sábado, 4 de junho de 2016

"O CONSOLADOR" - Revista Semanal de Divulgação Espírita




Crônicas e Artigos
Ano 10 - N° 468 - 5 de Junho de 2016



SERGIO DE SERSANK
sergiodesersank@gmail.com
Londrina, PR (Brasil)

 Apelo fraterno


Celso Martins (31/08/1942), escritor, poeta e jornalista carioca bastante conhecido no meio espírita do Brasil e do Exterior em razão de seus inumeráveis artigos, contos, poemas e de uma centena de obras doutrinárias dadas à publicidade a partir do início da década de 70, atualmente aposentado, é um ícone do Movimento Espírita em permanente campanha pelos três E(s) –Evangelho, Espiritismo e Esperanto.(1)

É esperantista desde os 14 anos, tendo se iniciado no estudo da Língua Transnacional com o Professor Adail Cardoso Barbosa (1911-1972), de quem deu, posteriormente, à publicidade, dois livros póstumos. 
Obteve diversas congratulações e prêmios desde os tempos de estudante.
Foi Medalha de Ouro em 1960 pelo Colégio Leopoldo, de Nova Iguaçu (RJ). 
Entre os anos de 1963 a 1966, foi bolsista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (criado por D. João VI em 1808). Ganhava um salário-mínimo, à época, para estudar das 14 às 16h, nos dias úteis. 
Tendo sido agraciado em 1957 com uma bolsa escolar, pelo então Governador Roberto Silveira (1923-1961), que morreu em Petrópolis oito dias depois da queda do helicóptero em que viajava para verificar as áreas inundadas na região serrana do Estado, Celso concluiu em 1960 o 2º grau (antigo Curso Científico) no Colégio Leopoldo (fundado por Leopoldo Machado em 01/02/1930 em Nova Iguaçu). 
Entre os anos de 1963 e 1964 cursou Mineralogia e Petrografia com o geólogo Rui Maurício de Lima e Silva, primo do Duque de Caxias. 
Foi o “Aluno do Ano” em 1966 pela U.E.G.
Diplomou-se em História Natural em 1º lugar, entre 250 alunos, com a média 9,7.
Conquistou o Prêmio Benjamin Constant e o Diploma do jornal Diário Carioca. 
É digno de nota o fato de que sua mãe, Dona Maura, entre os anos de 1954 e 1957, trabalhava como lavadeira para que ele pudesse concluir o curso ginasial. 
Celso Martins formou-se em 26/12/1966 pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Guanabara e posteriormente licenciou-se em Pedagogia.
Foi Professor de Biologia e de Física na cidade do Rio de Janeiro, tendo lecionado desde março de 1960 em diversas escolas, inclusive na PUC.
Em 18 de julho de 1969 casou-se com a Professora Neli Tavares (30/04/1941) com quem teve um casal de filhos (Celso e Silvana) que, como os pais, optaram pela carreira no Magistério, e ambos estão em atividade na Capital do Rio. 
Além de suas atividades de escritor e jornalista, Celso Martins divulgou o Espiritismo na tribuna, pela Rádio Rio de Janeiro e pela TV Bandeirantes.Proferiu inumeráveis palestras em casas espíritas de diversos estados. Foi também por três vezes conferencista convidado da FEB – Federação Espírita Brasileira quando a sede da Casa-Máter do Espiritismo no Brasil se localizava na Avenida Passos, 30 – centro do Rio.
Em 18 de janeiro de 2010 sua esposa regressou ao Mundo Espiritual.
Atualmente, graças aos parcos recursos de sua aposentadoria, após 40 anos de magistério, ocupa um modesto aposento na: 
Clínica de Repouso “Aconchego da Digna Idade”
Rua 22 de novembro, 284 - Bairro Fonseca
CEP 24120-049
Niterói – RJ
Telefones: (21) 3619-1083 e 2627-8383. (Ligar de preferência à noite por volta das 21h00.)
Celso Martins, vale lembrar, sempre doou os direitos autorais de suas obras a Instituições Assistenciais, como o Lar da Caridade, de Uberaba – (MG), popularmente conhecido como Hospital do Fogo Selvagem, especializado no tratamento do “Pênfigo foliáceo”, doença cujos sintomas são de labaredas na pele e que deixa marcas idênticas às provocadas por queimaduras. Essa honorável Instituição foi fundada em 1957 pela benemérita Sra. Aparecida Conceição Ferreira, antiga enfermeira da Santa Casa de Uberaba. Por falta de leitos naquele Hospital a bondosa servidora acolhia os doentes em sua própria casa e deles cuidava com abnegação e desprendimento. Foi grande amiga de Chico Xavier. Sua desencarnação se deu no final de 1999, aos 95 anos.
Celso, agora com a saúde um tanto debilitada e algo entristecido pela falta da Neli que lhe foi durante muitos anos esposa, amiga e companheira nas múltiplas atividades de professor, escritor e conferencista, continua a escrever. Mas prefere fazê-lo a lápis porque não domina bem o computador. 
Deixamos aqui uma sugestão aos espíritas de todo o Brasil, especialmente aos seus leitores, aos que puderam ouvi-lo em palestras edificantes ou tiveram o privilégio de conhecê-lo pessoalmente: poderíamos surpreendê-lo agradavelmente com um telefonema, o envio de um cartão postal, um livro qualquer, uma simples carta ou mesmo um bilhete transmitindo abraços.  O que acham disso? 
Não esqueçam, porém, os interessados em obter carta-resposta de enviar-lhe envelopes e selos postais para isso. Dada a sua atual dificuldade de locomoção, Celso teria dificuldade em adquiri-los. Mas tenham a certeza de que vocês serão brindados com as alegres e fraternais palavras de estímulo desse brilhante professor e sempre admirado escritor espírita. 

