domingo, 4 de janeiro de 2026
Chris Rea - Live at Beat Club 1983 (Full Concert) #chrisrea #rock #livem...
Sergio de Sersank, cidadão comum, cosmopolita, é poeta, pensador e ativista digital de esquerda.
Um Pedaço de Terra
Un pedazo de tierra
https://www.poemas-del-alma.com/claudio-barrera-un-pedazo-de-tierra.htm
Un pedazo de tierra,
es también paz y sombra y compañía.
Además de pedazo de tierra.
Es amor en la ausencia
y es la caricia grata
que da la compañera.
Además de pedazo de tierra.
Es el hijo que nace igual que las espigas
y los granos de trigo.
Es la novia, la madre y el amigo.
Además de pedazo de tierra.
Es casi el corazón latiendo a gritos
en la paz de los patios.
Es algo que jamás se nos separa,
algo que está en nosotros.
Además de pedazo de tierra.
Es canto que se pega a los labios
como un beso del viento.
Es el temblor del agua en el invierno
y el verano sediento.
Un pedazo de tierra es compañía
porque es sangre y espíritu
y nos hace vivir
con la diafanidad de la poesía.
Un pedazo de tierra
es sepulcro
y es grata compañía...
Claudio Barrera
TEXTO EM
PORTUGUÊS
Tradução de Antonio Miranda
UM
PEDAÇO DE TERRA
Um
pedaço de terra
é também paz e sombra e companhia.
Além de um pedaço de terra.
É amor
na ausência
e é a carícia grata
que dá a companheira.
Além de um pedaço de terra.
É o
filho que nasce igual que as espigas
e os grãos de trigo.
É a noiva, a mãe e o amigo.
Além de um pedaço de terra.
É quase
o coração latejando a gritos
na paz dos pátios.
É algo que jamais nos separa,
algo que está em nós.
Além de
um pedaço de terra.
É canto
que prega nos lábios
como um beijo no vento.
É o tremor da água no inverno
é o verão sedento.
Um pedaço de terra é companhia
porque é sangue e espírito
e nos permite viver
com a diafanidade da poesia.
Um pedaço de terra
é sepulcro
e grata companhia.
Sergio de Sersank, cidadão comum, cosmopolita, é poeta, pensador e ativista digital de esquerda.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
Homenagem a Chris Rea, ídolo mundial no campo da música
CHRIS REA
Christopher Anton Rea
Sempre vou me lembrar
de Chris Rea, meu artista
favorito. Vou me lembrar e ouvir suas canções belíssimas, sua guitarra
magistral, uma das melhores, senão a melhor de todas. Vou me lembrar de sua voz
rouca, enternecida, romântica, aveludada, mas claríssima, plena dos sons da
natureza e da vida humana. Sempre vou me lembrar de Chris Rea. Minhas sinceras
condolências à família e à humanidade inteira pela sua partida. Deus há de
permitir que ele continue vivo em todos nós que seguimos sua mesma estrada: a
do bem, a da solidariedade, a do amor pela vida! Deus te guie e te conserve
sempre vivo, Christopher!
Christopher Anton Rea, mais conhecido como Chris Rea (Middlesbrough, 4 de março de 1951 — 22 de dezembro de 2025)[1] foi um cantor da Inglaterra, mais conhecido pelo tema Driving Home From Christmas.
Alguns dos seus maiores sucessos são On The Beach, Josephine, Looking for the Summer, Julia, Auberge e Road to Hell. A canção era conhecido como Fool (If You Think It's Over) faz parte da trilha sonora internacional da novela Sinal de Alerta,[2] I Can Hear Your Heartbeat da novela Eu Prometo, Let's Dance da novela Cambalacho, Loving You Again da novela Sassaricando.[3] Vendeu mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo.
