles pingos graves, quentes e espaçados - ia eu ainda a meio caminho entre a Baixa e minha casa. Atirei-me para casa com o andar mais próximo do correr que pude achar, com a tortura mental que V. calcula, perturbadíssimo, confrangido eu todo. E neste estado de espírito encontro-me a compor um soneto - acabei-o uns passos antes de chegar ao portão de minha casa -, a compor um soneto de uma tristeza suave, calma, que parece escrito por um crepúsculo de céu limpo. E o soneto é não só calmo, mas também mais ligado e conexo que algumas coisas que eu tenho escrito.
O fenômeno curioso do desdobramento é coisa que habitualmente tenho, mas nunca o tinha sentido neste grau de intensidade.
Como prova do género calmo do soneto, aqui lho transcrevo.
Dê saudades minhas ao Vila-Moura e escreva-me breve e o mais extensamente que puder.
Um grande abraço do seu dedicadíssimo
FERNANDO PESSOA
Rua Passos Manuel, 24, 3.º E.
 
(Carta retirada do livro "Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação", Ed. Ática.)
 
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Fragmento do artigo de Nilza Vianna, Distrito Federal, O Espírita. Nº 47, out. nov./86, Brasília. DF, transcrito no Anuário Espírita 87, (IDE) - Ano XXIV, nº 24, pág. 124)
 

De improviso, Fernando Pessoa compôs este belíssimo soneto, que sintetiza a nossa trajetória pelos caminhos terrenos além dos milênios. 


MEDIUNIDADE :  O PRECIOSO TESTEMUNHO DE FERNANDO PESSOA
Os fenômenos mediúnicos , como sabemos, têm-se manifestado desde os primórdios de nossa civilização e pontificado nas mais diversas áreas do conhecimento humano.
Assumindo conotações as mais variadas, muito embora tenham deixado marcas irrefutáveis ao longo da história, somente com o advento da Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, puderam ser convenientemente analisados, esclarecidos e desmitificados dos aspectos sobrenaturais pelos quais vinham até então sendo conhecidos.
Hoje sabemos, graças à riqueza de esclarecimentos encontrados em O Livro dos Espíritos, entre outros, no Capítulo IX, parte segunda, perguntas n.os 459 a 462, que os espíritos exercem permanente influência em nossos pensamentos e atos, estando até mesmo os homens inteligentes e de gênio, passíveis de receberem idéias e sugestões vindas do invisível.
Dentro dessa premissa, no campo da Literatura, por exemplo, entre os muitos casos que se conhece, julgamos merecedor de destaque especial, como inequívoco patenteador de influenciação espiritual recebida pelo ser humano, o do grande escritor e poeta português Fernando Pessoa (...)
 
 
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domingo, 12 de outubro de 2014

POEMA PARA O DIA DAS CRIANÇAS



     



                                            Imagem disponível no Google


A CRIANÇA QUE FUI

Fernando Pessoa

 
A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.
 
 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 7 de setembro de 2014

Homenagem





by АКО ТЕ ИМА ЛЮБОВ, via Facebook
 





                                  A pátria
                                                                   Olavo Bilac
 
Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!
Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
E um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha ...
Quem com o seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!
Criança! não verás país nenhum como este:
Imita na grandeza a terra em que nasceste!