(1) Obras de Celso Martins: 

1. SUSPIROS DE UM CORAÇÃO – Sonetos. 1970. Esgotado.
2. LIRA DE DOIS CORAÇÕES - (Com André Fernandes), Pongetti, 1972. Esgotado.
3. ESTUDOS DOUTRINÁRIOS – Ensaios. 1972. Esgotado.
4. GRÂNULOS DE AREIA – Trovas, 1973. Esgotado.
5. BIOGEOGRAFIA E ECOLOGIA – Livraria Nobel, 1973. (Premiado pelo MEC).
6. CÂNTICOS DO CORAÇÃO, in “Nossas Poesias”, Coletânea de Aparício Fernandes. Sonetos, 1974.
7. EXERCÍCIOS DE BIOLOGIA – (Com Antonio Sobreira), Forense Universitária (RJ).
8. POR UM MUNDO MELHOR – Egetal, Taubaté (SP), 1975. Edicel.
9. A DELICADA QUESTÃO DA VIDA - Edicel, 1976.
10. ESPIRITISMO E VIDAS SUCESSIVAS – (Ensaios) –Ed. Eco, Rio de Janeiro, 1976.
11. CANTOS E CONTOS, Edição do Instituto Maria, Juiz de Fora (MG).
12. TÉCNICAS GERAIS DE LABORATÓRIO - (Com Antonio Sobreira e José de Almeida Leão), Ed. Edart, S. Paulo, 1980.
13. MENSAGEM DE ESPERANÇA – Ed. ABC do Interior, Conchas (SP), 1982.
14. A MENSAGEM DO ESPIRITISMO – (Com Aureliano Alves Netto), Ed. ABC do Interior, Conchas (SP), 1982.
15. A OBSESSÃO E SEU TRATAMENTO ESPÍRITA – Edicel, 1982.
16. PONTO DE ENCONTRO – (Com Deolindo Amorim), Ed. ABC do Interior, 1983.
17. CAMINHO DE LUZ - (Com Aureliano Alves Neto), Ed. ABC do Interior, 1983.
18. NA ROTA DO ANO 2000 - (Com Antônio F. Rodrigues), Ed. ABC do Interior, 1984.
19. NOVOS TEMPOS – (Com S. Xavier e Rodrigues de Camargo), Ed. Do Lar, 1985.
20. NOÇÕES FUNDAMENTAIS DO ESPIRITISMO – (Com Augusto Marques de Freitas), Tecnoprint, Ediouro, 1986.
21. O SEXO E O AMOR EM NOSSAS VIDAS, ABC do Interior, 1986.
22. RECORDANDO DEOLINDO AMORIM – Ed. ABC do Interior, 1989.
23. ANTE O TERCEIRO MILÊNIO – Ed. ABC do Interior, 1990.
24. ALMANAQUE DO LAR - (Com Neli Tavares Martins), Ed. ABC do Interior, 1991.
25. SEXO, AMOR E EDUCAÇÃO – Ed. EME, 1993.
26. PÁGINAS ESPÍRITAS – Ed. EME, 1994.
27. PERGUNTAS QUE O POVO FAZ – Ed. EME, 1995.
28. PROBLEMAS ESPIRITUAIS, COMO RESOLVÊ-LOS? Ed. EME, 1995.
29. TAMBÉM QUERO SABER – Ed. Universalista, 1995, Londrina – (PR).
30. AS DROGAS E OS NOSSOS FILHOS – Editor Carlos Neider, Sepetiba, (RJ).
31. NA ERA DA GLOBALIZAÇÃO – Ed. Mnêmio Túlio, 1997.
32. MEDIUNIDADE AO SEU ALCANCE – Ed. EME, 1997.
33. VITAMINAS PARA O CORAÇÃO – Ed. Otimismo, 1998.
34. RESPINGOS DE ESPERANÇA – Ed. DPL, 1998.
35. ANINHA VIROU ANITA – Ed. A Notícia, 1999.
36. NAS FRONTEIRAS DA CIÊNCIA – Ed. DPL, 2001.
37. TÓPICOS DE BIOÉTICA – Ed. DPL, 2001.
38. AS PREPOSIÇÕES EM ESPERANTO – Liga Brasileira de Esperanto.
39. O ACUSATIVO E A VOZ PASSIVA EM ESPERANTO – Ed. F. V. Lorenz, 2001.
40. ESPIRITISMO – OBRA DE EDUCAÇÃO (Lembrando Leopoldo Machado).
41. POR QUE NÃO SER FELIZ? – Ed. Ícone, 2002.
42. ANTES QUE ME ESQUEÇA (Com Victorino Elóy dos Santos).
43. COMO ENTENDER O ISLAMISMO? – Sobre a destruição das duas torres do World Trade Center. T. C. (EEUU), Ed. DPL, 2003.
44. RELACIONAMENTOS ENTRE PAIS E FILHOS – Ed. DPL, 2003.
45. RELACIONAMENTO A DOIS - Ed. DPL, 2005.
46. TRÊS ESPÍRITAS BAIANOS – Ed. Madras, 2005.
47. E O MUNDO NÃO ACABOU – Ed. Léon Denis, 2006.
48. MINHAS MEMÓRIAS ALHEIAS - (ICEB Edições, 2008).
49. SEXO, AMOR E EDUCAÇÃO – Ed. EME.
50. CABOCLOS, ÍNDIOS, PRETOS-VELHOS E OUTROS ASSUNTOS - Ed. EME.
51. O CREPÚSCULO DO SÉCULO XX - Ed. EME.
52. É POSSÍVEL SER FELIZ (Contos e Crônicas) - (Livro de bolso) - Ed. EME.
53. O ESPIRITISMO E OS PROBLEMAS DA HUMANIDADE - Ed. EME.
54. MENSAGEM DE ESPERANÇA - Ed. EME, reedição.

55. UM POUCO MAIS SOBRE MEDIUNIDADE - Ed. EME.

56. VIOLÊNCIAS, PENA DE MORTE E OUTROS DRAMAS – Ed. EME.

57. UMA SURPRESA PARA VOCÊ – (Com Neli T. Martins), Ed. EME.

58. UM PRESENTE PARA VOCÊ – (Com Neli T. Martins), Ed. EME.

59. UM BRINDE PARA VOCÊ – (Com Neli T. Martins), Ed. EME.

60. A VIDA E A ALMA DOS ANIMAIS – Ed. DPL, 2005.

61. UM LAR FELIZ – (Livro de Bolso) 

62. VALE A PENA LER DE NOVO – Ed. EME.

63. PARA ENTENDER... ESPIRITISMO - Ed. EME.

64. PARA ENTENDER... MORTE - Ed. EME.
65. CENTRO ESPÍRITA – DIRETRIZES BÁSICAS E UNIFICAÇÃO – Ed. EME.
66. CENTRO ESPÍRITA – ATENDIMENTO FRATERNO E APLICAÇÃO DO PASSE - Ed. EME.

