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'LE DORMEUR DU VAL'
Arthur Rimbaud (1845-1891)
C'est un trou de verdure où chante une rivière,
Accrochant follement aux herbes des haillons
D'argent; où le soleil, de la montagne fière,
Luit: c'est un petit val qui mousse de rayons.
Un soldat jeune, bouche ouverte, tête nue,
Et la nuque baignant dans le frais cresson bleu,
Dort; il est étendu dans l'herbe, sous la nue,
Pâle dans son lit vert où la lumière pleut.
Les pieds dans les glaïeuls, il dort.
Souriant comme
Sourirait un enfant malade, il fait un somme:
Nature, berce-le chaudement: il a froid.
Les parfums ne font pas frissonner sa narine;
Il dort dans le soleil, la main sur sa poitrine,
Tranquille. Il a deux trous rouges au côté droit.
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Dormindo no Vale
Arthur Rimbaud (Poeta francês,1845-1891)
É um prado verdejante onde, a cantar, um
rio
arrasta alegremente as ervas desprendidas,
prateadas pelo sol que a montanha no estio
espraia, à espuma de suas vagas repetidas.
Jovem soldado, à boca um sussurro contido,
descoberta a cabeça na relva molhada,
de olhos abertos, dorme. Seu corpo
estendido
expõe-se como um tronco à abóbada azulada.
Agasalham-lhe os pés roxos lírios de
outono.
Parece que sorri – frágil infante em sono.
Aquece-o, Natureza, no seu frio leito!
Não mais pode aspirar do vale os bons olores.
Dorme. E a dextra no peito, já livre das
dores,
cobre dois rubros furos do lado direito.
Tradução de Sergio de Sersank
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OUTRAS TRADUÇÕES
Adormecido no Vale
Arthur Rimbaud (Poeta francês –
1845-1891)
É uma clareira verde, onde
canta um riacho
prendendo alegremente às
ervas seus farrapos
prateados; onde o sol da
orgulhosa montanha
brilha. É um valezinho a
espumar claridades.
Um jovem soldado, a boca
aberta e a cabeça
descoberta a molhar-se na
erva fresca, azul,
dorme; está estirado ao
chão, a céu aberto,
pálido, no seu leito
verde, à luz que chora.
Os pés nos lírios roxos,
dorme. E sorri como
sorriria uma criança
enferma, em sono leve.
Natureza, aconhega-o bem:
ele tem frio!
Os perfumes não mais lhe
excitam as narinas;
dorme ao sol; tem a mão
abandonada ao peito;
dois rubros orifícios
sangram-lhe à direita...
Tradução de J.G. de
Araújo Jorge
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'ADORMECIDO NO VALE'
É um vão de verdura onde um riacho canta
A espalhar pelas ervas farrapos de prata
Como se delirasse, e o sol da montanha
Num espumar de raios seu clarão desata.
Jovem soldado, boca aberta, a testa nua,
Banhando a nuca em frescas águas azuis,
Dorme estendido e ali sobre a relva flutua,
Frágil, no leito verde onde chove luz.
Com os pés entre os lírios, sorri mansamente
Como sorri no sono um menino doente.
Embala-o, natureza, aquece-o, ele tem frio.
E já não sente o odor das flores, o macio
Da relva. Adormecido, a mão sobre o peito,
tem dois furos vermelhos do lado direito.
Tradução de Ferreira Gullar