 
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Biografia de Olavo Bilac

Olavo Bilac (O. Braz Martins dos Guimarães B.), jornalista, poeta, inspetor de ensino, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 16 de dezembro de 1865, e faleceu, na mesma cidade, em 28 de dezembro de 1918. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, criou a Cadeira nº. 15, que tem como patrono Gonçalves Dias.
Eram seus pais o Dr. Braz Martins dos Guimarães Bilac e D. Delfina Belmira dos Guimarães Bilac. Após os estudos primários e secundários, matriculou-se na Faculdade de Medicina no Rio de Janeiro, mas desistiu no 4º. ano. Tentou, a seguir, o curso de Direito em São Paulo, mas não passou do primeiro ano. Dedicou-se desde cedo ao jornalismo e à literatura. Teve intensa participação na política e em campanhas cívicas, das quais a mais famosa foi em favor do serviço militar obrigatório. Fundou vários jornais, de vida mais ou menos efêmera, como A Cigarra, O Meio, A Rua. Na seção “Semana” da Gazeta de Notícias, substituiu Machado de Assis, trabalhando ali durante anos. É o autor da letra do Hino à Bandeira.
Fazendo jornalismo político nos começos da República, foi um dos perseguidos por Floriano Peixoto. Teve que se esconder em Minas Gerais, quando freqüentou a casa de Afonso Arinos em Ouro Preto. No regresso ao Rio, foi preso. Em 1891, foi nomeado oficial da Secretaria do Interior do Estado do Rio. Em 1898, inspetor escolar do Distrito Federal, cargo em que se aposentou, pouco antes de falecer. Foi também delegado em conferências diplomáticas e, em 1907, secretário do prefeito do Distrito Federal. Em 1916, fundou a Liga de Defesa Nacional.
Sua obra poética enquadra-se no Parnasianismo, que teve na década de 1880 a fase mais fecunda. Embora não tenha sido o primeiro a caracterizar o movimento parnasiano, pois só em 1888 publicou Poesias, Olavo Bilac tornou-se o mais típico dos parnasianos brasileiros, ao lado de Alberto de Oliveira e Raimundo Correia.
Fundindo o Parnasianismo francês e a tradição lusitana, Olavo Bilac deu preferência às formas fixas do lirismo, especialmente ao soneto. Nas duas primeiras décadas do século XX, seus sonetos de chave de ouro eram decorados e declamados em toda parte, nos saraus e salões literários comuns na época. Nas Poesias encontram-se os famosos sonetos de “Via-Láctea” e a “Profissão de Fé”, na qual codificou o seu credo estético, que se distingue pelo culto do estilo, pela pureza da forma e da linguagem e pela simplicidade como resultado do lavor.
Ao lado do poeta lírico, há nele um poeta de tonalidade épica, de que é expressão o poema “O caçador de esmeraldas”, celebrando os feitos, a desilusão e morte do bandeirante Fernão Dias Pais. Bilac foi, no seu tempo, um dos poetas brasileiros mais populares e mais lidos do país, tendo sido eleito o “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, no concurso que a revista Fon-fon lançou em 1º. de março de 1913. Alguns anos mais tarde, os poetas parnasianos seriam o principal alvo do Modernismo. Apesar da reação modernista contra a sua poesia, Olavo Bilac tem lugar de destaque na literatura brasileira, como dos mais típicos e perfeitos dentro do Parnasianismo brasileiro. Foi notável conferencista, numa época de moda das conferências no Rio de Janeiro, e produziu também contos e crônicas.

Fonte:
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=445&sid=184

Rui Barbosa: A pátria não é ninguém; são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à ideia,  à  palavra, à  associação.   A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo; é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade.










"A pátria não é ninguém; são todos; e cada qual tem
 no seio dela o mesmo direito à ideia, à palavra, à associação.
A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio,
nem uma forma de governo; é o céu, o solo, o povo, a tradição,
a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados,
a comunhão da lei, da língua e da liberdade. "
Rui Barbosa


 


 


 

TROVAS




 
Imagem do facebook (Desconheço o autor)
 
 
TROBOJ
                                                                        Sersank
 
En esperanto:
 
Jen dilemo de birdet’:
- Kiel flugi sen instru’?
- Kiel reiri al la nest’
antaŭ ol pepi l’ noktu’.
                                       (El la libro “Troboj de Sersank”)
 
 
Em português:
 
Dilema de passarinho:
voar sem ter quem lhe ensine.
E ter que voltar ao ninho
antes que o dia termine.
 
                                       (Do livro “Trovas de Sersank”)
 
 
 
 
 
 
 


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

AULAS DA VIDA



Imagem disponível no Facebook
 
 
Histórias
Poema de Sersank
 


Histórias as mais bonitas
dissolvem-se ao pó das sendas.
São quase sempre mui tristes,
 por vezes se tornam lendas. 
 
 Não raro nem são escritas.
No seio do vulgo ocorrem,
 no seio do vulgo morrem
histórias as mais bonitas.
 
Não se perdem, todavia.
Os seus heróis vão e voltam
como folhas que se soltam
da árvore-mãe que as recria.
 
 Voltam nas aulas da vida,
essa mestra incompreendida
que ora pune, ora premia.
 
No seio do vulgo ocorrem,
no seio do vulgo morrem
as histórias mais bonitas.
Não se perdem, todavia.


 
(Do livro “Estado de Espírito”, Sergio de Sersank, Ed. Íthala, Curitiba-PR: 2013 - Pág. 87)
 
 
“Insondáveis desígnios impulsionam a evolução da Humanidade.”
(Sersank)
 
 
 
 
 
 


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COMENTÁRIO DE ISABEL FURINI, laureada poeta e escritora sobre a obra poética "Estado de Espírito"

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ESPERANTO: La solvo (A solução)

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EL VIAJE DEFINITIVO - Poema de Juan Ramon Jimenez

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