67. ASCENSÃO ESPIRITUAL - Ed. EME.

68. MENSAGENS EM PROSA & VERSO (Com Francisco Pessolano Junior) - Ed. EME.
69. GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA (Com Celso de Oliveira), 2005.
70. COMO ENTENDER A MEDIUNIDADE – (Livro de bolso)
71. COMO ENTENDER A MORTE -(Livro de bolso)
72. COMO ENTENDER O ESPIRITISMO - (Livro de bolso)
73. DOAÇÃO DE ÓRGÃOS – Ed. DPL.
74. ABORTO – Ed. DPL.
75. DEFICIÊNCIAS FÍSICAS E MENTAIS - Ed. DPL.
76. A PENA DE MORTE - Ed. DPL.
77. O SUICÍDIO - Ed. DPL.
78. NOTÍCIAS DO MUNDO REAL – Ed. (?)
79. NOVAS NOTÍCIAS DO MUNDO REAL – Ed. (?)
80. ORVALHO DE LUZ - Ed. Universalista, Londrina – (PR).
81. JANELA ABERTA PARA O MUNDO - Ed. Universalista, Londrina – (PR).
82. COLAR DE PÉROLAS (Com Antonio Fernandes Rodrigues) 
83. TEMAS E POEMAS (Com Oswaldo Motta) 
84. MENSAGENS DIVINAS PARA O DIA A DIA 
85. MENSAGEM EM PROSA E VERSO (Com Francisco Pessolano Junior) 
86. OS TEMPOS MUDARAM. MUDE OS SEUS CONCEITOS –
87. REUNIÕES MEDIÚNICAS (Com Rubens Braga)
88. O ESPIRITISMO, A IGREJA E OUTROS TEMAS – (Com Aureliano Alves Netto)
89. DO ORGULHO À HUMILDADE – (Novela)
90. UM IDEAL E UMA PAIXÃO – (Esperanto e Espiritismo)
91. COISAS DESTE E DO OUTRO MUNDO (Com Aureliano Alves Netto e João Carlos Moreira Guimarães)
92. SEMEANDO IDEIAS (Com Deolindo Amorim)
93. CENTRO ESPÍRITA – DIRETRIZES DOUTRINÁRIAS (Com Rubens Braga)
94. ABORTO, SUICÍDIO, PENA DE MORTE E EUTANÁSIA
95. AS DROGAS E SUAS CONSEQUÊNCIAS 
96. PELOS CAMINHOS DA VIDA (Com Aureliano Alves Netto e João Carlos Moreira Guimarães)
97. O CENTRO ESPÍRITA – APLICAÇÃO DO PASSE (Com Rubens Braga)
98. JANELA ABERTA PARA O MUNDO (Com Aureliano Alves Netto e João Carlos Moreira Guimarães) - Ed. Universalista, Londrina – (PR), 1997.

99. CONTANDO HISTÓRIAS - Ed. EME.


Livros organizados por Celso Martins: 

01. PONDERAÇÕES DOUTRINÁRIAS – (Artigos de Deolindo Amorim)- FEB, 1989.
02. UMA NOVA ERA (Deolindo Amorim, obra póstuma) – Ed. Lorenz.
03. ANÁLISES ESPÍRITAS - (Deolindo Amorim, obra póstuma) – Ed. F.E.B.
04. A VOZ DA EXPERIÊNCIA – Vila Velha (ES).
05. ACREDITE SE QUISER: ENTRE AS PEDRAS NASCEM FLORES (Adail Cardoso Barbosa, obra póstuma)
06. ETERNO AMOR E OUTROS CONTOS – (Adail Cardoso Barbosa, obra póstuma).
07. O ESPIRITISMO E AS IGREJAS REFORMADAS (De Jayme Andrade, Org. de Celso Martins).

Sergio de Sersank é autor do livro “Estado de Espírito” (Ed. Íthala, Curitiba, 2013).

POLÍTICA E CULTURA






quinta-feira, 19 de maio de 2016

BIBLIOTECA DIGITAL LUSO BRASILEIRA




Biblioteca Digital Luso-Brasileira

Real Gabinete de Leitura

Brasil e Portugal têm acervo online das bibliotecas nacionais
Fruto de uma parceria entre a Biblioteca Nacional
 do Brasil e a Biblioteca Nacional 
de Portugal,  a Biblioteca Digital Luso-Brasileira (BDLB) 
já esta acessível 
ao público na internet.







O acervo está reunido no portal
 Biblioteca Digital Luso-Brasileira,
disponível desde de 10 de maio (2016),
 com mais de 2 milhões de documentos, 
sob domínio público, de várias épocas e
 gêneros. Entre eles, a primeira edição de Os Lusíadas, 
de Luís de Camões, de 1572, e a Carta 
de Abertura dos Portos, de 1808, assinada pelo príncipe regente, 
Dom João de Bragança, 
quatro dias após a chegada da família real à Salvador.
 Inclui ainda os originais da
 Torre do Tombo, que guarda arquivos históricos 
das navegações e da chegada dos
 portugueses ao Brasil, em Lisboa, já é possível
 sem precisar cruzar o Oceano Atlântico.
O acervo da Biblioteca Luso-Brasileira conta também 
com obras de 30 instituições de
 Portugal e mais 20 do Brasil, incluindo o Real Gabinete de Leitura,
 fundado por imigrantes
 portugueses no Rio, em 1837. O prédio é tombado pelo 
Instituto do Patrimônio Estadual.
Esta é a primeira vez que bibliotecas de países de
 língua portuguesa se juntam para 
disponibilizar seus acervos conjuntamente e buscam
 se igualar a outras iniciativas
 mundiais. Na Europa, a Biblioteca Digital Europeia – Europeana,
 tem o maior acervo 
digital do mundo, com mais de 53 milhões de títulos entre livros, 
desenhos, pinturas, 
mapas, vídeos e fotos.
De acordo com a coordenadora, o próximo passo é
 integrar acervos de países de língua 
portuguesa de outros países e o primeiro deve ser Moçambique.
 “Eles já vieram
 aqui fazer um estágio e, provavelmente, serão os primeiros
 a se juntar nesta iniciativa”.
 A Biblioteca Digital Luso-Brasileira foi concebida em software livre.
---
Fonte: Agencia Brasil | Biblioteca Nacional do Brasil
© Pesquisa e organização: Elfi Kürten Fenske
____
Página atualizada em 17.5.2016