Veja este vídeo de Eric Clapton:
Eric Clapton finalmente conta a verdade sobre Chris Rea... (Isso é chocante!) - YouTube
Discografia
Álbuns de estúdio
- Whatever Happened to Benny Santini? (1978)
- Deltics (1979)
- Tennis (1980)
- Chris Rea (1982)
- Water Sign (1983)
- Wired to the Moon (1984)
- Shamrock Diaries (1985)
- On the Beach (1986)
- Dancing with Strangers (1987)
- The Road to Hell (1989)
- Auberge (1991)
- God's Great Banana Skin (1992)
- Espresso Logic (1993)
- La Passione (1996)
- The Blue Cafe (1998)
- The Road to Hell: Part 2 (1999)
- King of the Beach (2000)
- Dancing Down the Stony Road / Stony Road (2002)
- Blue Street (Five Guitars) (2003)
- Hofner Blue Notes (2003)
- The Blue Jukebox (2004)
- Blue Guitars (2005)
- The Return of the Fabulous Hofner Bluenotes (2008)
- Santo Spirito Blues (2011)
- Road Songs for Lovers (2017)
Sergio de Sersank, cidadão comum, cosmopolita, é poeta, pensador e ativista digital de esquerda.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
RELEMBRANÇAS
Trecho do Livro “Estado de
Espírito”, de Sersank
À VELHA ÁRVORE
Foto by Khosrow Amirazodi
“Ah, velha árvore
querida,
chegado o inverno
da vida,
eis-me de volta,
aqui.
Minh’alma a
recolher aljôfares dos olhos,
rebusca a nitidez
com que sonhava a realidade
e, sob esses
eflúvios da saudade,
vem repletar-se de
ti.”
("Estado de Espírito" - Ed. Íthala, Curitiba-PR, 2013 - 191 p. )
Sergio de Sersank, cidadão comum, cosmopolita, é poeta, pensador e ativista digital de esquerda.
domingo, 28 de dezembro de 2025
Reflexões Poéticas - Republicação
VIAGEM
Foto de Mito EliasMÁRIO FONSECAMário Alberto de Almeida Fonseca nasceu na cidade de Praia, em Cabo Verde, em 1939. Foi professor de francês no Senegal, trabalhou na Mauritânia e na Turquia como administrador. Perseguido político durante a ditadura salazarista, em Portugal, durante a fase da descolonização.Obra poética: Près de la mer, Mon pays est lune musique, e Poissons. Sua obra foi traduzida a diversos idiomas.
VIAGEM NA NOITE LONGANa noite longaminha almachora sua fome de séculosMeus olhos cresceme choram famintos de eternidadeaté serem duas estrelasbrilhantesno céu imenso.E o infinito se detém em mimNa noite longauma remotíssima nostalgiaafunda minha almaE eu choro marítimas lágrimasEnquanto meu desejo heroicode engolir os céusse alargae é já céuTenho entãoa sensação esparsamente longade vogar no absoluto.(Selô,1962)
ONDE FINCAR OS PÉS...Onde fincar os pés senão nas estrelas?Onde senão no sólido chão das estrelas?Aqui?Aqui onde medra medra a flor?Oh rosa!Que amar senão tua inexistente essência?Que amara senão teu persistente sonho?Isto?Isto desta implacável gramática?Oh rosa!Onde fincar os pés senão em tuas inexistentes pétalas?Onde senão no inexistente sonho de tuas persistentes pétalas?Aqui?Aqui onde tudo o que medra é só e apenas terra?Oh tu embora da terra!Oh tu embora do chão do coração!
Da investidura de reinos sem pudor,
Construídos no terror e na mentira
Da traição à sacra promessa de amor.
Esta é a pungente terra de amargura
Onde como erva torpe medra a dura
Louvar eu quero a sorte eu me couber,
Já que, por mais que amar, um tão forte
Amor, que só a morte mata, merecer
Não posso, ainda que tivesse arte.
Mulher, enquanto durar o vício de viver,
Que persiste mesmo quando é mais morte
Que vida, a vida que consente o poder,
Quero somente andar, nadar e cantar,
Comungar e cultivar o meu pomar,
E à tua amada sombra adormecer...
Pois só inepta sina ou príncipe consorte
Pode requerer poder a quem tem poder,
Que este com sorte e morte se merece,
Sergio de Sersank, cidadão comum, cosmopolita, é poeta, pensador e ativista digital de esquerda.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
Mensagem de Natal - 2025
Sergio de Sersank, cidadão comum, cosmopolita, é poeta, pensador e ativista digital de esquerda.
sexta-feira, 28 de novembro de 2025
SOB A LUZ DA LUA
Nossa outra face
UMA TROVA
Gira a Terra - astro que pensa,
se repensa e se recria.
Nua, a lua brilha intensa
em sua imensa nostalgia.
Sersank, 28 nov 2025
Sergio de Sersank, cidadão comum, cosmopolita, é poeta, pensador e ativista digital de esquerda.
sábado, 22 de novembro de 2025
ECOS DO ROMANTISMO
ROMANTISMO
Imagem disponível no Google
Névoas |
Nas horas tardias que a noite desmaia
Que rolam na praia mil vagas azuis,
E a lua cercada de pálida chama
Nos mares derrama seu pranto de luz,
Eu vi entre os flocos de névoas imensas,
Que em grutas extensas se elevam no ar,
Um corpo de fada - sereno, dormindo,
Tranquila sorrindo num brando sonhar.