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desde que citada a fonte, excetuando os casos especificados em contrário.
 Direitos Reservados © 2016 Templo Cultural Delfos


segunda-feira, 9 de maio de 2016

CONSCIENCIOLOGIA





https://www.youtube.com/watch?v=1mWkdBCb0oU

Waldo Vieira


O Professor Waldo Vieira nasceu na cidade de Monte Carmelo no dia 12 de abril de 1932. Ao longo da vida ele acumulou em seu currículo as profissões de lexicógrafo, dentista e médico, consagrando-se também como importante médium brasileiro. Ao completar nove anos ele se dedica a estruturar sua primeira biblioteca. Já aos 14 anos ele relata pelo menos 50 eventos mediúnicos e se dá conta do valor do desdobramento espiritual, também denominado projeção. Devota-se então à pesquisa deste tema e, aos 17 anos, elabora várias deduções e organiza significativas referências bibliográficas.
Para concluir suas graduações em Odontologia e em Medicina, na cidade mineira de Uberaba, onde reside nesta época, ele trabalha incansavelmente, e ao mesmo tempo cria variados artigos e obras referentes ao Espiritismo. Neste mesmo período, Waldo conhece Chico Xavier, o médium brasileiro mais importante, e desta parceria resultam várias obras, especialmente a saga psicografada do espírito André Luiz, produzida de 1950 a 1960.
De 1959 a 1966 ele reserva um vasto espaço de sua casa para montar sua biblioteca particular, e simultaneamente se esmera na prática da caridade. Em 1966 ele abandona a militância espírita e se converte em estudioso autônomo, fixando-se na cidade do Rio de Janeiro, aí permanecendo até 1978. Um ano depois, ele publica Projeções da Consciência – Diário de Experiências Fora do Corpo Humano.
Em terras cariocas ele chama a atenção do mundo para suas pesquisas no campo das vivências fora-do-corpo e da Projeciologia, partindo do ponto de vista que estas experiências são fundamentais para a construção da consciência plena. No ano de 1981 o professor torna-se co-fundador do Centro da Consciência Contínua, instituição especializada em investigar estes fenômenos e as condições alteradas da consciência.
Waldo tem um vasto currículo: realizou sua pós-graduação no campo de Plástica e Cosmética, em Tóquio, capital japonesa; escreveu vários tratados, vinte livros e inúmeros artigos sobre Projeciologia e Conscienciologia; integra a Society for Psychical Research, fundação londrina, e a American Society for Psychical Research, de Nova York; co-fundou o Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia (IIPC), o Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (CEAEC), a International Academy of the Consciousness (IAC), a Associação Internacional para Evolução da Consciência (ARACÊ), a Organização Internacional de Consciencioterapia (OIC) e a Associação Internacional de Inversão Existencial (ASSINVÉXIS).
Seu tratado Panorama das Experiências Fora do Corpo Humano, publicado em 1986, ocupa as prateleiras das principais bibliotecas mundiais e oferece 1907 menções bibliográficas universais sobre a Projeciologia, consagrada como ciência a partir da difusão desta obra. Outro trabalho, 700 Experimentos da Conscienciologia, lançado em 1994, consolida a Conscienciologia como disciplina científica.
Em 1996, Waldo concretiza importante doação ao Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (CEAEC), sua própria biblioteca, que contém o mais vasto panorama mundial sobre a Projeciologia. No início do novo milênio o professor se transfere para Foz de Iguaçu, devotando-se a partir daí a um empreendimento grandioso, a elaboração da Enciclopédia da Conscienciologia - seu primeiro volume é publicado em 2006.
Em 2001 ele é incluído pelo International Biographical Center, de Cambridge, Inglaterra, no rol dos Intelectuais do Século XXI. Seu tratado mais novo, lançado em 2006, é intitulado Homo Sapiens Pacificus, e é considerado um dos melhores compêndios sobre Cosmoética ou Ética Cósmica.
Fontes:

09mai2016




terça-feira, 3 de maio de 2016

Revista Cultural CAZEMEK



 
» » SERGIO DE SERSANK: TROVAS

TROVAS


-I-

Enquanto corre a pilhéria
nos mais altos patamares,
embaixo ronda a Miséria
e arrasa os humildes lares.

Arte Digital de Carlos Zemek



-II-

Imagem que toca a gente
e nos anima na luta:                                       
árvore ao sol inclemente,
já velha e ofertando fruta.






-III-

No instante em que o dedo lanças
sobre indefesa formiga,
tocas o etéreo e alcanças
a teia que a tudo liga.


                   -IV-
Por riqueza a isto chamo:
paz no lar.  Nisto me empenho.
Não tenho tudo o que eu amo,
mas amo a tudo que tenho.


- V -

Naus ao vento - grandes vidas
vemos no tempo passar,
mesmo a cacos reduzidas,
a cacos cruzam o mar.

           

    -VI-

Não sei qual a mais pungente
Das saudades que hoje sinto:
Se a do extinto amor, recente,
Se a do antigo amor, extinto.

Sergio de Sersank


(Do livro “Trovas de Sersank”, a sair)



Visite o Blog do Carlos Zemek
 http://revistacazemek.blogspot.com.br/2016/05/sergio-de-sersank-trovas.html


sábado, 2 de abril de 2016

LEOPOLDO MACHADO, Uma vida a serviço do Espiritismo


LEMBRANDO LEOPOLDO MACHADO


Por Celso Martins (*)


No mês de setembro deste ano de 2016 a família espírita comemora o 125º aniversário de nascimento do saudoso Professor Leopoldo Machado Barbosa de Souza, um dos mais incansáveis batalhadores da causa espírita em nosso país.
Leopoldo nasceu em 30 de setembro de 1891 em Cepa Forte, interior da Bahia e desencarnou em Nova Iguaçu (RJ) na noite do dia 22 de agosto de 1957. Percorreu o Brasil, com diversos confrades, pregando a Doutrina Espírita e defendendo-a dos ataques dos opositores. Esse movimento de alta significação espiritual, denominado “Caravana da Fraternidade”, decorreu do “Pacto Áureo” da F.E.B. e teve como objetivo aproximar todos os espíritas do País.
 Escreveu em diversos jornais e revistas. Sempre incentivou os jovens. Foi um dos principais organizadores do I Congresso de Mocidades e Juventudes Espíritas do Brasil, reunido no Rio de Janeiro, então Capital Federal, em 1948. Embora tenha frequentado por pouco tempo a escola primária, escreveu vários livros, como por exemplo, obras de poesias (“Saudades” - 2 séries; “Idéias” e “Iluminação”), obras de teatro (“Teatro Espiritualista” – 2 séries, e “Teatro da Mocidade), obras de contos (“Para o Alto”, “Prosa de Calibam”, “Para a frente e para o Alto”), obras de polêmica ( “Julga leitor por ti mesmo”, “Sensacional Polêmica” e “Pigmeus contra Gigantes”), obras de relatos de viagens (“Caravana da Fraternidade” e “Ide e Pregai”), estudos doutrinários, como por exemplo “Natal dos Cristãos Novos”, “Nada lhe é no Momento Maior”, “Cruzada de Espiritismo de Vivos”, “Observações e Sugestões”. Teve também editado em Lisboa, Portugal, o livro “Espiritismo e Cientismo”. Defendeu teses, dentre elas, “Brasil, berço da Humanidade” e “Espiritismo: Obra de Educação”. Legou-nos livros de biografias como “Graças sobre Graças”, acerca de sua esposa, “Uma Grande Vida”, sobre Cairbar Schutel, aliás outro incansável batalhador, residente em Matão (SP) onde, dentre outros feitos, fundou e dirigiu “O Clarim” e a “Revista Internacional de Espiritismo”, ambos em circulação até hoje.
Leopoldo Machado legou-nos ainda o livro “Caxias – Eminente Iguaçuano”, tendo sido esta a sua última obra. Com ela foi admitido e tomou posse na Cadeira nº 1 da Arcádia Iguaçuana de Letras na noite de 15 de novembro de 1956.
Em 1930, com apoio da esposa Marília Barbosa, instalou em Nova Iguaçu o Colégio Leopoldo, nome dado em homenagem ao príncipe belga, futuro Rei Leopoldo III, que visitava o país. Foi o 1º Estabelecimento de Ensino Secundário particular reconhecido pelo MEC – Ministério da Educação e Cultura. Em 1942, Leopoldo Machado criou o “Lar de Jesus” destinado ao amparo de meninas carentes.
Destacou-se ainda como presidente do Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade”, o centro mais antigo da cidade, fundado em 18 de julho de 1920, ao lado do qual instalou o Albergue Noturno Allan Kardec e a Escola de Alfabetização João Batista. Aí tive o prazer de conhecê-lo, adolescente, em 1954.
De parceria com Oli de Castro, escreveu a letra do Hino “Canção da Alegria Cristã”, muito conhecida no meio espírita do Brasil.
Leopoldo Machado, com Alziro Zarur, figura entre os fundadores da LBV – Legião da Boa Vontade, surgida em 1º de janeiro de 1950.
No ano em que renasceu Leopoldo Machado também vieram ao mundo corpóreo outros vultos espíritas do Brasil, como Artur Lins de Vasconcelos Lopes e Ismael Gomes Braga.
Lins de Vasconcelos criou, com Henrique de Andrade, em 1932, o Jornal “Mundo Espírita”. Desencarnou em São Paulo, em 1952 e foi sepultado em Curitiba, cidade que muito amou.
Ismael Gomes Braga foi um dos mais destacados esperantistas do Brasil. Autodidata, era professor de línguas antigas e modernas. Também atuou como jornalista, tendo colaborado na Imprensa leiga e em quase todos os jornais espíritas da época, tanto no Brasil, como em outros países, dando inclusive diversas entrevistas. Desencarnou em 18 de janeiro de 1969 na cidade do Rio de Janeiro.

(*) Celso Martins é professor aposentado, poeta, escritor e palestrante espírita. É autor de dezenas de obras doutrinárias e algumas didáticas, além de membro emérito da Liga Brasileira de Esperanto.




Professor LEOPOLDO MACHADO

O Professor Leopoldo Machado nasceu em 30 de setembro de 1891, no Arraial de Cepa Forte, hoje Jandaíra, ao norte do Estado da Bahia, quase nos limites com Sergipe. Era o mais novo de seis filhos do casal Eulálio de Souza Barbosa e Ana Isabel Machado Barbosa: João Leopoldo José, Emílio, Reginaldo e, Leopoldina. Só foram conhecidas as datas de nascimento de todos com o retorno do pai, do Amazonas, para onde houvera fugido por motivos políticos, quando Leopoldo ainda contava uns cinco anos de idade. Sua mãe era alva, quase ruiva, enquanto o pai era caboclo amulatado, meia estatura, forte e áspero no trato, mas, segundo o próprio filho, com um ótimo coração.

Com um ano de idade aproximadamente, após comer um prato de farinha com ovo quente, uma tia, de prenome Odília, meteu o pequeno Leopoldo em um banho frio, o que o fez estuporar. Durante dois anos oscilou entre a vida e a morte e, por fim, foi desenganado pelo médico. Era caso para poucos dias; até encomendaram o caixão. Um curandeiro chamado Ernesto, sabendo da situação precária da criança, propôs a seu pai: - Se o menino vai morrer, não custa nada ao senhor dar-lhe um remédio meu. Quer experimentar? Se ele morrer, não há de ser por meu remédio... Este continha uma mistura de purga do campo e jalava. O remédio foi ministrado e recuperou-se Leopoldo. O médico, vendo-o curado, comentou:- Para o pai e a mãe dele, seria preferível que ele tivesse morrido. Será o idiota da família, de uma estupidez sem nome. Não passará do a. b. c.. Evitem, quando puderem, aborrecê-lo para evitar crises terríveis. Os conselhos do médico só serviram para que ele levasse uma infância livre das punições, fazendo tudo o que bem entendia. Leopoldo, anos depois, comentava: - Ser espírita é ser louco... - Por mais que a gente goste de uma pessoa, morreu acabou, que não me apareça de forma nenhuma. Deus me livre do espírito de quem morreu... 