Na forma de neve - puríssima e nua -
Um raio da lua de manso batia,
E assim reclinada no túrbido leito
Seu pálido peito de amores tremia.
Oh! filha das névoas! das veigas viçosas,
Das verdes, cheirosas roseiras do céu,
Acaso rolaste tão bela dormindo,
E dormes, sorrindo, das nuvens no véu?
O orvalho das noites congela-te a fronte,
As orlas do monte se escondem nas brumas,
E queda repousas num mar de neblina,
Qual pérola fina no leito de espumas!
Nas nuas espáduas, dos astros dormentes
- Tão frio - não sentes o pranto filtrar?
E as asas, de prata do gênio das noites
Em tíbios açoites a trança agitar?
Ai! vem, que nas nuvens te mata o desejo
De um férvido beijo gozares em vão!...
Os astros sem alma se cansam de olhar-te,
Nem podem amar-te, nem dizem paixão!
E as auras passavam - e as névoas tremiam
- E os gênios corriam - no espaço a cantar,
Mas ela dormia tão pura e divina
Qual pálida ondina nas águas do mar!
Imagem formosa das nuvens da Ilíria,
- Brilhante Valquíria - das brumas do Norte,
Não ouves ao menos do bardo os clamores,
Envolto em vapores - mais fria que a morte!
Oh! vem; vem, minh'alma! teu rosto gelado,
Teu seio molhado de orvalho brilhante,
Eu quero aquecê-los no peito incendido,
- Contar-te ao ouvido paixão delirante!...
Assim eu clamava tristonho e pendido,
Ouvindo o gemido da onda na praia,
Na hora em que fogem as névoas sombrias
- Nas horas tardias que a noite desmaia.
E as brisas da aurora ligeiras corriam.
No leito batiam da fada divina...
Sumiram-se as brumas do vento à bafagem,
E a pálida imagem desfez-se em - neblina!
Fagundes Varela
Wilson Martins |
| Em nossas letras, Fagundes Varela é figura paradigmática do poeta maldito, numa escala em que, aliás, não eram os poetas tenebrosos que faltavam (Melhores poemas, Sel. Antônio Carlos Secchin. São Paulo: Global, 2005). Em 1861, as Noturnas, seu livro de estréia, continham dez poemas arcaizantes, prolongando a atmosfera byroniana da Academia de São Paulo na geração anterior: “A temática do maldito e do errante, do foragido e desenraizado predomina nesses poucos poemas, escritos no período em que ele ‘escolhia’ existencialmente a sua própria biografia (O foragido, Fragmentos, Sobre um túmulo, Tristeza), descontada a espórtula que pagou à imitação literária e aos lugares-comuns da escola”, observei na História da inteligência brasileira. Não era, contudo, e à diferença de tantos outros, uma atitude literária ou cacoete romântico: era um destino e uma condenação prometéica. Nas palavras de Antônio Carlos Sechin, “toda a sua vida foi marcada por desencontros, projetos inconclusos, infortúnios. Na vida acadêmica, não conseguiu concluir o curso de Direito (...) na vida afetiva, foi infeliz nos dois casamentos ... dois dos seus filhos morreram antes do primeiro aniversário... dependia financeiramente do pai.. zanzou, bêbado, por lugarejos e fazendas fluminenses, declamando de improviso versos que passaram à tradição oral (...)”. Nos românticos da geração anterior, o byronismo foi uma extravagância de juventude; ele, chegando “tarde demais num mundo demasiadamente velho”, viveu a frustração de não poder competir em igualdade, menos ainda superar, os marcos que outros haviam plantado antes dele. Sua vida desregrada foi uma vingança, uma reação de ressentimento. Era também uma obsessão obscura: em 1865, prefaciando os Cantos e fantasia, Ferreira de Menezes dizia tratar-se da “ressureição de Álvares de Azevedo”, mas, acrescento por minha conta, ele apresentava sobre o autor adolescente da Lira dos vinte anos a vantagem do amadurecimento emocional e poético. O volume incorporou para sempre à nossa literatura o “Cântico do Calvário”, além de introduzir uma nota nova no lirismo amoroso: a desgraça de uma personalidade anormal, condenada sem esperança à infelicidade e ao sofrimento. Falecendo em 1875, ele deixou no prelo Anchieta ou O Evangelho nas selvas, tentativa, ao mesmo tempo, de epopéia cristã e reafirmação de fidelidade católica e jesuítica, linha de inspiração que