Em Salvador mais uma vez, de volta do Interior, ficou toda a família na Ladeira da Montanha. Num edifício que dava os fundos para a residência de Leopoldo, realizavam-se, regularmente, sessões espíritas, a portas e janelas fechadas. Uma noite, um Espírito fez mover-se um piano, volitar no ambiente, abrirem-se as janelas, sair do último andar e pousar bem tranquilo lá embaixo, na rua. Depois, tiveram de subir com o pesado instrumento, auxiliado por guindastes e com o concurso de muitos crioulos peritos em transportes de pianos. Leopoldo Machado foi, na adolescência, muito católico, a ponto de desejar ser padre, depois de ter sido sacristão. Foi o único membro da família que estudou o catecismo católico espontaneamente. Os irmãos troçavam de seus pendores religiosos só para o verem irritado e agressivo. Fez a primeira comunhão a 8 de dezembro de 1904. Tornando-se íntimo das sacristias, veio a se decepcionar com os sacramentos pagos, as confissões, as pendências e o misticismo da Igreja Católica. Ao conhecer a história da Inquisição, já bastante desiludido, abandonou o Catolicismo. 

Em seguida, passou a ler a Bíblia por influência de Uriel, um vizinho que lhe ensinou o ofício de sapateiro. Mas não passou do Velho Testamento. Ao encontrar um “Deus” rancoroso e vingativo, perdeu a fé. Além disso, a posição inflexível do Protestantismo lhe deixou ainda mais descrente. Permaneceu ateu por vários anos. Conheceu outros cultos e doutrinas que muito o impressionaram, como o Positivismo e o Budismo. Leopoldo Machado, com a sua família, passou a residir na Rua dos Artistas, vizinho a uma família de operários – os Cerqueira Campos. Uma das moças – a Doriana – passou a ver espíritos e a dizer bobagens. Os parentes não entenderam o fenômeno e a enviaram para o Asilo São João de Deus. A Rua dos Artistas fica em Plataforma, bairro proletário do subúrbio de Salvador, construído pela Companhia Progresso Industrial da Bahia, defronte da península itapagipana. Quando de retorno a Salvador, em visitas nos anos de 1940 e 1950, Leopoldo Machado fez questão de mostrar, aos companheiros de outros Estados o local de sua infância: Zona de praia, luz de candeeiro, água só de bica e apanhada na lata. Foi no Hotel Central, de quarta ou quinta categoria, na Rua do Julião em Salvador, depois zona de meretrício, que Leopoldo tomou gosto pelas leituras. Foi sua escola superior, segundo o próprio Leopoldo. Lá conheceu o garçom Joaquim de Souza Duarte que o ensinou a declamar e apreciar a Literatura. Da mesma forma o influenciou para o Espiritismo, pois que foram muitos os casos espíritas ouvidos nesse hotel. De tal maneira Leopoldo se interessou pelo assunto que, certa feita, num sebo da Rua do Colégio, comprou três livros espíritas: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e O Céu e o Inferno, edições do cinquentenário da Federação Espírita Brasileira. Comprou-os e guardou-os para leitura em oportunidade futura. Um dia hospedou-se no Hotel Central, um amazonense católico que, não tendo como pagar a conta, foi socorrido por Leopoldo Machado que se responsabilizou pelo débito. Grato pela gentileza, o amazonense retribuiu-o com um exemplar de O Evangelho Segundo o Espiritismo. De volta a Salvador, retornando de sua primeira viagem ao Rio de Janeiro, conheceu um homem chamado Viriato que se tornaria seu amigo. Viriato era médium, mas nada sabia de Espiritismo, todavia conhecia espíritas como José Petitinga de quem ele falava com admiração e quem Leopoldo Machado desejou, ansiosamente, conhecer. Uma tarde, José Petitinga apareceu no 4º Armazém das docas de Salvador à procura de Viriato e, da mesma forma, desejoso de conhecer Leopoldo, convidando-o, enfim, para ir à sua casa. Leopoldo Machado dedicava-se à declamação, ao canto e à dança. Frequentava, por isso, os saraus promovidos por várias famílias respeitáveis de Salvador àquela época, e uma delas passou a ser a de José Petitinga, então presidente da União Espírita da Bahia. Foi nesse período que conheceu outro ilustre espírita: Manuel Quintão. Durante o dia, Leopoldo Machado permanecia nas docas, em trabalho que ele considerava humilhante; à noite, transformava-se em outro homem: secretário do Grêmio Literário da Bahia, colaborando em revistas e recebendo críticas elogiosas de acadêmicos de Salvador, figurões da literatura. Leopoldo se escondia quando algum deles aparecia nas docas. Jeuville Olivier foi pseudônimo adotado por Leopoldo Machado. Com ele, publicou produções em periódicos baianos e de fora, como O Malho, do Rio de Janeiro. Affonso Ruy teceu críticas elogiosas aos versos de Leopoldo Machado. 

Certa noite, José Petitinga convidou-o para uma reunião mediúnica em sua casa e emprestou-lhe, na ocasião, um livro de Poesias de Amaral Ornelas que era amigo e colega de repartição de um baiano radicado no rio de Janeiro: Carlos Imbassay. Este lhe escreveu uma carta que lhe apresentava seu romance “Leviana”, solicitando-lhe a opinião. Leopoldo Machado escreveu sobre a obra no Diário da Bahia, uma apreciação que não agradou ao autor, a respeito de uma determinada censura que havia no livro sobre uma reunião espírita. Leopoldo Machado, espírita recente e entusiasmado, não concordou com o conterrâneo. Trocaram cartas e, em uma delas, Carlos Imbassay dizia que não era espírita e Deus o livrasse do Espiritismo. Leopoldo Machado não teve argumentos para revidar. Ainda não possuía o devido conhecimento para debater com um adversário de tal envergadura. Mal adivinhavam, à época, que Carlos Imbassay se tornaria espírita e, não somente isso, o mais brilhante escritor e polemista espírita do Brasil. Leopoldo Machado e José Petitinga se tornaram, a cada dia, mais amigos. E é Leopoldo que narra: A convivência com Petitinga foi providencial. Uma noite me encontrei com Manoel Quintão em casa de Petitinga e pretendíamos fazer uma hora de conversa proveitosa, porém, só o Quintão falou. Contou de memória todo o enredo do romance Na Sombra e na Luz, psicografado por Zilda Gama, atribuído a Victor Hugo. Leopoldo ontava a Carlos Chiacchio, dias depois, na Praça Castro Alves, o ocorrido, quando Quintão passou por nós, a caminho da casa de Petitinga. Intrigado com a pessoa, Chiacchio perguntou: - Quem era aquele senhor tão alto e formalizado? – É o Manoel Quintão, a figura central do episódio que lhe estou contando. Chiacchio sorriu-se cético e meio zombeteiro. Foi com ele a minha primeira conversa de defesa ao Espiritismo, a primeira manifestação de que encontrara, realmente, a doutrina que procurava. Isso ocorreu no ano de 1915. Algum tempo depois, Leopoldo Machado ocuparia o cargo de secretário da União Espírita da Bahia. 

Os anos vinte chegaram. O Rio de Janeiro não era mais a Corte do Império, apenas a Capital do País, mas continuava atraindo os baianos em geral, até mesmo os espíritas. Como outros companheiros, Leopoldo Machado se deslocou, definitivamente, para lá aonde viria a casar-se com aquela que seria sua companheira de todas as horas: - Marília de Almeida Barbosa. Esta, após os estudos normais, diplomou-se em professora na Cidade do Salvador, no Educandário N. S. dos Perdões. Sua família e a Leopoldo conheceram-se na ilha de Madre de Deus, na Baia de Todos os Santos, em 1921. Curioso é que, entre ela e aquele que seria seu futuro esposo, surgiu, inicialmente, uma forte antipatia. Posteriormente, as famílias se separaram, indo á dela para o Rio Grande do Norte e a dele para o Rio de Janeiro e, nesse mesmo ano, Leopoldo Machado foi dirigir um colégio em Paraíba do Sul, justamente onde Marília iria lecionar. Aí, a antipatia foi vencida finalmente e se uniram em matrimônio no dia 31 de dezembro de 1927. Em fins de 1929, se mudaram para a cidade de Nova Iguaçu. Marília aceitou o Espiritismo e desenvolveu suas faculdades mediúnicas, convencida pelo marido, naturalmente. Não tiveram filhos. Seu primeiro e único herdeiro foi um natimorto; chamar-se-ia Leopoldo, se fosse homem, e receberia o nome Marília, se fosse mulher. 

Em 1930, Leopoldo Machado consagrou-se como legítimo educador, ao inaugurar, a 21 de abril desse ano, o Colégio Leopoldo, tradicional estabelecimento de ensino, com a colaboração de Marília, de Leopoldina Barbosa, sua irmã, e do Almirante Paim Pamplona, então presidente da Federação Espírita Brasileira. Desenvolvendo um importante trabalho na seara espírita, fundaram a Assistência aos Necessitados do centro Espírita Fé, Esperança e Caridade; estabeleceram a visita periódica aos presos da cadeia e aos doentes do hospital local; fundaram o Albergue Noturno Allan Kardec. Jornalista, professor, escritor, poeta, pregador, polemista e dramaturgo, Leopoldo Machado defendeu a Doutrina Espírita por todos os meios e formas. Apologista do Espiritismo de Vivos, sem fugir à pureza doutrinária. Leopoldo Machado incentivou a criação das Mocidades Espíritas e das escolas Espíritas de Evangelização para Infância, impulsionando, também, as semanas Espíritas, as Tardes Fraternas, os Simpósios, as Mesas Redondas e os Congressos. Ele divide o mérito da idealização das Mocidades Espíritas com um jovem baiano: Heitor Cardoso, um moço de Salvador, inteligente e dinâmico, que lhe escreveu expondo um plano interessante de aproximar os moços do movimento espírita. De aproximá-los suavemente, alegremente. Como, entretanto, não tinha projeção no meio espírita do Brasil, voltava-se para nós, que bem poderíamos prestar este serviço à Doutrina. Um artigo – Aonde vai, mocidade louca do Brasil? – coincidiu com a carta do moço de Salvador. Em qualquer evento de importância para o Movimento Espírita Brasileiro, Leopoldo Machado estava presente, atuando ativamente. 

Em 1939, Deolindo Amorim torna a iniciativa de realizar o I Congresso Brasileiro de Jornalistas Espíritas, em que contou com o apoio integral de Leopoldo Machado. A partir daí, outros congressos e eventos espíritas se realizaram nos anos seguintes. No Natal de 1940, Leopoldo Machado, Oli de Castro e outros companheiros fundaram o Lar de Jesus em Nova Iguaçu, inaugurado, definitivamente, no Natal de 1942, abrigando 25 crianças, vindo a se tornar uma instituição atuante na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, realizou-se a Caravana da Fraternidade, tendo a frente Leopoldo Machado, Lins de Vasconcelos e outros confrades, que percorreu os estados no nordeste e norte, conclamando todos para a participação, no I Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil (17 a 23 de julho de 1948), que teve à frente: o próprio Leopoldo Machado, Lins de Vasconcelos, Oli de Castro, João Batista Chagas, J.C. Moreira Guimarães, Geraldo de Aquino, Ruth Sant’ Anna e outros idealistas. No mesmo ano, Leopoldo Machado participou, com destaque, no Congresso Brasileiro de Unificação, realizado no Rio de Janeiro, e, também, no Pacto Áureo. Polemista, Leopoldo Machado nunca se acomodava quando inimigos do Espiritismo armavam investidas contra a sua pessoa e á doutrina que abraçava. Usava os recursos da inteligência para defendê-la com a força do argumento, através da tribuna e da imprensa. Manteve polêmicas com sacerdotes que tentaram ridicularizar o Espiritismo, os quais se viram em palpos de aranha por falta de argumentos que pudessem abatê-lo. 