seria retomada por Bittencourt Sampaio, em 1882, com A divina epopéia de João Evangelista, paráfrase evangélica a colocar na mesma estante da paráfrase vareliana da história sagrada. De fato, seus mais de oito mil decassílabos brancos, escreve Antônio Carlos Secchin, “revelam um escritor de grande domínio técnico, embora o imperativo de obediência à narrativa do Novo Testamento acabe freando maiores ímpetos de imaginação, reduzindo o nível do texto a uma mediania algo tediosa ao leitor não particularmente aficionado do assunto”. É o menos que se pode dizer a respeito de um poema mais propenso a desencorajar a fé do que a estimulá-la. Para compô-lo em alto plano poético seria preciso um pensamento poderoso, uma maturidade filosófica e uma inspiração épica que lhe faltavam por completo, idealmente imagináveis na pena de um Antônio Vieira, não na do bem intencionado Anchieta. Sua incapacidade para tratá-lo aparece desde logo na ficção de que se serviu: os Evangelhos explicados aos índios, o que corresponde a ignorar-lhes a grandeza e a essência. Sua tarefa seria, antes, a de “interpretar” e não a de parafrasear, seria, por assim dizer, “criá-los” no piano poético, como Victor Hugo criou a história da humanidade na Légende des siêcles. Quando Varela se atreve a abandonar os carreiros estreitos da paráfrase é para cair, ou na heresia teológica, apresentando Sócrates como precursor de Jesus, ou na antecipação malvinda, com a antevisão do continente americano, ou no anacronismo puro e simples, colocando os Francos na Gália ao tempo de Jesus. Nesse quadro, surpreende encontrá-lo compromissado com a realidade social e política do momento, a exemplo do poema “A estátua eqüestre”, que encerra o volume de 1861. Trata-se da enorme polêmica que agitara o país em 1855, quando Haddock Lobo propôs à Câmara Municipal do Rio erguer um monumento ao fundador do Império, na praça da Constituição. Àquela altura, o projeto não despertou nenhum antagonismo, abrindo-se o concurso em que foi escolhido o modelo do escultor Mafra, mandado executar em Paris. Contudo, ao se aproximar a data da inauguração, os liberais mais exaltados e os republicanos viram nessa homenagem uma tentativa dissimulada de revitalizar as instituições monárquicas. Publicado no momento da inauguração, um poema célebre de Pedro Luís chamava à estátua “mentira de bronze”, opondo a Pedro I o nome de Tiradentes como verdadeiro herói da emancipação brasileira. Datado de 1861, o poema de Varela insiste nos mesmos temas, nas mesmas imagens e paralelos históricos: “Ergue-te ousado sobre o chão da praça,/ Homem de bronze – imagem de monarca / Simulacro fatal! (...) Raça de ilotas ... por que reledes o passado escuro / Quando deveras derribar os tronos / Cantando a liberdade ? // Vota-se à treva o busto dos Andradas, / Some-se a glória de ferventes mártires / Na lama do ervaçal! / Mas fria a estátua pisa a turba, como / As dura patas do corcel de bronze / O chão do pedestal!”. O poeta também comungou na indignação coletiva por ocasião da famosa Questão Christie – “diplomata insolente, ave maldita”: “Dize, filho da sombra, – onde aprendeste / A voar como as àguias ? ”. Reconheçamos que não estava nada mal no seu gênero, inspirando-lhe ainda, com o poema “ A São Paulo”, pátria de heróis, berço de guerreiros “, uma das páginas mais belas e perfeitas de nossa literatura poética, tanto mais admirável quanto não faz a menor alusão ao incidente diplomático: ”Foi no teu solo, em borbotões de sangue/ Que a fronte ergueram destemidos bravos (...). O que, sub-reptícia e ironicamente, significava restituir a Pedro I o seu papel no processo da Independência... |
http://www.jornaldepoesia.jor.br/fvarela.htmlhttp://www.jornaldepoesia.jor.br/wilsonmartins.html
Sergio de Sersank, cidadão comum, cosmopolita, é poeta, pensador e ativista digital de esquerda.
COMENTÁRIO DE ISABEL FURINI, laureada poeta e escritora sobre a obra poética "Estado de Espírito"
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