O trabalho que Leopoldo Machado desenvolveu na seara espírita foi imenso e poucos se igualaram a ele. Escreveu para muitos periódicos e órgãos espíritas, entre os quais, O Clarim e a revista Internacional do Espiritismo. Levou o Espiritismo ao rádio, com a Hora Espírita Radiofônica, na antiga Rádio Transmissora PRE-3, hoje Rádio Globo, trazendo ao microfone o presidente da Federação Espírita Brasileira, na época, Guillon Ribeiro. Mesmo fraco e abatido pela doença, costumava escrever e participar do Movimento Espírita Brasileiro. Convidado para cinco Academias de Letras, só aceitou tomar na Cadeira nº 1 da Arcádia Iguaçuana de Letras, com tese sobre seu patrono, Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. Da sua lavra constam, entre espíritas e profanas, as seguintes obras: Meus Últimos Versos, Saudades, Ideias e iluminação (poesias); Doutrina Inglória, Sensacional Polêmica, Pigmeus contra Gigantes, Guerra ao Farisaísmo (polêmicas); Para o Alto, Natal dos Cristãos Novos, Graças sobre Graças, Caravana da Fraternidade e Ide e Pregai (crônicas); Teatro Espiritualista (1ª e 2ª séries) e Teatro da Mocidade (dramaturgia); Uma Grande Vida, Cruzada de espiritismo de Vivos e Observação e sugestões (roteiros); O espiritismo é Obra de Educação, Das Responsabilidades Maiores dos Espíritas no Brasil, Para Frente e para o Alto, Brasil, berço da humanidade (teses). Por fim, foi ele o criador da Canção da alegria Cristã (letra) em parceria com Oli de Castro (música). 

Leopoldo passou, de etapa em etapa, por quase todas as searas do Espiritismo: a sessão mediúnica, a tribuna de conferência, o jornal, o rádio, a organização de movimento de mocidade, o teatro, a assistência social. Foi, talvez, o conferencista que mais visitou cidades por este País, a serviço da propaganda espírita. Polemista, como todos sabem, foi dos maiores e dos mais vigorosos. Leopoldo Machado estava á bem dizer, no apogeu da tribuna: era o conferencista que aparecia diariamente nas colunas espíritas dos jornais A Pátria e Vanguarda. Ele era o homem da tribuna, de segunda a domingo, no centro da cidade e nos subúrbios do Distrito Federal. Leopoldo Machado, mais tarde, passou a cuidar de outras atividades e desprezou o terreno da polêmica. Para ele, a causa espírita se sobrepunha a todas as vantagens humanas. Foi procurado, mais uma vez, para ser candidato a Prefeito local e, também, para ser Deputado Estadual, mas a tudo recusou dizendo sempre, invariavelmente: Eu só quero ser espirita. 

Retornando ao Rio de Janeiro vindo da Bahia pela última vez, Leopoldo Machado chegou a escrever um poema sob o título “A Bahia de Novo”, que foi publicado em uma revista da Legião da Boa Vontade. Logo após, na noite de 22 de agosto de 1957, às 23 horas e 25 minutos, viria a desencarnar no Lar de Jesus, cercado de amigos, familiares e acompanhado por seu abnegado médico. Na manhã da sua desencarnação, como se previsse que seria seu último dia na Terra, mandou chamar, o diretor técnico do Colégio Leopoldo e pediu-lhe: Não transforme nunca o meu Colégio em um balcão de ensino. Transforme-o antes num hospital. Nunca, nunca, em balcão de ensino. Seu corpo foi velado no auditório do Colégio Leopoldo. O cortejo seguiu, às 16 horas, até o Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade, de que foi presidente por várias gestões, para uma prece. Voltou até a Cancela Kaonze, atravessou-a e seguiu pela rua Marechal Floriano. Exatamente como solicitara em testamento. Todo o comércio fechou as suas portas e centenas de pessoas formaram alas à passagem do esquife. Estiveram presentes espíritas, católicos, protestantes e representantes de todas as correntes políticas, de todos os colégios particulares e públicos. A notícia de sua desencarnação correu rapidamente por todo o Brasil, transmitida por Alziro Zarur, presidente da Legião da boa Vontade, através da Rádio Mundial. Na ocasião, Deolindo Amorim, confrade baiano e companheiro, escreveu algumas palavras sobre Leopoldo Machado: 

O Deputado Campos Vergal, militante no Movimento Espírita Brasileiro, prestou homenagem póstumas ao companheiro com um discurso proferido na Câmara Federal, de que são extraídos os seguintes trechos: 

Senhor Presidente, ocupo esta tribuna para tecer algumas considerações, embora ligeiras, sobre a figura de um notável baiano, hoje falecido, que, durante muitos anos, residiu na cidade de Nova Iguaçu – o Professor Leopoldo Machado. O que sempre admirei na sua vida foi seu grande espírito de luta, seu acendrado amor à paz e à Humanidade. Leopoldo Machado se despede da existência no momento em que se lança seu último livro – Caxias, Um Eminente Iguaçuano. Tive oportunidade de lê-lo, e senti emoções novas a respeito da vida do Condestável da república. É indispensável se destaque o seguinte: Leopoldo Machado teve, em sua esposa, a professora Marília de Almeida Barbosa, companheira de raro valor, caráter bem modelado, que foi o anjo bom, foi-lhe a alma e o braço forte na fundação e manutenção do Albergue Noturno Allan Kardec e principalmente, do Lar de Jesus. No Lar de Jesus, no culto cristão que se realizava todas as terças-feiras, que não era com fins mediúnicos, que um Espírito amigo, ignorando as normas estabelecidas, incorpora, na tarde de 16 de abril de 1957, na senhora Carlos Imbassay e diz: Aqui estão três baianos atrevidos, teimosos, insolentes. Mas trabalham e produzem. Quem assim se expressou foi o Espírito de Souza Ribeiro, o médico e dentista, atrevido polemista, de Campinas, São Paulo. Ele continuou, assim como fizera na existência, difundindo os pontos de vista sob o mau uso da prece, alegando que, sem vigilância, a oração só não adianta. Em Recordando Leopoldo Machado, Alfredo Miguel fala do companheiro de lides espíritas, dizendo: - Nenhum espírita militante foi igual a Leopoldo Machado que amava uma polêmica. Era rígido e contundente, confundia e contundia segundo Manuel Quintão... A personalidade estática do baiano de Cepa Forte ficou eternizada no tempo e no espaço, para aqueles que o conheceram... 

Fonte (1): 

www.telma.org.br 

Supressões e pequenas modificações. 

Jc. 

São Luís, (MA) 28/02/2013 

Fonte (2): 

http://ortsac13.blogspot.com.br/2013/03/professor-leopoldo-machado.html 

Acesso em 29/03/2016

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